Sâmia Bomfim, a vereadora mais jovem de São Paulo

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Como foi o primeiro ano de mandato da candidata eleita pelo Psol e as expectativas para o futuro

Por Gabriela Fogaça

Jovem, feminista e combativo. É assim que a mulher mais jovem na história da cidade de São Paulo a se tornar vereadora define seu mandato. Sâmia Bomfim, de 28 anos, foi eleita em 2016 com 12,5 mil votos. Filiada ao Partido Socialismo e Liberdade (Psol), ela é uma das 11 mulheres que ocupam o cargo na Câmara Municipal de São Paulo.

Nascida em Presidente Prudente, a vida de Sâmia sempre foi permeada pelo engajamento político e pela defesa dos direitos sociais. Formada em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), Sâmia entrou na militância durante a época de faculdade, integrando o Centro Acadêmico de Letras e o Diretório Central dos Estudantes Alexandre Vannucchi Leme da USP, participando das manifestações de junho de 2013 e atuando no movimento feminista. Para a vereadora, o ingresso na política é uma continuidade de sua militância.

Dentre as bandeiras levantadas por Sâmia, está o feminismo. Em março, a vereadora realizou a CPI da Violência Contra a Mulher e, durante seu mandato, apresentou mais de 10 projetos que buscaram ampliar o direito das mulheres. Entre eles, a lei 16.684/17 foi aprovada, obrigando estabelecimentos públicos e privados a afixarem placas informativas sobre o Disque 180 – Central de Atendimento à Mulher. Para Sâmia, “a luta das mulheres por direitos têm se fortalecido no Brasil nos últimos anos e esse é um processo irreversível”. Ainda assim, a representação política feminina no cenário brasileiro é pequena, compondo um pouco mais de 10% dos cargos públicos. “Além de tentar implementar medidas novas, temos tido que lutar demais para impedir retrocessos, especialmente a retirada de verbas já destinadas às políticas públicas de atendimento à mulher”, acrescenta.

A luta por uma educação de qualidade, que promova a inclusão social e a diversidade também é uma pauta central no mandato da vereadora. “É necessário pensar um ensino que forme cidadãs e cidadãos críticos e respeitosos da diversidade”. Outro ponto importante de sua plataforma é a valorização do professor, na remuneração e nas condições de trabalho, como “fomentar metodologias democráticas de debate e de decisão entre comunidade escolar, pais, mães e alunos, além de defender o caráter plenamente público da educação em todas as esferas”.

“É necessário pensar um ensino que forme cidadãs e cidadãos críticos e respeitosos da diversidade”

Nesse sentido, Sâmia se posicionou contra o Escola Sem Partido, projeto de lei liderado pela bancada evangélica, que visa combater a chamada doutrinação política e ideológica nas escolas. O texto proíbe o uso da palavra ‘gênero’ e da expressão ‘orientação sexual’ em sala de aula. Assim, o debate sobre os direitos da comunidade LGBT e de temáticas relacionadas à mulher estariam em xeque. Para a vereadora, o papel da educação na promoção dos direitos humanos, que luta contra a LGBTfobia, o machismo e o racismo, é fundamental. “É importante educar para a diversidade, para o respeito e também para o autoconhecimento e autocuidado de todos”, comenta.

O público jovem se identifica com a gestão da Sâmia, pela linguagem usada nas redes sociais e, também, pela idade da vereadora e de sua equipe. Ainda assim, ela tenta dialogar com pessoas de todas as faixas etárias, sempre em busca da defesa dos direitos de todos e todas. Um exemplo disso foi a oposição ao Sampaprev, um novo modelo de gestão previdenciária apresentado pelo então prefeito, João Dória. “Nessa ocasião, abrimos o diálogo com muitos aposentados, além de trabalhadores da ativa”. O mandato na rua também é algo diferencial em seu mandato e estabelece um debate com a população. “Busco sempre estar na rua para mostrar que, embora eu seja política, sou antes de tudo uma trabalhadora, uma cidadã, uma ativista como todos”.

O futuro pede coragem

Lançamento da pré-candidatura de Sâmia Bomfim a deputada federal. Foto: Reprodução/Facebook

Recentemente, Sâmia lançou a pré-candidatura a deputada federal. Sua trajetória de assumir posturas concretas em questões polêmicas, como a legalização do aborto e da maconha, e sua forte oposição à política tradicional vêm chamando a atenção dos eleitores.

“A luta é difícil, mas o engajamento crescente da população é muito importante para nos dar força”

Para a campanha que se aproxima, Sâmia tem boas expectativas. “Independentemente do resultado, acredito que poderemos envolver muitas pessoas em um engajamento coletivo, em um movimento pela transformação e pela radicalização da defesa dos direitos”.

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