Foco, força e fé

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Por: Isabella Garcia 

Diego Rocha Garcia, 32 cresceu em um bairro periférico de Osasco, o Jardim D’ávila. Ele ocupa hoje o cargo de Gerente de marketing esportivo da América Latina e Gerente de Brand para Basquete Brasil, na Nike. É responsável por todo relacionamento com atletas, federações, ligas e clubes. Jogadores, técnicos e fãs do esporte sempre fazem elogios com um toque de gratidão ao seu trabalho. Atribuem o desenvolvimento do NBB (Novo Baquete Brasil), a sua atuação e amor ao trabalho.

Quando tinha dez anos, ganhou uma bola de basquete e uma camiseta do icônico Michael Jordan, que defendia o Chicago Bulls. Até hoje não entende o que levou seu tio a comprar o presente, pois na época o esporte não era nada comum no Brasil, não tinha ninguém em sua família amante do esporte e era difícil encontrar uma camiseta da NBA no país. Isso o levou a começar em casa e sozinho dar os primeiros dribles. Nessa brincadeira percebeu que tinha facilidade com esporte.

Na mesma época assistiu pela primeira vez o filme Space Jam, protagonizado por Jordan. Abordava o esporte de maneira muito lúdica, graças a mistura de realidade com animação. Isso despertou seu amor ao esporte. Percebeu que a grande estrela da NBA é uma das suas maiores inspirações da vida. Isso o incentivou a ir atrás de livros, que retratavam a sua trajetória de vida e aprendeu com ele que deveria se esforçar e dar o seu melhor sempre.

Por ter tido esse contato natural com esporte, percebeu desde cedo que ser um profissional não era o seu grande sonho. Jogar era a única maneira que conseguia canalizar seu carinho. O esporte era muito restrito na época. O único lugar que ensinava todos os fundamentos eram alguns clubes privados e elitistas. Mas isso não o limitou. Mesmo cru, começou a frequentar o parque Villa Lobos, no meio dos caras mais velhos. Assim conseguiu desenvolver suas habilidades. Não ter sido o profissional não é uma frustação.

Quando estava concluindo o ensino médio, foi natural seguir o caminho dos estudos. Sempre soube que queria atuar na área da comunicação. Até o segundo colegial achava que queria cursar jornalismo, pois sua mãe sempre o incentivou a ler e tinha muito gosto por isso. Já no último ano, começou a se interessar pelas campanhas publicitárias e buscar as agências que as produziam.

Decidiu assim cursar publicidade e propaganda. Na época seus pais podiam pagar Uninove. Não se importou com o fato de ser uma faculdade com menos nome. Fez com muito afinco e sempre esteve entre os melhores alunos cursos de uma maneira geral.

Não gostava de ver o pai arcando com todos os custos do seu sustento sozinho.  Mas nessa época, tinha dezoito anos e estava se alistando ao exército, por isso era difícil encontrar emprego. Surgiu a oportunidade de trabalhar como recepcionista da escola na qual fazia curso de inglês. Era um local pequeno, em um bairro próximo ao seu, mas foi a oportunidade de ganhar uma bolsa de estudo, no último semestre dos seus seis anos de curso. Foi aí que conseguiu dar os seus primeiros passos criativos. Na recepção, tinha um quadro com uma série de avisos, ele aplicou suas vivencias e deu uma cara nova ao layout. Essa experiência durou cerca de um ano.

Em seguida teve a breve experiência de trabalhar como estagiário, em uma empresa de marketing direto, fazendo entrevistas no telefone. Após isso começou a trabalhar na Gemalto, uma multinacional do ramo de tecnologia digital. O estágio se resumia a atender clientes coorporativos. Quando terminou a graduação foi efetivado e teve a oportunidade de fazer sua primeira viagem internacional, para o Chile.

Através dessa experiência, entendeu que a publicidade era algo mais lúdico e a sua atuação estava voltada para negócio e produção. Por isso, seis meses após concluir a universidade, começou a cursar uma pós-graduação em Marketing, no Mackenzie. Mesmo evoluindo, em pouco tempo, estava se dando conta que tecnologia digital não te dava tesão. Por isso se esforçou para abrir a cabeça e pensar no que realmente gostava. Não foi difícil para chegar à conclusão de que o esporte preenchia esse espaço. Resolveu investir na area. O conceito de marketing esportivo ainda era pouco falado no Brasil, na época.  A ESPM, era uma das poucas instituições que oferecia o curso.

Essa experiência foi fundamental para ele se dar conta de que precisava mudar o rumo de sua vida para ser feliz. Cadastrou seu currículo em muito sites de vaga, a procura de algo que o contemplasse. Assim surgiu a oportunidade de trabalhar na Sadia. Lá, ele receberia um salário menor, começaria a trabalhar do zero, novamente com relacionamento ao cliente. Mas mesmo assim foi. Afinal, a empresa era uma grande patrocinadora de esportes olímpicos.

Oito meses depois, descobriu que tinha uma vaga aberta na Nike. Participou de todo processo seletivo e foi contratado, recebendo um salário menor do que a empresa anterior. Apesar disso, o volume de trabalho era gigante e a responsabilidade também. Atendia os dois principais clientes da empresa: Netshoes e Centauro. Ali também ele estava a um passo do grande sonho da sua vida. Então agarrou aquela oportunidade, esqueceu do mundo e trabalhou dura para elevar o nível das contas. Deixando sempre claro para as pessoas que o seu objetivo era o marketing esportivo. As pessoas sempre riam da sua cara, quando dizia o seu desejo, pois era algo quase impossível de ser alcançado. O marketing é a parte mais almejada da empresa.

Seu instinto curioso alinhado a persistência e busca por conhecimento, permitiu que alcançasse seu objetivo. Foi fundamental ser esperto e fazer alianças com pessoas que acreditavam no seu propósito.  No dia primeiro de setembro de 2011 a batalha de cinco anos deu certo e foi promovido a coordenado de marketing esportivo de basquete. Virou o responsável pelo contato da marca com os atletas, confederação de basquete. Trajetória essa que dura sete anos e que lhe possibilitou mais algumas promoções.

O que o motivou e continuará sendo seu combustível é a família. Esse espirito determinado vieram dos seus pais que não tiveram trajetórias fáceis. A mãe, Maria Aparecida, nasceu em Januária, interior de minas gerais e trabalhou desde muito nova na roça. Precisava plantar o que ia comer e não tinha acesso a recursos básicos, como energia elétrica. Veio para São Paulo, estudou, trabalhou em um escritório de contabilidade. Venceu na vida! Seu pai, Décio, é a pessoa mais ética que conheceu em toda vida.  Homem negro, nascido em um bairro periférico, tinha todos as condições de seguir o pior caminho possível, assim como muitos amigos. Mas optou por trabalhar, primeiro na feira, depois entregando leite e por fim como condutor escolar. Seus irmãos mais novos Isabella, 20 e Rafael, 26 vieram despertar o sentimento de muito amor. Ver a evolução dos seus pais o faz querer trabalhar, para um dia devolver tudo isso a eles.

 

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