Jovens com down entram no mercado de trabalho

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Por Paula Zarif

“Eu sirvo, abraço, beijo e até tiro foto, o importante é demonstrar carinho”. É assim que Luiza Camargo, de 19 anos, explica o seu trabalho no Chefs Especiais Café. No espaço, ela e outros três funcionários, todos com Síndrome de Down, atendem um sem fim de clientes curiosos para conhecer o local e experimentar as delícias oferecidas.

Por lá, tudo foi pensado com o mesmo carinho que a Luiza oferece para os clientes. Na parede, o menu oferece respeito e inclusão e os funcionários fazem questão de conversar com cada curioso que para por ali. A localização, na  rua Augusta, também tem motivo: “Aqui tem todo tipo de tribo, todo tipo de gente. É o lugar perfeito para inclusão, então quis trazer a minha tribo pra cá também”, explica Simone Berti, fundadora do espaço.             

Menu do café/ Foto: Reprodução Facebook

                   

O trabalho de Simone e do marido, Marcio Berti, começou em 2006, quando eles abriram o Instituto Chefs Especiais, que oferece aulas de gastronomia gratuitamente para os portadores da síndrome. O café foi criado em comemoração aos 11 anos do instituto e funciona também para abrir portas em um mercado que ainda sofre com o preconceito.  

Hoje, na maior parte das empresas, o que garante a permanência de funcionários com down ou alguma outra deficiência são as cotas. Pela lei, empresas  com 100 funcionários ou mais devem ter uma porcentagem de funcionários com deficiência.

Na ânsia de preencher essas vagas acaba sendo deixado de lado o cuidado necessário para contratar alguém. Não basta apenas colocar a pessoa dentro do ambiente de trabalho, é preciso, assim como com qualquer outro funcionário, estabelecer um momento de aprendizado e para entender as dificuldades.

As empresas, devem ter o cuidado de respeitar o tempo de aprendizado do novo funcionário, mas sem esquecer de que ele também deve ser repreendido quando estiver errado. O medo de errar faz com que esses funcionários acabem com funções “simples” ou sem importância, como se, de fato, estivessem ali apenas para preencher cotas.

No portal Movimento Down (http://www.movimentodown.org.br/trabalho/inclusao-no-mercado-de-trabalho/)  empresas e famílias encontram muitas dicas de como lidar com a entrada do jovem com down no mercado de trabalho. O ponto principal é sempre a conversa: com a família, com o jovem e com os outros funcionários do espaço.

Simone explica que isso é fundamental porque a família é um dos grandes empecilhos quando os jovens vão começar a trabalhar. Os pais já sabem quais são os hábitos e a forma de conviver com o jovem e acabam tendo medo de soltar ele em um novo ambiente.

Pensando nisso, o café acaba funcionando como um “estágio”.É um ambiente seguro para os jovens com down aprenderem a lidar com o público. Ao mesmo tempo, quem entra ali já sabe que não é um “cafezinho rápido” e que terá uma experiência diferente de em outros locais.

Luiza durante o trabalho no café/ Foto: Reprodução Facebook

  Mesmo assim, se engana quem pensa que isso deixa o dia a dia mais fácil. Por lá o trabalho está longe de ser facilitado para os funcionários com Down. Além de se destacar nas aulas do instituto, eles precisam passar por cursos de capacitação antes de poder servir no café. Entre risadas, Camila Yumi, 22 anos, comemora que passou por todas as etapas: “Gosto de trabalhar aqui porque posso conversar e fazer tudo com carinho”.

Para quem não tem afinidade com a cozinha, todas as etapas podem ser vividas através do programa Serviço de Formação e Inclusão no Mercado de Trabalho. A iniciativa da Fundação Síndrome de Down mostra, passo a passo, como o jovem deve se comportar, estabelecer uma rotina para, enfim, se inserir oficialmente no mercado. No fim, a fundação oferece ajuda para encontrar um emprego formal. 

De acordo com a fundação, “trabalhar é, na nossa sociedade, uma das principais vias de entrada no mundo adulto, além de ser um importante passo em direção à independência”.  Wagner Vicente, 36 anos tem sentido isso todos os dias, já que além de chef,ele  se apresenta como fotógrafo e dançarino. Mas o melhor mesmo é a oportunidade que o café traz: “É bom fazer parte de algo”, conta.

O Chefs Especiais Café fica na rua Augusta, 2559. Para conhecer mais, acesse: https://www.chefsespeciaiscafe.com.br/

 

 

 

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