O que muda quando famosos assumem sua homossexualidade?

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REPORTAGEM: Felipe Augusto de Souza

Ainda estamos no mês de junho, e além das festas de São João, outros significados existem para a comunidade LGBT. No Brasil e no mundo é comemorado o Orgulho LGBT+. Na cidade de São Paulo, empresas como Uber e Google apoiam a causa e desfilam seus carros alegóricos com personalidades como Anitta, Gloria Groove e outros em prol do amor e da diversidade.

Na avenida mais famosa da cidade de São Paulo, Pabllo Vittar fez seu palco e esteve presente na Parada do Orgulho LGBT – 2018. A cantora é uma das faces mais famosas da música pop brasileira e representa uma das caras mais corajosas desse país, uma vez que, meninas como ela são as primeiras a apanhar por pessoas preconceituosas e despreparadas para lidar com a questão LGBT.

Esse espaço conquistado pela cantora não aconteceu de forma fácil, foi preciso que o lugar fosse  conquistado e algumas marcas têm contribuído para que isso pudesse acontecer. Nos últimos meses, na Casa Francisca, no centro de São Paulo, a Levi’s, marca de roupas destinadas ao público jovem-classe-média, convidou diversos artistas para todos os finais de semana, fazerem um pocket show para os convidados e debater sobre essas questões.

Os artistas que se apresentaram eram todos LGBTS dos mais diversos cantos da cidade, eles utilizam suas músicas como “grito” de representatividade, socorro e direitos. Para Indrya Nieri, assessora de comunicação da Lema, Agência que trabalha com influenciadores, o evento teve como objetivo “dar visibilidade à causa”. “Acredito que as marcas não só estão mais abertas a isso como elas buscam isso. Elas entendem o que aquele artista representa, o que ele transmite para o público e tem interesse em vincular essa imagem”.

Além da importância da visibilidade, também é preciso incorporar uma atitude confrontativa diante de um país tão violento como o Brasil. O Grupo Gay da Bahia (GGB) realiza todos os anos um levantamento de dados para calcular a quantidade de mortes de LGBTS no país, e no ano passado (2017), houve um crescimento de 30% em relação a 2016, e foi considerado o mais alto dos últimos 38 anos, três vezes maior do que o observado há 10 anos, quando foram identificados 142 casos.

E segundo matéria publicada pela EBC, no início de 2018, “Das 445 mortes registradas em 2017, 194 eram gays, 191 eram pessoas trans, 43 eram lésbicas e cinco eram bissexuais. Em relação à maneira como eles foram mortos, 136 episódios envolveram o uso de armas de fogo, 111 foram com armas brancas, 58 foram suicídios, 32 ocorreram após espancamento e 22 foram mortos por asfixia. Há ainda registro de violências como o apedrejamento, degolamento e desfiguração do rosto”.

Para a transperformer, Vitta Pereira, 21, “a pauta LGBT+ precisa ser mais discutida”. “Uma transsexual, ela não sofre violência apenas no trabalho, ela é agredida no trajeto. Vivemos em uma sociedade transfóbica! Estar em um transporte público, por exemplo, é ser agredida com os olhares, risadas e piadinhas”.

A artista comenta que muito se dá ao estranhamento do corpo. “As pessoas não compreendem um corpo diferente, elas não entendem o que é ser transxessual, travesti, homem trans, não binário e etc. Isso se dá muito pela não discussão, pela falta do olhar para educação, debater isso em sala de aula”.

Enquanto o assunto ainda é pouco debatido nas escolas, empresas como a Uber utilizam sua popularidade em apoio a causa. “A Parada é um momento em que nos unimos pelo mesmo ideal: a igualdade. Não importa se você está no banco da frente ou no banco de trás, fora ou dentro do carro. Para irmos adiante, precisamos estar juntos”. Vale ressaltar que a Uber está apoiando a parada gay em várias outras cidades do país, do sul ao norte do país, com artistas relevantes do cenário musical.

Apesar dos -muitos- preconceitos, esse é um momento muito relevante para a comunidade mais colorida do mundo. “É o momento de ocupar espaços. A voz e a arte desses artistas já foi calada diversas vezes de alguma forma e ter uma espaço junto a uma grande marca para poder, mais do que vender, falar sobre uma causa, sobre pessoas e sobre lutas, é bem relevante”, finaliza Indrya.

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