Jair Bolsonaro: Odiado por muitos e amado por tantos

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De ilustre desconhecido à figura mais controvérsia da atual política brasileira 

Por Gianluca Florenzano

Considerado pelos seus apoiadores como um “mito” e rotulado pelos seus opositores como “fascista”. É notório que a sociedade brasileira se divide quando o assunto é o presidenciável Jair Messias Bolsonaro, pelo Partido Social Liberal (PSL). Graças as suas propostas conservadoras e as suas falas polêmicas, o candidato conquista cada vez mais apoio de uma parcela significativa da população brasileira; e em contrapartida, ele é odiado cada vez mais pelo estrato da sociedade que o rejeita. Desse modo, o militar da reserva virou a figura mais controvérsia dessa eleição presidencial, que promete ser a mais polarizada de todos os tempos.

Carreira política de Bolsonaro: do anonimato ao estrelato

Desde muito tempo Bolsonaro participa da vida pública. Ele entrou para o universo da política em 1988, quando se elegeu vereador pela cidade do Rio de Janeiro. Dois anos depois, o militar dava um passo importante na sua carreira política. Virou deputado federal e conseguiu repetir essa façanha por mais quatro anos consecutivos.

Durante a sua trajetória pelo Congresso Nacional, o agora aspirante ao cargo de Presidente da República, ficou marcado por possuir pouca fidelidade a partidos políticos. O Partido Democrata Cristão (PDC) foi à primeira sigla a qual Bolsonaro ingressou. Logo depois vieram: Partido Progressista Reformador (PPR – 1993 a 1995); Partido Progressista (PP – 1995 a 2003); Partido Trabalhista Brasileiro (PTB – 2003 a 2005); Partido da Frente Liberal (PFL – 2005); depois retornou ao PP onde permaneceu até 2016, se mudando para o Partido Social Cristão (PSC -2016 a 2017); e por fim encontra-se no PSL.

Nesses anos em que esteve à frente do mandato parlamentar, o militar propôs 171 projetos de leis, no entanto, apenas dois desses projetos foram aprovados. O primeiro consiste em estender para o setor de bens de informática o benefício de isenção do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) e o segundo projeto autoriza o uso de fosfoetanolamina (composto químico orgânico presente no organismo de diversos mamíferos).

Além do mais, o postulante aprovou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Essa PEC prevê que recibos tem que ser emitidos nas urnas eletrônicas após o voto. Conforme ele, isso seria uma maneira eficaz de evitar “fraudes eleitorais”. Entretanto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), expôs que essa medida acarretaria um custo de aproximadamente R$ 1,8 bilhões.

Apesar de não aprovar tantos projetos de leis, o militar nas últimas eleições ganhou apoio expressivo do eleitorado. No ano de 2010, por exemplo, ele cativou 120 mil votos, tornando-se o décimo-primeiro deputado federal mais votado no estado carioca. Todavia, o ápice de sua carreira política estava por vir. Quatro anos depois, ele obteve cerca de 464 mil votos (6% do eleitorado fluminense) e virou o deputado federal mais votado.

Desse modo, o ilustre desconhecido Bolsonaro saía do anonimato para o estrelato do universo da política. Entretanto, não eram as suas medidas parlamentares que justificavam essa ascensão meteórica em sua carreira. O militar caía nas graças de uma parcela considerável da população devido as suas ideias e falas controvérsias, e principalmente aos episódios polêmicos em que se envolveu.

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Propostas mais polêmicas de Bolsonaro

De acordo com o site do próprio candidato, Bolsonaro destaca-se por manter posições em “defesa da família, da soberania nacional, do direito à propriedade privada e dos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa”.

Contudo, as principais propostas do presidenciável envolvem diretamente as minorias sociais, a segurança pública e o sistema judiciário.

Publicamente e em diversos momentos, o postulante inteirou que é contra a união matrimonial entre duas pessoas do mesmo sexo e que crianças sejam proibidas de serem adotadas por casais homossexuais.

Além disso, ele discursa que é contra as contas raciais que favorecem os afrodescendentes a integraram as universidades públicas e privadas.

Em relação à segurança pública, o militar promete que revogará o Estatuto do Desarmamento. Para ele, o “cidadão de bem” deve ter o direito de portar armas, especialmente os proprietários rurais, para se defender contra as invasões de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Além do mais, é contra a legalização das drogas e deseja que o sistema judiciário utilize a pena de morte como recurso condenatório. Conforme dito por ele e divulgado pelo site Uol, “o bandido, ele só respeita o que ele teme”. Também defende a redução da maioridade penal para infratores de 16 anos de idade.

Por fim, o aspirante ao cargo de mandatário do País, salvaguarda publicamente a ditadura militar brasileira. Vale a pena lembrar, que durante o voto de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), o deputado realizou uma homenagem ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, sentenciado pela justiça como um dos torturados desse regime militar, e inclusive suspeito de torturar a petista que estava prestes a ser impeachada.

Foto: Wilson Dias – Agência Brasil

Jovens eleitores de Bolsonaro

De fato, as ideias conservadoras patrocinadas por Bolsonaro sempre encontram respaldo em uma parcela significativa da população brasileira. No entanto, há de se notar de que nesses últimos anos a adesão ao nome do deputado cresceu demasiadamente, principalmente em relação à fatia correspondente aos votantes jovens do sexo masculino.

De acordo com o consultor e cientista político, Paulo Kramer, “ele [Bolsonaro] conta com um público jovem significativo em termos de tamanho, com curso superior ou mais até. Não são apenas jovens pobres, são também jovens privilegiados com um bom nível de informação”, explica o consultor político.

 A fala de Kramer fica ilustrada na pesquisa realizada pelo instituto Datafolha. Conforme revela o estudo, os eleitores do deputado concentram-se no seguinte nicho social: “jovens brancos, do sexo masculino, com pelo menos o ensino médio”. Além do mais, vale a pena salientar que esse estrato social possui renda familiar de mais de dois salários mínimos e moram predominantemente na região Sudeste do País.

Outra pesquisa feita pela Rede BBC também corrobora com a afirmação do cientista político. Segundo o estudo, 60% dos votantes de Bolsonaro pertencem à faixa de 16 a 34 anos. E desses, 30% tem menos de 24 anos.

Conforme os especialistas ouvidos pela Rede BBC, devido ao fato do postulante utilizar bastante às redes sociais, ele consegue cativar mais eleitores jovens do que os seus rivais. De acordo com o Datafolha, 81% dos votantes de Bolsonaro utilizam as plataformas sociais para se informar sobre política. Assim sendo, “as redes sociais terão grande impacto na eleição desse ano”, argumenta Kramer.

Foto: Gustavo Miranda – Agência O Globo

Bolsonaro outsider: as aparências enganam

Contudo, a ascensão de Bolsonaro pode ser explicada por outro fenômeno que vem ocorrendo em outras corridas presidenciais espalhadas pelo mundo, os “outsiders”, o que implica na rejeição da população a políticos tradicionais.

Entretanto, vale a pena salientar que Bolsonaro, nas palavras de Kramer, “não é um outsider nem aqui e nem na China”. Como demonstrado anteriormente, o presidenciável atua na vida pública desde 1988. “Isso reflete a percepção, que esta errada, de que Jair Bolsonaro é um ponto fora da curva em relação à classe política tradicional que esta sob fogo acirrado perante a opinião pública”, argumenta o consultor político. Contudo, “na política, o parecer é mais importante que o ser”, complementa ele.

 Além do mais, Kramer expõe outro fato para explicar a promoção social do militar. Conforme ele, o referido aspirante “surfa em outra onda importante, que é a da insegurança pública”. A violência “não é exclusividade mais dos grandes centros, hoje em dia são os grandes, os médios e os pequenos centros espalhados pelo País” que sofrem o aumento da criminalidade.

Nesse sentido, as propostas de segurança do referido aspirante ao cargo de mandatário do Brasil, que podem ser resumidas na frase: “bandido bom é bandido morto”, agradam uma parcela expressiva do eleitorado brasileiro.

Será que ele chega lá?

 Bolsonaro lidera as pesquisas de intenção de voto na atual conjuntura em que seu principal concorrente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), está impedido de concorrer. No entanto, no cenário em que o ex-presidente possa disputar a corrida presidencial, o militar da reserva despenca para segundo lugar.

Todavia, não temos como assegurar quem conquistará o pleito desse ano. De acordo com o consultor e cientista político Paulo Kramer, apenas uma coisa é praticamente certa, “a gente pode apostar que terá segundo turno”. Entretanto, “ainda é muito cedo para dizer quem vai estar no segundo turno”, finaliza ele.

Ainda conforme Kramer, não é possível afirmar que o Bolsonaro avançará para a parte final da corrida presidencial, pois nessa disputa há mais “candidatos competitivos do que nas anteriores”.

Embora faltem recursos políticos ao referido postulante, como por exemplo, tempo de televisão e fundo partidário, o deputado contém uma vantagem ao seu favor, o sentimento anti-políticos tradicionais.

Para o cientista político, se esse “sentimento anti-políticos tradicionais e até anti-política – o que é uma coisa mais complicada ainda -, se consolidar como uma corrente de opinião pública, você não terá dúvidas que sim, o Bolsonaro será um candidato competitivo”.

Assim sendo, a única coisa que podemos afirmar desse pleito é de que ele será um dos mais disputados de todos os tempos e apenas as urnas eletrônicas nos indicarão quem será o futuro mandatário do Brasil.

 

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