Crescimento da moda Plus Size ainda enfrenta obstáculos

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Por: Leticia Sepúlveda e Isabela Rovaroto

“Eu tinha vergonha de entrar em uma loja que era para gordos. Preferia mandar fazer as minhas roupas. Quando você não tem roupas feitas para você, você se sente excluído, não faz parte do mundo.

” Drika Lucena é professora universitária e descobriu as lojas plus size no fim dos anos 1990, aos 24 anos, quando já estava no fim da faculdade. “Isso mudou tudo na minha vida, descobri que eu poderia me vestir de maneira diferente, não precisava mais usar roupas de idosa.”

A moda considerada como plus size é um segmento que se dedica à fabricação de roupas maiores, com numerações que ultrapassam o 46. O termo surgiu pela primeira vez em 1920, disseminado pela norte-americana Lane Bryant.

Números

Segundo pesquisa feita pelo Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI), o país já possui pelo menos 292 indústrias de confecção que se dedicam à produção de roupas de tamanhos maiores. O número equivale a um percentual pequeno das indústrias brasileiras, cerca de 2,5%, mas mesmo assim, movimenta R$ 2,5 bilhões por ano. “Sempre foquei a produção das roupas para números maiores, cerca de 40% das minhas vendas são peças que ultrapassam o número 56.”, explica Claís Ferreira, representante e estilista da Assens, marca de roupas femininas plus size. “Foi através da convivência com as minhas clientes que descobri suas necessidades, e comecei a desenvolver roupas para ajudá-las.”

A blogueira Juliana Romano usa suas redes sociais para valorizar os corpos gordos e atualmente tem 224 mil seguidores no Instagram e 123 mil inscritos no canal do Youtube. Apesar do mercado plus size ter crescido, ela afirma que essas roupas não são encontradas fora dos grandes centros urbanos. “No Brasil, mais de 50% da população está acima do peso ideal. Temos um mercado imenso, mas que ao mesmo tempo é carente.”

Nem sempre os corpos magros foram sinônimo de beleza, as mulheres que hoje são consideradas robustas, em outros períodos eram vistas como o símbolo do corpo feminino. Na pré-história havia uma valorização dos seios fartos e dos quadris grandes, já que a mulher era símbolo de fertilidade. No período do Renascimento, os corpos grandes eram sinal de riqueza e prosperidade. Sendo assim, o padrão de beleza feminino é diferente em cada sociedade. Hoje em dia, o mercado de moda plus size tenta desconstruir a imagem estereotipada dos gordos que prejudica boa parte da população.

Nos dias 3 e 4 de março aconteceu um evento de moda plus size no Club Homs, em São Paulo. O Pop Plus N já está em sua vigésima edição e conta com a participação de pessoas do país inteiro e com 60 marcas, todas destinadas a venda de peças de alta numeração. Além disso, o evento contou com palestras, desfiles, aulas de yoga e apresentações de DJs, stiletto e pole dance.

“Este ano ampliamos o número de marcas masculinas, que ainda é um número muito pequeno e que tem uma demanda muito grande, queremos cada vez mais trazer lojas que fazem roupas com numerações maiores que o número 60”, explicou Flávia Durante, jornalista e criadora do evento.

Flávia destacou a função social do Pop Plus: “Queremos um espaço de diversidade, não adianta a gente falar que faz um evento de moda para pessoas gordas e alguém sair se sentindo excluído.”

“O Pop Plus é muito importante, porque além de reunir marcas com pensamento social, a gente se vê nas outras pessoas. O que se diz é que se você é gordo, se ame. Esses eventos também são importantes para alertar para as grandes marcas que os gordos existem e que têm dinheiro para comprar roupas”, comentou Drika Lucena.

Em 2013, quando ainda haviam poucas marcas plus size e com preços muito caros, surge o coletivo Africa Plus Size Brasil, “com o objetivo de trabalhar com o corpo gordo e negro”, palavras de Luciane Barros, diretora do coletivo. “É muito difícil viver em um mundo onde você é visto como um ET.”

Pensando nisso o coletivo resolveu trazer a influência da cultura africana e afro diaspórica para as mulheres negras que usam roupas maiores. O movimento também acredita que essa é uma maneira de trazer diversidade e reflexão para o mundo da moda. “Fico contemplada ao sentir que as pessoas se importam e fazem roupas pensando em mim”, explica Luciane sobre o vento. “Fico muito feliz de poder dar acesso ao mundo plus size para outras mulheres”, ela completa falando de sua função dentro do Africa Plus Size Brasil.

O próximo Pop Plus já tem data marcada, acontecerá nos dias 16 e 17 de junho, no club Homs, com entrada gratuita. Em sua vigésima primeira edição o evento contará com 69 expositores. Mais informações no site http://popplus.com.br/

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