Projetos literários transformam a periferia de São Paulo

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Por Ariane Freire, Isabela Noleto e Isabella Lopes

Projetos literários ganham força na rede pública de ensino e dão oportunidades para que jovens da periferia transponham estatísticas da violência e invisibilidade social. Muitas iniciativas nascem dentro das escolas e, com o passar dos anos, conseguem apoios e subsídios para dar continuidade ao trabalho em perspectivas mais amplas.

Uma das formas de conseguir financiamento para estes projetos é pelo Programa de Valorização de Iniciativas Culturais (VAI), que atua na cidade de São Paulo. Na área da educação, algumas dessas ações estão voltadas para literatura infantojuvenil, desde a organização de saraus nas escolas, até a publicação de livros escritos pelos próprios alunos. Para conhecer um pouco mais destas iniciativas, destacamos alguns dos projetos que atuam nesse mesmo campo cultural e, no mapa acima, identificamos todas as escolas que tiveram alunos participantes de um desses projetos, o concurso literário “Pode Pá Que É Nóis Que Tá”. Clicando no mapa, é possível observar as regiões com maior número de estudantes selecionados, suas localizações e quem foram os autores daquela escola.

O concurso Pode Pá começou em 2013 e concentrava alunos de escolas públicas apenas da capital paulista e, principalmente, de regiões periféricas. Com o passar dos anos, a divulgação aumentou e outras regiões também foram contempladas com a proposta. Entre 2013 e 2018, mais de 150 alunos de escolas públicas participaram dos concursos e tiveram seus textos publicados na antologia “Pode Pá Que É Nóis Que Tá”, volume II, III e IV.

No vídeo abaixo, você confere alguns gráficos comparativos das publicações de cada ano. E para acessar o mapa completo com as escolas e alunos que participaram do concurso, acesse o link: https://www.google.com/maps/d/viewer?mid=17g-tVSmKRt4Q9OpMmuVbcdl5BLIOyDzN&ll=-22.043694189538623%2C-47.46002307656249&z=6.

Em aspectos gerais da educação, o abismo entre o ensino público e privado no Brasil são absurdos em relação as oportunidades. Entretanto, trabalhos como esses tentam driblar as estatísticas e mostrar para os jovens que a realidade pode ser diferente, apesar de toda desigualdade e a ausência de políticas públicas mais eficazes.

Idealizada em 2005 e oficializada em 2015, com a Portaria nº 5.296 que instituiu o Projeto “Academia Estudantil de Letras” nas Unidades Educacionais de Ensino Fundamental e Ensino Médio da Rede Municipal de Ensino de São Paulo.

Em consulta à Secretaria da Educação de São Paulo, foram constatados poucos concursos literários para escolas da rede municipal. Em contrapartida, eles apontam que, atualmente, o foco do trabalho literário em sala de aula se desenvolve pela “leitura e sua mediação”. Entre os projetos atuais, encontramos o concurso “Descobrir-se Autor”, da Academia Estudantil de Letras (AEL). Além da publicação coletiva dos textos produzidos pelos alunos, o projeto também incentiva a capacitação dos alunos para leitura e escrita, aulas de teatro e encontros culturais.

Como forma de apoio à educação e cultura, também é organizada uma agenda literária para atender as demandas de alunos, professores e escritores durante todo o ano. Em 2018, a Secretaria Estadual da Cultura de São Paulo preparou, entre os meses de agosto e outubro, novas atividades gratuitas para o programa “Fábricas de Cultura”.

Para alunos da rede pública de ensino, algumas atividades deste ano incluíram as oficinas de teatro com personagens do escritor Monteiro Lobato, extraídos de sua obra “Sítio do Picapau Amarelo”.  Ministrada pela atriz Clau Siqueira, as crianças puderam desenvolver cenas inspiradas nesse trabalho, carregadas de sua própria criatividade e expressão.

O público ainda pode conhecer a Oficina Cultural Maestro Juan Serrano, administrada pelo instituto Poiesis. As atividades são gratuitas e abrangem áreas como dança, circo, artes plásticas, música, teatro, literatura, fotografia e tecnologia. Para quem deseja se envolver mais com a produção cultural da sua região, ainda tem a programação cultural oferecida pelos Centros Educacionais Unificados (CEUs) da rede municipal de ensino.

Maestro Juan Serrano foi músico e regente titular da Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo. Fundou o Encontro de Orquestras Jovens do Estado de São Paulo.

Em uma gestão ideal de políticas públicas, é importante não apenas “dar voz” para os produtores culturais, mas também subsidiar, incentivar e construir novas propostas que atravessem a invisibilidade de uma cultura que está sempre às margens da sociedade em prol do mercado, da indústria e do capital.

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