Projetos culturais transformam a periferia de São Paulo

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Clique nos ícones do mapa e, depois, nas fotografias, para assistir aos vídeos de autores do concurso “Pode Pá Que É Nóis Que Tá”

Por Ariane Freire, Isabela Noleto e Isabella Lopes

“Poder ter acesso à literatura é uma forma de enfrentamento pessoal e coletiva sobre as diferentes histórias da periferia”, Igor Xavier, ex-aluno da Escola Técnica Estadual Paulistano, localizada na Brasilândia, bairro carente da Zona Norte de São Paulo. Para ele, os textos ajudam a enfrentar a realidade tal como ela é e refletem não apenas a sua visão, mas a de centenas de jovens que são vítimas da violência todos os dias. Ele é um dos muitos escritores participantes de projetos literários desenvolvidos no ensino público ou por coletivos independentes no Estado de São Paulo, que aumentaram em número e tamanho nos últimos anos.

“Pensar no sentido da arte para as minorias sociais é uma forma da gente dizer que estamos aqui, nós existimos e vocês precisam olhar para nós”, afirma Rodrigo Ciríaco, educador, escritor, mediador de leitura e idealizador do coletivo literário Mesquiteiros, que atua na Zona Leste da capital paulista. A partir deste coletivo, surgiu o concurso Pode Pá Que É Nóis Que Tá. No começo, ele concentrava alunos de escolas públicas apenas da capital paulista e, quase todos, de regiões periféricas. Com o passar dos anos, a divulgação aumentou e outras regiões também foram contempladas com a proposta.

Entre 2013 e 2018, mais de 150 alunos de escolas públicas participaram dos concursos e tiveram seus textos publicados na antologia “Pode Pá Que É Nóis Que Tá”, volume II, III e IV – o volume I foi uma publicação interna deles.

No vídeo abaixo, você confere alguns gráficos comparativos das publicações do concurso. E para percorrer o mapa completo com as escolas e alunos que participaram, acesse o link aqui.

Idealizada em 2005 e oficializada em 2015, com a Portaria nº 5.296 que instituiu o Projeto “Academia Estudantil de Letras” nas Unidades Educacionais de Ensino Fundamental e Ensino Médio da Rede Municipal de Ensino de São Paulo.

Em São Paulo, a Secretaria Municipal de Educação apresentou, em agosto deste ano, uma lista os projetos literários que estão sendo apoiados pelo poder público. Destacam que o foco do trabalho em sala de aula se desenvolve, majoritariamente, pela leitura e sua mediação. Entre os projetos, está o concurso “Descobrir-se Autor”, da Academia Estudantil de Letras (AEL). Além de uma publicação coletiva dos textos produzidos pelos alunos, o projeto também incentiva a capacitação dos alunos para leitura e escrita, aulas de teatro e encontros culturais.

Entre os meses de agosto e outubro, atividades gratuitas também foram preparadas para o programa “Fábricas de Cultura”. Voltadas aos alunos da rede pública de ensino, elas incluíram oficinas de teatro com personagens do escritor Monteiro Lobato, extraídos de sua obra “Sítio do Picapau Amarelo”. Ministrada pela atriz Clau Siqueira, as crianças puderam desenvolver cenas inspiradas nesse trabalho, com sua própria criatividade e expressão. 

Entre outros destaques pela cidade, há muitas oficinas independentes e plurais atuando em várias regiões, como a Oficina Cultural Maestro Juan Serrano, por exemplo. Administrada pelo instituto Poiesis, conta com atividades gratuitas e abrange áreas como dança, circo, artes plásticas, música, teatro, literatura, fotografia e tecnologia.

Para quem deseja se envolver mais com a produção cultural da sua região, também vale destacar a programação cultural oferecida pelos Centros Educacionais Unificados (CEUs) da rede municipal de ensino.

Maestro Juan Serrano foi músico e regente titular da Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo. Fundou o Encontro de Orquestras Jovens do Estado de São Paulo.

 

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