A vez é (finalmente) delas!

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Por Maria Morales e Sofia Ferreira

Mundialmente, o futebol se firmou desde os primórdios como um esporte masculino – não só dentro de campo, como nos estádios, rodas de bar e até nas mesas redondas da televisão. Mais do que isso, a indústria do futebol  se tornou a principal formadora desse conceito, produzindo uniformes, materiais esportivos e propagandas majoritariamente para o público masculino. Mas, engana-se quem pensa que as mulheres se juntaram aos times há pouco tempo.

Em 1898, em Londres, foi realizada a primeira partida de futebol feminino da história, onde os times da Inglaterra e Escócia se enfrentaram. No Brasil, a primeira partida foi realizada em 1921, em São Paulo, mas a Seleção Brasileira de Futebol Feminino só foi fundada em 1986, 72 anos após a fundação da Seleção masculina.


Jogadoras do primeiro time da seleção brasileira feminina de futebol, na copa América de 1991 Fonte: Reprodução

Mesmo que as mulheres já estejam dentro dos campos há quase um século, o futebol feminino é uma das práticas esportivas mais desvalorizadas do mundo. Jogos de campeonatos femininos raramente são transmitidos. Os principais clubes do país começaram a dar mais valor aos seus times femininos recentemente. Infelizmente, alguns só o fizeram porque para jogar em campeonatos da Conmebol e a Série A do Brasileirão, se tornou obrigatório para os clubes ter uma equipe feminina.


Atual formação da seleção brasileira de futebol feminino Fonte: Reprodução

O descaso com o esporte feminino afeta inclusive os uniformes utilizados pelas jogadoras que, desde os primórdios do esporte, eram os mesmo utilizados pela equipe masculina, sem qualquer adaptação a biodinâmica feminina, trazendo desconforto muitas vezes às jogadoras. “Muitas vezes o uniforme acabava interferindo no nosso rendimento dentro de campo, porque o shorts não é adaptado às nossas pernas, algumas camisetas tinham golas muito fechadas e desconfortáveis”, explica Adriana Silva, atleta titular da Seleção Brasileira Feminina de Futebol.

Mas, finalmente, as equipes femininas poderão jogar com uniformes especialmente pensados para o corpo feminino. No dia 11 de março, pela primeira vez na história do futebol, a Nike promoveu um evento no Museu do Futebol do Pacaembu para o lançamento desse tão sonhado equipamento. Mais ajustados e tecnológicos, o conjunto de shorts e camisetas foram pensados para acompanhar a ida da Seleção à Copa do Mundo na França em junho deste ano, onde mais de 24 times competirão pelo título mundial.


As atletas Luisa Fontes, Adriana Silva (titular da seleção brasileira) e Juju Gol no evento de divulgação dos novos uniformes da seleção feminina de futebol Foto: Sofia Ferreira

“É um grande passo para nós. Além do uniforme ser muito confortável para nossa prática dentro do campo, eu vejo esse lançamento como um reconhecimento importante para o futebol feminino”, diz Juju Gol, atleta de apenas 9 anos e a primeira menina federada do Brasil a competir campeonatos em times majoritariamente masculinos. As camisetas ainda trazem a frase “mulheres guerreiras do Brasil” em formato de logo na parte interna delas, como uma forma de apoio ao movimento de valorização do futebol feminino.

Neste mesmo evento,  a empresa também anunciou uma série de iniciativas para desenvolver o esporte feminino no Brasil em categorias profissional, de base e amador. Uma delas, e talvez a mais grandiosa, a plataforma Nike Futebol Clube, que vai fornecer treinos gratuitos em São Paulo para mulheres no estádio do Pacaembu, sob o comando de Emily Lima, primeira treinadora da história da Seleção Feminina.


As novas camisetas da seleção brasileira feminina de futebol criadas pela Nike Fonte: Reprodução

Engana-se quem pensa que esse passo é um diferencial apenas para as atletas profissionais. “O uniforme feminino é um passo muito importante. Por anos as mulheres jogavam com roupas totalmente desproporcionais para seus corpos, que pesavam e apenas prejudicavam sua mobilidade.” conta Alana Moraes, atleta universitária e porta-voz do time de futebol feminino da PUC-SP, a Pegada Louca. Ela acredita que, mesmo sendo em pequenos passos, o valor simbólico desse momento é muito importante para mostrar como o futebol feminino vem ganhando espaço. “Todas as iniciativas voltadas para as mulheres nos esportes como um todo só tem a agregar e incluir cada vez mais nesse meio que é ainda tão machista.”

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