Maternidade com “M” de mãe e sem pai

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O protagonismo da mulher na criação dos filhos dentro dos lares brasileiros

por Natália Novais

“Quando a gente pensa em ter um filho, a gente pensa que quer ter uma família, mas nem sempre é isso que vai acontecer”. Essa é a fala Larissa Martins, 19 anos, que foi mãe do Miguel aos 16 e não teve apoio do pai de seu filho. Assim como Larissa, mais de 1,1 milhão de famílias no Brasil são compostas de mães solteiras, mulheres que criam seus filhos sem a presença da figura paterna.

Dados do instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE), apontam que a presença apenas da figura da mãe como única e principal referência na criação dos filhos corresponde a 26,8% dos lares brasileiros.A pesquisa aponta ainda que o protagonismo das mulheres na hora de chefiar suas famílias saltou em dez anos de 4,8% para 15,7%.

Larissa conta que ficou grávida em 2016, ela comenta que nunca teve uma relação concreta com o pai de seu filho. “A gente ficou uma vez e aconteceu. Não tinha nenhum sentimento afetivo entre a gente para criar um filho, então acabou que não ficamos juntos”.

Na época a mãe de Miguel, hoje com dois anos e meio, estava saindo com outra pessoa, ela chegou a pensar que o pai da criança seria este parceiro, fez o teste DNA, mas descobriu que o verdadeiro pai viria a ser o outro. “Próximo do dia em que eu me relacionei com o pai do Miguel, eu acabei me envolvendo com outra pessoa, então eu fiquei na dúvida sobre quem poderia ser o pai. Quando o bebê nasceu a gente foi fazer o exame de DNA e deu negativo”.

Larissa conta que assim que descobriu quem de fato seria o pai de Miguel, procurou-o, mas não foi bem recebida. “Eu fui atrás dele, mas ele sempre fugia, me bloqueou no WhatsApp, no Facebook, me disse que não podia ter filho”.

Na certidão de nascimento da criança consta apenas o nome de Larissa, ela conseguiu recentemente entrar em contato com a mãe do pai de Miguel, que segundo ela é quem tem lhe ajudado para mudar essa realidade. “No registro de meu filho tem apenas o meu nome. No começo deste ano, eu consegui o telefone da mãe dele (pai do bebê), liguei para ela e expliquei toda a situação, ela me deu total apoio e eu fui na procuradoria pedir para fazer o exame pelo governo.”

O teste que comprovaria a paternidade de Miguel foi marcado para o começo de novembro deste ano, mas Larissa conta que o pai não foi ao local na data marcada . “Ele não compareceu no dia do exame, então meu filho continua sem o nome do pai no registro”.

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com base no censo escolar de 2011, há atualmente cerca de 5,5 milhões de crianças brasileiras sem o nome do pai na certidão de nascimento.

Larissa comenta que para ela é difícil bancar todos os custos e gastos sozinha, no início da gestação para ela a expectativa de está grávida era ruim. “Você fica pensando que não vai conseguir, pensei até em fazer aborto, mas graças a deus tive o apoio da minha família e ninguém me expulsou de casa por ficar grávida tão nova”.

O relatório da Desigualdade entre Gêneros e Raça, divulgado em 2017 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, aponta que mesmo em lares cuja a família é constituída pelas figuras do pai e da mãe, a liderança e presença matriarcal é muito forte e vem crescendo muito nos últimos anos.

De acordo com a pesquisa em 1995 cerca de  9 milhões de famílias brasileiras eram chefiadas por mulheres, já em 2015 este número tinha saltado para 28 milhões de famílias. Os números ficam mais expressivos no recorte raça, segundo o relatório destas famílias conduzidas pela mãe, cerca de 16 milhões são mulheres negras.

Larissa diz ter receio em relação ao futuro do filho por conta da ausência da figura materna. “As vezes ele fala papai, na creche tem as atividades dos dia dos pais e o dele não está para participar, tenho medo de ele ver essas famílias e me perguntar sobre a dele.”

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