Busca por tratamento psiquiátrico é 62,5% maior entre jovens LGBT

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REPORTAGEM: Isabella Mariano e Júlia Assef

O número de jovens homossexuais com algum transtorno psiquiátrico é de 40% enquanto a taxa entre jovens heterossexuais é de 20%, de acordo com pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Campinas em 2012. Além disso, a busca por serviços de saúde mental é de 62,5% entre eles. A causa principal identificada envolve problemas com a homofobia na família.

Para a psiquiatra Vanessa de Albuquerque Citero, do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo, não existe um perfil padrão para o homossexual com depressão. Mas há em comum a questão da aceitação familiar e dos colegas.

Alexandre Terra*, de 23 anos, foi diagnosticado com a doença assim que se assumiu para a mãe. Relata que apesar dela ter sempre desconfiado e, por isso, dito que  que ele poderia se assumir, o relacionamento dos dois mudou muito após isso.

Ela chegou a levá-lo à psicóloga acreditando que a homossexualidade poderia ser “curada”. A profissional tentou fazer uma reconciliação que foi negada pela mãe e o aconselhou a escrever sobre o que sentia. Hoje, apesar dos dois se falarem, a mãe é totalmente controladora com seus horários e com quem anda. Além dela, toda a família, que é evangélica, também faz ataques à comunidade LGBT+ gratuitamente.

“Para mim é muito difícil e isso acaba sendo gatilho para minha depressão. Imaginar que eu não posso ser quem sou por que as pessoas acham que um “livro antigo” tem mais valor do que a pessoa que eles conhecem por 23 anos”, diz Alexandre.

Laura Alcantara*, de 20 anos, teve seu primeiro relacionamento com uma mulher aos 16 anos. Sua mãe logo desconfiou e perguntou se estava acontecendo algo. No início a família aceitou, mas com o tempo os ataques começaram: mandaram-na ir morar com a namorada e, segundo Laura, começaram a sentir nojo dela.

O desgaste psicológico pelo qual passou quando estava nesse relacionamento a fez mentir para a familia, dizendo que era heterossexual. Mas a mãe continuou a persegui-la. Em 2016, Laura mudou de cidade e lá começou outro relacionamento com uma mulher, que eventualmente também foi descoberto pela sua mãe que a proibiu de voltar para a casa.  Disse que preferia uma filha drogada ou psicopata do que lésbica.

Hoje, Laura voltou para a casa dos pais, mas evita o conflito, apesar do clima pesado que permanece. Recentemente começou a fazer terapia.

“Acabo sentindo que, se eu quiser mesmo ter uma relação séria com uma menina, não poderá ser dentro da minha casa. E só com muito tempo e com bastante dificuldade eu vou poder fazer a relação ser aceita dentro do meu núcleo familiar.”

A depressão é uma doença que desequilibra a bioquímica cerebral, pode atingir pessoas de todas as idades e exige a avaliação de um profissional. Vanessa Citero dá ênfase à importância da procura de ajuda médica, pois o que o paciente julga apenas um momento de tristeza ou revolta na verdade podem ser os primeiros sinais de doença. Além deles, também surgem cansaço extremo, fraqueza, irritabilidade, insônia e desânimo para realizar atividades corriqueiras.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza atendimentos gratuitos 24 horas por telefone (188) ou via chat (www.cvv.org.br). No site, é possível encontrar uma área para mandar cartas ou ter atendimento presencial por um dos voluntários.

*Nomes fictícios para proteger as identidades dos entrevistados.

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