Eleições 2018 – O perfil dos presidenciaveis

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Por Barbara Bastos e Giovana Costa

Com a recente prisão de Lula, a esquerda e mais especificamente o PT, sofrem uma defasagem na corrida às eleições de 2018. Agora, sem um candidato forte como o ex-presidente, a esquerda se divide entre Guilherme Boulos do PSOL e Manuela D’avila do PCdoB. Enquanto isso, a direita se fortalece com os discursos de ódio e com a “vitória” no caso Lula. Com personalidades como Ciro Gomes (PDT), Fernando Collor (PTC), Jair Bolsonaro (PSL) e Rodrigo Maia (DEM), a decisão dos brasileiros frente à escolha da presidência fica limitada.

Durante as Eleições Gerais 2018, os votantes vão eleger além do presidente da República, governadores dos Estados, dois terços do Senado Federal, deputados federais e deputados estaduais ou distritais. A quatro meses para o início do registro das candidaturas, já existem diversos pré-candidatos ao Palácio do Planalto. De acordo com o calendário oficial, aprovado pelo Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o pleito de 2018 ocorrerá dia 7 de outubro, e dia 28 de outubro no caso de segundo turno.

A expectativa é que o país consiga reerguer a frágil democracia que sustenta nos dias de hoje. Devido a tantas denúncias polêmicas e inúmeros escândalos de corrupção, o que se percebe é que a população já não se identifica com a política brasileira atual, como afirma a dona de casa Denise Faria, “o país enfrenta uma forte crise de identidade, por onde se olha, os chamados “caciques” e os grandes nomes da política brasileira estão encurralados em seus próprios interesses; tentando salvar um pouco da sua respeitabilidade,  dentro de um cenário cada vez mais obscuro”.

A escolha de um novo presidente traz a esperança de uma mudança concreta e indispensável para a recuperação dos direitos da população. Os antigos candidatos que já estiveram em eleições passadas não despertam tanta esperança nos votantes, como afirma a designer Juliana Almeida: “Até então, não estou satisfeita com as opções de candidatos, acredito que o Brasil precisa de candidatos honestos e novos nomes na política. Além disso, estão tratando a democracia como um grande circo, já não respeitam o direito do voto como antes”. Já Letícia Alves que é estudante e irá votar pela primeira vez nessas eleições, afirma que exercer o voto num momento de tanta incerteza pode ser bem complicado: “sendo minha primeira votação e tendo em vista a atual situação política no Brasil, escolher em quem votar é difícil”.

Essa dificuldade fica evidenciada, segundo a doutora em Administração Pública e Governo na FGV, Natália Fingermann, pela crise política que não influência somente na escolha dos candidatos, mas também na participação popular. Por não ter confiança na democracia atual,”as pesquisas indicam que cerca de 30% dos eleitores preferem hoje não votar ou votar em branco ou nulo”. Para Fabiano Duarte, cientista político, isso evidencia “a ausência de credibilidade do sistema político”, já que o povo está a cada ano mais descrente com as opções de candidatos.

Abaixo, você pode conferir um mapa mostrando da onde vem esses candidatos e seus respectivos perfis políticos.

 

 

Lula (PT)

Ex-metalúrgico, ex-sindicalista, co-fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) e ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, 72, mais conhecido como Lula, nasceu em Garanhuns no sertão de Pernambuco. Filho de pai e mãe analfabetos, se tornou suplente na diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, em 1969. Seis anos depois, foi eleito presidente do sindicato e em 1978 ganhou popularidade quando comandou as primeiras greves de metalúrgicos do regime militar.

Lula foi o único presidente do Brasil nascido em Pernambuco e bateu um recorde histórico de popularidade no país, de acordo com pesquisa do Datafolha em 2010 (83% dos brasileiros adultos avaliaram sua gestão como ótima ou boa). Dentre os feitos de seu governo estão os programas sociais que tiveram grande impacto no país, como “Fome Zero” e “Bolsa Família”, reconhecidos pela ONU por possibilitarem a saída do Brasil do mapa da fome. Em 1982, Lula participou das eleições para o governo de São Paulo e perdeu. Nas eleições de 1989, foi para o segundo turno com Fernando Collor de Mello, candidato do PRN, que ganhou recebendo apoio de empresários e também dos meios de comunicação. Apesar da derrota em 1989, Lula manteve sua liderança no PT até 1994 quando voltou a candidatar-se à presidência e foi novamente derrotado, ainda no primeiro turno, dessa vez pelo candidato do PSDB, Fernando Henrique Cardoso. Em 1998, Lula saiu pela terceira vez derrotado até que favorecido pelas deficiências administrativas do governo de Fernando Henrique,  quando em 27 de outubro de 2002 Lula foi eleito presidente do Brasil. Em 29 de outubro de 2006, Lula foi reeleito no segundo turno, vencendo o ex-governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin do PSDB.

Lula foi lançado como pré-candidato do partido, porém como foi condenado em segunda instância a 12 anos e um mês e foi preso, pela acusação de receber propina da empreiteira OAS, ainda existem dúvidas sobre sua candidatura. Como não foram apresentadas provas concretas, os apoiadores da campanha de Lula duvidam das acusações e acreditam que a acusação tenha sido meramente perseguição política.

Guilherme Boulos (PSOL)

Político, professor, escritor e membro da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Castro Boulos, 36, lançado pelo PSOL, é um dos principais candidatos que representam a esquerda no Brasil. Nascido em São Paulo e filho de Marcos Boulos, coordenador de Controle de Doenças da Secretaria de Saúde do governo de SP e um dos principais infectologistas do país, Boulos é professor de Medicina da Universidade de São Paulo, se formou em filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e entrou no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MSTS) em 2002.

Devido às ocupações e reintegrações de posse nas quais participou, ele afirma que já foi preso diversas vezes. Ficou conhecido popularmente durante em 2003, quando participou da coordenação da ocupação de um terreno da Volkswagen, em São Bernardo do Campo. Ele afirma que pretende enfrentar interesses poderosos com a sua candidatura, combatendo os privilégios da população mais rica.

Participou da resistência durante a prisão do ex-presidente Lula em abril deste ano e durante o discurso de Lula, Boulos foi apoiado: “É um companheiro da mais alta qualidade e vocês têm que levar em conta a seriedade desse menino (…) Você tem futuro, meu irmão. É só não desistir nunca”.

Manuela D’Avila (PCdoB)

Manuela Pinto Vieira d’Ávila, 36, nasceu em Porto Alegre, é formada em jornalismo pela PUC-RS e filiada ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Manuela começou sua carreira política no movimento estudantil. Na história de Porto Alegre, foi a vereadora mais jovem. Foi deputada federal pelo Rio Grande do Sul entre 2007 a 2015 e líder de seu partido na Câmara dos Deputados, em 2013.

É investigada ao lado de outros políticos por uso de cota parlamentar na emissão de passagens aéreas para terceiros durante o período em que era deputada federal. Ela afirma já houve pedido de arquivamento em um dos casos, além de decisões favoráveis aos réus.

Atualmente exerce o mandato de deputada estadual em seu estado, o Rio Grande do Sul. Seus objetivos são a retomada do crescimento econômico, defesa e ampliação dos direitos, reforma do Estado, valorização do trabalho e desenvolvimento aliado a distribuição de renda. Com o lançamento de Manuela, esta será a primeira vez que o PCdoB lançará um candidato próprio desde a redemocratização de 1988.

Ciro Gomes (PDS)

Ciro Ferreira Gomes, 60, nasceu na região do Vale do Paraíba, em Pindamonhangaba. É formado em direito pela Universidade Federal do Ceará e ingressou na vida política em 1982, filiando-se ao Partido Social Democrático (PDS). Eleito deputado estadual Do Ceará, Ciro trocou o PDS pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), em 1983. Ele reelegeu-se em 1986, quando mudou para o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Em 1998 e em 2002, Ciro concorreu à Presidência da República, ambas as vezes pelo Partido Popular Socialista (PPS). Derrotado por Lula, foi nomeado seu ministro da Integração Nacional, entre 2003 e 2006. Deixou o cargo para se candidatar à Câmara dos Deputados, onde permaneceu por um mandato, até 2011, pelo PSB. Teve uma curta passagem pelo Partido Republicano da Ordem Social (PROS), entre 2013 e 2015, e, atualmente, está filiado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), do qual é vice-presidente e pré-candidato à República.  

Foi o 43º Prefeito de Fortaleza e o 52º Governador do Ceará e Ministro da Fazenda do Governo Itamar Franco durante a implantação do Plano Real e Ministro da Integração Nacional durante o projeto de transposição do rio São Francisco no governo de Lula. Foi professor de direito tributário e direito constitucional e escreveu três livros na área de economia política: “No País dos Conflitos” (1994); “O Próximo Passo – Uma Alternativa Prática ao Neoliberalismo” (1995), em parceria com o professor de Harvard Roberto Mangabeira Unger; e “Um Desafio Chamado Brasil” (2002).

Ciro acumula pelo menos 80 processos de indenização ou danos morais no Ceará. De acordo com um levantamento feito pelo jornal “O Povo”, com base em informações divulgadas pelo Tribunal de Justiça do Ceará (TJ-CE), essas ações foram movidas devido a discussões políticas em entrevistas e palestras e forma movidas por seus adversários políticos.

Marina Silva (Rede)

Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima, 60, é formada em história pela Universidade Federal do Acre e nasceu no Seringal Bagaço, no Acre. Iniciou sua carreira política em 1984 como vice-coordenadora da Central Única dos Trabalhadores no Acre. No ano seguinte, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT). Fundadora da CUT (Central Única dos Trabalhadores) no Acre, ao lado de Chico Mendes, Marina co-liderou o movimento sindical no Estado. Em 1988, já integrada ao PT, foi eleita como a vereadora mais votada para a Câmara Municipal de Rio Branco. Nas eleições de 1990, foi eleita deputada estadual, enquanto nas eleições gerais de 1994, foi eleita senadora, aos 36 anos, tendo sido reeleita no pleito de 2002. Nomeada Ministra do Meio Ambiente no governo de Lula em 2003, ficou no cargo até maio de 2008.

Foi candidata à Presidência da República em 2010 pelo Partido Verde (PV), obtendo a terceira colocação no primeiro turno, com mais de 19 milhões dos votos. Foi novamente candidata em 2014 pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), ficando novamente em terceira colocada com mais de 22 milhões de votos.

Alvaro Dias (PODE)

Álvaro Fernandes Dias, 73, é formado em história pela Universidade Estadual de Londrina e nasceu em Quatá, em São Paulo. Filiado ao Podemos (PODE), exerce atualmente o cargo de Senador da República Federativa do Brasil, representando o Estado do Paraná.

Alvaro começou a carreira política no extinto Movimento Democrático Brasileiro (MDB), antecessor do PMDB, e já esteve, entre outros, no PSDB (entre 1994 e 2001 e entre 2003 e 2016) e no Partido Verde (PV), que acaba de deixar.  De 1987 a 1991, foi governador do Paraná, à época pelo PMDB. Na década de 1970, foi deputado federal por três legislaturas e, antes, foi vereador de Londrina (PR) e deputado estadual no Paraná. É autor do projeto que propõe o fim do foro especial por prerrogativa de função, conhecido como foro privilegiado, que tramita atualmente no Supremo Tribunal Federal. Entre seus objetivos estão a renovação da política e da participação direta do povo nas decisões do país por meio de plataformas digitais.

Jair Bolsonaro (PSL)

Jair Messias Bolsonaro, 63, é o militar candidato do Partido Social Liberal (PSL) para presidência. De Campinas, São Paulo, atualmente, ele cumpre seu sétimo mandato na Câmara dos Deputados, sendo o candidato federal mais votado do Rio de Janeiro com 6% dos votos.

Considerado pelo instituto FSB Pesquisa o parlamentar mais influente nas redes sociais em 2017, Bolsonaro é conhecido nacionalmente (e até internacionalmente) por sua posição conservadora. Entre discursos de ódio às mulheres, negros, LGBTs, críticas à esquerda e apoio à ditadura militar e à tortura, ele acumula 30 pedidos de cassação e três condenações judiciais.

Suas propostas, que ainda esperam aprovação do PSL, seguem nessa linha conservadora. Entre elas: política de planejamento familiar, política de proteção à família, revogação total do estatuto do desarmamento, redução da maioridade penal; além disso, o deputado se manifestou contrário à cotas, ao exame da OAB, à Comissão da Verdade e a favor do trabalho forçado nos presídios, entre outros.

Geraldo Alckmin (PSDB)

Pelo PSDB, o candidato é Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho, 65, um de seus fundadores. O político, formado em Medicina pela Universidade de Taubaté, iniciou sua carreira em sua cidade natal Pindamonhangaba, onde foi vereador, presidente da Câmara dos Vereadores e prefeito. Depois, foi o político que governou São Paulo por mais tempo, desde a redemocratização do Brasil, entre 2001 e 2006 e de 2011 a 2018.

É a segunda vez que Alckmin renúncia do governo paulista para concorrer à presidência. A primeira vez foi em 2006, quando foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no segundo turno.

Atualmente, ele está sob inquérito após uma delação da Odebrecht em que a construtora teria repassado quantias não declaradas para campanhas de Alckmin ao governo paulista. Também se apura uma suspeita de improbidade administrativa por caixa 2, com pagamento pelo grupo Norberto Odebrecht. Os investigadores querem saber qual a finalidade do caixa 2 e por que o dinheiro não foi declarado.

Alckmin ainda não divulgou suas propostas de governo mas já se manifestou a favor da Reforma Trabalhista e contra os impostos sindicais e a presença forte do Estado na economia.

Fernando Collor (PTC)

Fernando Affonso Collor de Mello, 68, foi o 32º presidente do Brasil de 1990 até 1992, quando renunciou (horas antes de ser condenado por crime de responsabilidade, com possibilidade de impeachment). Depois de perder por oito anos seus direitos políticos, desde 2007 ele é senador por Alagoas e preside a Comissão de Relações Exteriores do Senado. E agora, concorre pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC) pela presidência.

Collor foi o primeiro presidente do Brasil a ser afastado temporariamente por processo de impeachment depois que sofreu denúncias de corrupção política. Atualmente, ele é réu no Supremo Tribunal Federal em ação da Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo uma subsidiária da Petrobras, a BR Distribuidora.

O senador, formado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Alagoas, pretende fazer uma reforma constitucional já que considera a Constituição de 1988 excessiva nas quantidades de direito e garantias. Defende também uma reforma tributária e um Estado mais enxuto e eficaz.

Rodrigo Maia (DEM)

Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio Maia, 47, é o candidato do DEM à presidência. Atualmente, ele é presidente da Câmara dos Deputados (em seu quinto mandato como deputado federal) e com o impeachment de Dilma Rousseff, é o primeiro na linha de sucessão à presidência da República.

Apesar de não possuir pendências com a Justiça, Maia já apareceu em investigações da Operação Lava Jato por prestar “favores políticos” do Grupo OAS. Segundo os investigadores, o deputado solicitou um milhão de reais em doações eleitorais em 2014, mas nega “receber vantagem indevida para apreciar qualquer matéria”. Em razão de seu foro privilegiado, a decisão de abrir ou não denúncia contra Maia é de responsabilidade do Ministério Público Federal.

O candidato, que ingressou, mas não chegou a concluir o curso de Economia, se auto declara liberal e pretende dar destaque à educação nas suas propostas, principalmente, porque é o DEM que tem o comando do Ministério da Educação desde o início do governo Temer.

O partido, inclusive, lançou em abril um documento intitulado “O Brasil que vai dar certo” o qual Segundo integrantes do partido, traz as principais diretrizes do futuro plano de governo de Maia. O manifesto pode ser lido na íntegra nesse link.

João Amoêdo (Novo)

João Dionisio Filgueira Barreto Amoêdo, 55, é banqueiro, engenheiro, administrador de empresas, economista. Formado em Engenharia Civil e Administração, ele concorre à presidência pelo Partido Novo, o qual ele fundou em 2011 (o partido só teve seu registro definitivo aprovado em 2015) e presidiu até julho de 2017, quando saiu para concorrer à Presidência da República.
Nem o candidato nem o partido, lançaram as propostas de governo. O Novo, tem como foco principal, no momento, tornar Amoêdo conhecido pelo povo brasileiro.

O cenário é incerto devido à crise política no país. Com uma gama de ideologias contrárias, disputas partidárias internas, alta rejeição ou popularidade entre os presidenciáveis e polêmicas envolvendo diversos partidos, grande parte da população se vê num impasse. É preciso conhecer os planos de governo oferecidos por cada um, bem como a ideologia do partido, seus feitos no passado, suas alianças e entender como este candidato pode contribuir para a melhora do país.

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