Apps prometem ajudar a controlar sua ansiedade

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Aplicativos com vídeos e meditação online se tornam calmantes para as horas de crise

REPORTAGEM: Anna Beatriz Vanzetto e Isabella Sedano 

Pensando nas pessoas que sofrem diariamente com crises de ansiedade, foram desenvolvidas plataformas digitais que permitem que usuários entendam o funcionamento da doença, vejam como ela se manifesta e como afeta o seu cotidiano. Os aplicativos, além de identificar situações que deixam a pessoa ansiosa, podem ajudar a reduzir as crises em situações futuras.

Um exemplo desses apps é o “Querida Ansiedade”, que, apenas no ano de 2017, teve 2,25 milhões de downloads. A novidade chamou atenção no Brasil por contemplar várias ferramentas direcionadas para esse público.

 

 

 

 

 

 

 

 

A estudante de psicologia Millena Knox passou a utilizar a plataforma assim que soube de sua existência. “Sou diagnosticada com ansiedade e faço acompanhamento, até por conta do curso que eu escolhi. Achei o aplicativo uma forma de complementar o tratamento que já faço e ajudar em eventuais crises.”

Um aplicativo similar é o “Self-Help Anxiety Management” (SAM). Ele foi desenvolvido pela Universidade Do Leste de Londres, na Inglaterra, e possui algumas funcionalidades mais avançadas. Com o SAM, é possível mapear suas crises, os motivos que o deixam ansioso e os sintomas que você teve ao sentir-se mal. Apesar do aplicativo sem em inglês, ele tem sido usado por brasileiros.

Em comum, os dois possuem diversos exercícios para acalmar e tirar o foco do usuário durante um dos surtos. Os exercícios incluem meditação, escritas terapêuticas, vídeos relaxantes e alguns textos reflexivos.

 

 

 

 

 

 

 

 

A tela inicial de ambas plataformas é bem simples, possui linguagem fácil e um botão para quem está precisando de ajuda rápida para enfrentar uma crise. O diferencial do SAM é que ele possui uma espécie de chat que se baseia nas necessidades e respostas dos usuários para designar atividades específicas que ajudam a acalmar cada pessoa em particular.

Apesar do sucesso que está fazendo entre os usuários, a efetividade das plataformas tem sido questionada. A psicóloga e professora Marcia Sniesko, da Anhanguera, explica o processo de entendimento da ansiedade pela pessoa que a possui. “Na terapia, na medida em que você se abre, coloca seus problemas e mostra como você entende suas próprias questões. Eu, como terapeuta, vou buscando relacionar acontecimentos que expliquem o processo da ansiedade. A base da psicanálise é o autoconhecimento, então entender todos os processos que desencadearam a ansiedade é essencial para o início do tratamento.”

Segundo a psicóloga, buscar um conhecimento básico e externo sobre o assunto nos apps é válido, porém usá-los como forma de tratamento é ineficaz. “Se fosse fácil assim conseguir resolver todos os nossos problemas, nós buscaríamos informação e tudo ficaria bem. Não é assim que funciona. O ser humano é complexo, delicado e precisa entender claramente como aquilo foi construído dentro dele. As dicas e informações são boas, porém não podem ser vistas como tratamento pois não há eficácia a longo prazo. Acredito no processo de autoconhecimento e no trabalho de um psicólogo. ”

Apesar da tecnologia não ser um meio de tratamento ideal, os aplicativos podem ajudar aqueles que não procuram apoio profissional.

“Tento praticar a meditação guiada todos os dias, através do “Querida Ansiedade”. As técnicas que o aplicativo oferece me ajudam a manter a calma e driblar a ansiedade. Prefiro que esse seja um adicional ao meu tratamento. Tomo remédios, mas nem sempre consigo correr para um consultório em momentos de crise”, diz Millena Knox.

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