Próxima estação: Tiziu

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O cantor que alegra a viagem de metrô do paulistano

Por: Thalita Archangelo

Tiziu é um cantor que leva sua arte para os vagões paulistanos diariamente com um objetivo: “Tocar a pessoa que não tem tempo de ser tocada”, como definiu o próprio artista.

Segundo o cantor, tocar no transporte público é algo revigorante para a alma. “Cansa, com os dias, com correria, com excesso, mas é um lance que fortalece e faz você vivenciar coisas que você não vivenciaria”, comenta o artista.

Ele explica que apesar de mapear a linha do metrô que vai fazer no dia, a decisão de onde vai tocar é espontânea. “A coisa vai acontecendo. Geralmente quando eu estou tranquilo eu deixo levar e vou entrando nos vagões que eu olhar e tiver bastante gente sorrindo, que não tiver muita gente dormindo. Pessoas contentes assim eu vou para cima do vagão, mas também não há regra. Todo vagão que eu entro eu faço”, explica Tiziu.

A ideia de cantar nos vagões surgiu a partir de um momento difícil de sua vida, em setembro de 2016. Ele tinha deixado a pouco tempo uma produtora que gerenciava seu trabalho e havia se mudado de Santos, litoral paulista, para São Paulo. Ele conta que certo dia quando estava se deslocando pela cidade pelas linhas do metrô viu um homem tocando. “O cara passou a cartola, deu uma grana eu falei: nossa, tem dia que eu não to conseguindo fazer 10 reais, 15 reais, vou tentar esse negócio”, lembra Tiziu. Ele relembra que no dia seguinte acordou decidido a tentar ser ouvido nos vagões: “O metrô foi uma porta para eu entender que a música não precisa de porta. É amplo, é intervenção mesmo.”

Tendo como referências artistas como Tim Maia, Jorge Ben, Cassiano, Dejavan e Sabotagem, Tiziu conta que o que mais o move a trabalhar com arte é a sensação que tem ao cantar e tocar. “Eu não tenho uma outra coisa que me faça eu me sentir tão bem quanto a arte, a música, a composição, arranjo de instrumento, pensar maneiras, buscar influências, escutar música, cantar para as pessoas, é uma coisa que é minha. Não dá para me dividir muito disso porque eu não sei se seria uma vida tão feliz assim. Seria muito difícil para mim”, revela o artista.

Ele conta que hoje consegue viver exclusivamente da música fazendo intervenções nos vagões, shows em bares, cerimônias de casamento e eventos em geral: “Tudo que precisa de música é só me chamar”, brinca Tiziu.

Com raízes na música, a trajetória de Tiziu é marcada por dificuldades. A maior delas, segundo o cantor, foi a falta de acesso aos fatores que o preparariam melhor para desenvolver sua arte. “Você ter acesso a um instrumento bom, a uma aula, são coisas que eu não tive. Nunca tive aula nem de canto, nem de violão, nem nada, fui totalmente descobrindo conforme as coisas iam acontecendo, conforme eu ia tocando com outros músicos e ia pegando um pouquinho daqui, um pouquinho dali, e fui juntando minhas influências e aí eu ia me desenvolvendo.”

Sem muito apoio da família, Tiziu foi muito influenciado na música por sua mãe. Ele conta que dona Célia desfilou no Carnaval de Santos por 44 anos e foi intérprete da Real Mocidade por 34. Além disso, ela disputou sambas enredo na Águias de Ouro aqui de São Paulo e hoje é embaixadora do samba de Santos. “Sempre teve esse convívio com a escola de samba, com o barracão, ver os ensaios, como tocar na bateria da escola, como desfilar, e a musicalidade vai aflorando.”

Com nove anos Tiziu teve sua primeira banda: “Era uma bandinha que nenhum dos quatro tocavam um instrumento de verdade e eu cantava. Cantava já mas eu cantava muito mal.” Sua primeira apresentação aconteceu aos doze anos, com a sua banda de rock. “Sempre tive uma música aí andando junto comigo”, recorda o artista.

Ainda enquanto morava em Santos, Tiziu e sua banda se apresentaram em programas de Tv da Tv Tribuna, e do SBT como o Programa do Ratinho. Ele lembra da experiência: “Foi bem legal, bem bacana. Foi a primeira vez de um auditório e foi um lance diferente, nunca tinha participado de algo assim.” Além disso, ele e sua banda participaram de campeonatos de música antes dele seguir em carreira solo pelos vagões paulistanos.

Hoje o cantor se prepara para o seu mais novo lançamento – “Notas De Cem”. Financiado com o dinheiro arrecadado nas composições do metrô, ele conta que o processo de produção é um caminho nada fácil. “Foi um processo demorado e exaustivo às vezes. Foi bem difícil.” Mas isso não o desanimou: “Foi tortuoso em algumas coisas mas essa questão da produção, estúdio, e pensar em como ia sair isso é muito gostoso. Isso é muito bom de fazer, é uma parte muito boa”, conta animado. A concentração agora é na divulgação do novo trabalho em rádios, páginas nas redes sociais e apoio de amigos influenciadores. “Vai ficar bonito o trabalho, espero que vocês gostem”.

Tiziu, nome artístico de Renan Augusto Silva de Souza, conta que escolheu esse nome para o acompanhar na arte por conta de um pássaro de mesmo nome que tem um canto “frenético”: “Eu gostava muito de brincar com meu canto, a minha rima, de ser rápido, e ele é um pássaro preto, um pássaro negro e veio essa ideia: Tiziu.” Além disso, ele menciona a importância de ressignificar a palavra: “Tiziu era um termo muito ruim e até hoje é usado como um termo racista, mas também pelo lado de ressignificar. Ser tiziu é bom, ser negro é bom e Tiziu tem coisa boa para oferecer”, finaliza o cantor.

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