O relacionamento abusivo que eu nunca percebi

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Por: Ana Luiza Menechino

Eu era uma mulher meio sozinha e quando mudei de cidade para estudar, senti isso ainda mais forte na minha pele. Apesar da solidão, ela não era de todo ruim! Estar sem ninguém ao seu lado tem seus momentos bons e ruins, principalmente em um domingo melancólico em casa. Posso dizer que, apesar de tudo, me sentia completa! Nada me faltava e um relacionamento não mudaria a pessoa que eu era.

Nunca tinha namorado, e quando você nunca esteve em um relacionamento, fala e imagina várias coisas que na verdade não acontecem dentro dele. As outras vezes que me envolvi duraram poucos meses e não era nada que tivesse nome ou definição.

Até que comecei a sair com uma pessoa incrível e que parecia que havia sido feito para estar na minha vida naquele momento. No começo, era só alegria e tudo era motivo para pensar que aquilo duraria para sempre e era o início de um namoro feliz.

Entretanto, como dizem os clichês “nem tudo é o que parece”. Quando o nosso relacionamento realmente tornou-se um namoro, as coisas começaram a mudar e a minha “companhia para a vida toda” começou a mudar sua personalidade.

Os dias ficaram mais tristes, os encontros diminuindo e o afeto desaparecendo. As cobranças só aumentavam e começaram a surgir “proibições”. “Eu preferiria se você não fosse”, “eu quero ir sozinho, fica aqui em casa até eu voltar”, “por que você quer ir na festa? Me deixa sozinho com meus amigos” e outras frases que tentavam me barrar de fazer o que eu queria tornaram-se rotineiras.

No começo aceitei e achei que aquilo era preocupação comigo, apesar de não aceitar e concordar com algumas coisas, fazia o gosto dele por muitas vezes no final. Entretanto, nada do que eu fazia era suficiente, nunca. Sempre tinha algo que eu estava fazendo errado e isso já era motivo pra brigas.

A primeira coisa que começou a me incomodar e mostrar que eu não estava em um relacionamento saudável para a minha mentalidade foi que eu era sempre a errada. Não importa o que tinha acontecido, de alguma forma a culpa viria para mim. Foram meses mudando a minha personalidade para tentar agradá-lo, e nunca era o suficiente. Fazia o máximo de esforço para estar com ele e nada era reconhecido. A manipulação e o abuso estavam dando tão certo que comecei a achar que o problema era comigo.

A partir desse momento, você acha que nunca vai conseguir viver sem aquela pessoa e que ela é boa demais, dessa forma, você nunca poderia encontrar alguém igual que pudesse te amar tanto. Mas nada daquilo era amor.

Em um certo dia, ele começou a agir de uma maneira estranha e nada tinha acontecido, na minha cabeça. Ao questionar o porquê, as respostas eram sempre “eu quero um tempo pra mim”, “você não me dá espaço” e outras coisas que, novamente, reforçavam que o erro era meu.

Foi mais um mês tentando fazer aquele relacionamento dar certo e mostrando que eu estava disposta a mudar, ainda mais, para estar com ele, e tudo que recebia era negação. Em um dia, após uma semana chorando e quase sem comer (emagreci 15 kg na época), resolvi que colocaria um fim naquilo que estava, literalmente, tirando a minha vida e alegria.

Ao tomar essa decisão e falar que achava que o melhor a fazer era terminar, ouvi que “eu estava louca e iria me arrepender”. Mantive minha escolha. Apesar do namoro ter acabado, eu não estava bem, continuei chorando e sem comer por semanas. Demorou pouco mais de um mês, mas eu finalmente “caí na real”.

Quando o tempo passou e percebi a pessoa que eu havia me tornado, sem a influência dele, comecei a entrar em desespero com tantas coisas erradas. Tudo que eu gostava, eu não fazia mais, comecei a me adaptar aos gostos dele e me afastei de todos os meus amigos. Além de não acreditar mais em mim, pois ele havia destruído a minha autoestima.

As maiores lições que tiro desse relacionamento são que nunca, em hipótese alguma, devemos mudar nossa personalidade por alguém. Nunca deixar o outro ser maior que nós dentro da gente. Na vida, muitas coisas vão mudar e quase tudo é passageiro, portanto nunca deixei de lado as coisas que você acredita para tentar conquistar um outro alguém. Isso é uma relação abusiva.

Hoje volto ao início do texto na parte solitária, porém muito mais feliz e aliviada de perceber que sai de algo que me fez mal por tanto tempo. Sou a pessoa que sempre quis ser, sem ele ao meu lado para me diminuir.

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