Combate ao machismo na indústria musical

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Por: Gabriela Gaspar

Madrinha do WME 2019 Céu e jornalista Claudia Assef, da direita para esquerda. Foto: Maira Tavares

“Trabalhamos com música por muitos anos e sentíamos um machismo gigantesco e generalizado, queríamos de alguma maneira contribuir para diminuir isso”, foi assim que Claudia Assef, jornalista, contou como ela e Monique Dardenne, produtora cultural e advogada, tiveram a ideia de criar a conferência Women’s Music Event (WME).

O objetivo do evento é dar voz e espaço para mulheres na indústria musical, tendo em vista a dificuldade que o gênero enfrenta nesse ramo. Até meados do século XX, não existiam compositoras, apenas intérpretes mulheres, não tendo abertura para os trabalhos autorais das cantoras, com exceção da pioneira Chiquinha Gonzaga.

Foi apenas durante os anos de 1950 que as mulheres começaram a se consolidar como letristas, com grandes nomes da Música Popular Brasileira, como Dolores Duran. Ainda hoje, as mulheres continuam enfrentando preconceito na indústria musical, como retrata o Festival Lollapalooza deste ano, que em apenas cerca de 20% do seu line-up contêm mulheres.

O WME é um festival que luta para que esse cenário mude e para que o ramo musical seja cada vez mais igualitário. Neste ano, a terceira edição do evento teve a presença de mais de 100 mulheres da indústria da música entre painéis, workshops, entre elas compositoras, cantoras, DJs, empresárias, radialistas e muito mais, durante os três dias de evento (23 a 24 de março).

A madrinha desta edição foi a cantora e compositora Céu, que participou de um bate-papo no primeiro dia da conferência, no CCSP (Centro Cultural de São Paulo). Durante a entrevista, abordou assuntos como, maternidade, feminismo e militância como uma figura pública “eu levanto minhas bandeiras, mas tenho a sensação que eu tenho um jeito mais poético de fazer isso. Eu sou uma feminista e falo disso no meu primeiro disco”.

Outra grande artista que marcou presença foi a rapper Karol Conká, que já no segundo dia, reforçou a importância da conferência “quando a gente reúne um grande número de mulheres talentosas, isso serve de referência para muita gente”. Ainda de acordo com ela, é esse tipo de evento que ajuda na reconstrução cultural, “é onde lembramos que a gente [mulheres]pode, que a gente deve e que a gente vai pra onde quiser”.

O quesito da representatividade apontado pela cantora esteve também presente nos palcos do CCSP, com  cantora lésbica Maria Beraldo, o grupo de rap feminista Slam das Minas e a cantora negra Mahmundi, apenas no primeiro dia. E não parou por aí, o dia 24 de março ainda teve shows do grupo boliviano Santa Malia e da cantora negra Anelis Assumpção.

O sentimento de identificação com essas artistas diversas esteve presente no público. Ana Cláudia Pereira, publicitária que trabalha no ramo musical, foi acompanhar o WME e contou como foi a experiência “saber que existe essa área e que mulheres estão presentes nos faz acreditar que a gente pode, e ver outra pessoa no ramo, mostra que você também pode fazer isso  [estar no meio da música]”.

Além da conferência no CCSP, o evento também teve programação noturna com shows da cena atual, como Josyara, e a consagrada e incomparável Paula Lima, representando a música brasileira no Jazz nos Fundos. Já no Club Jerome a programação foi uma festa com três DJ’s, Marina Dias, Valesuchi e Carol Matos, de ritmos versáteis e contemporâneos.

O encerramento do WME 2019 foi um dia repleto de shows que transitaram entre o dancehall, rap e rock indie com Lei Di Dai, Bivolt, Brisa Flow, Linn da Quebrada e Carne Doce. As apresentações tomaram a tarde inteira e o começo da noite de domingo dando fim a edição deste ano. Ao todo, foram mais de 6 mil pessoas em todos os eventos da conferência, que sonham e lutam por um dia em que a desigualdade de gênero seja inexistente.


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