A força das redes sociais: voz e empoderamento

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Por Laura Doubek e Luiza Schiff

Através de suas plataformas digitais, a internet tomou outro rumo e, hoje, empodera os cidadãos e dá voz a quem precisa

Revolta. Repercussão. Empatia. Justiça. O poder da internet e das mídias sociais é visível. A cada caso de felicidade – através de imagens que falam por si só ou os famosos “textões” -, lá se vão milhares de compartilhamentos. Se for tragédia, o dobro. É concreto que o número de usuários de redes sociais populares, como Facebook, Instagram ou Twitter, conquista mais público a cada dia. O que começou como uma brincadeira entre amigos, hoje, empodera os cidadãos. Mas como esse poder acontece?

As redes sociais são um importante complemento voltado à comunicação e à informação. Seu poder é consequente das possibilidades que elas proporcionam: disseminar ideologias, unir grupos, ser um palanque de discurso, oportunidade de demonstrar as insatisfações contra produtos ou empresas e mais inúmeras variantes. É nesse espaço que, atualmente, a voz, a justiça e a força em comum acontecem. Em conjunto, as ideias se tornam mais fortes. É o caso, por exemplo, das reclamações a uma marca específica: indagações no SAC das empresas raramente são escutadas e, de fato, resolvidas, mas ao postar a insatisfação em suas redes e citar os responsáveis, o problema é resolvido em questão de horas. Tudo porque a visibilidade das mídias sociais é enorme, logo, atrairia muitos olhares e opiniões negativas à empresa, que não quer ser vista de maneira desfavorável por milhares de pessoas.

Karina Miranda, especialista em mídias sociais, explica que a informação fácil alterou a estrutura das notícias e a forma de recepção das informações: “Não dá pra negar a influência que as mídias digitais tem na vida das pessoas. Já virou tão corriqueira, inconsciente. Hoje as pessoas não precisam mais que periódicos sejam entregues todos os dias de manhã na porta da casa delas porque tudo que ela precisa está há 1 clique de distância, seja no portal de notícias mais próximo ou na publicação do amigo de infância ou do colega de trabalho no Facebook”, explica Karina Miranda, especialista em mídias sociais.

Especificamente no Brasil, 140 milhões de brasileiros são usuários da internet e, dentre esses, 122 milhões utilizam as mídias sociais, segundo o relatório Digital in 2017, realizado pela We are Social. Em 2011, o Facebook contava com 12 milhões de participantes; em 2017, o número subiu para 130 milhões, de acordo com os dados da rede. O crescimento desenfreado do número, como divulgou o eMarketer, se desenvolveu devido a expansão da cobertura da internet móvel, como 3G e 4G, e o aumento do consumo global de smartphones, por estarem mais acessíveis financeiramente. Esses fatores foram imprescindíveis para áreas em desenvolvimento, como América Latina, a qual o Brasil é pioneiro no uso da internet, África e Oriente Médio.

Dados sobre o número de usuários das redes sociais no Brasil | Divulgação: We Are Social

Sendo assim, grande parte da população global tem acesso às redes e é capaz de se expressar em plataformas globais. Uma cobertura alternativa de notícias na França chega ao Brasil em questão de segundos, por exemplo. Os números estrondosos confirmam a influência do meio digital: é possível fazer a diferença e também analisar como a justiça também começou a se desenvolver nele, através de casos como a execução de Marielle Franco, ex-vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL, por exemplo.

Nele, após o acontecimento, os números de tweets no Twitter relacionados à tragédia superaram o debate realizado durante o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, que foi o maior recorde brasileiro nos trending topics, métrica de alcance e repercussão na rede social. Os termos usados relacionados à Marielle superaram o debate político e permaneceu por mais tempo no topo dos dados. O exemplo se torna também uma representação das fake news, um dos pontos negativos das redes sociais, que se trata do uso da internet para divulgar notícias falsas ou sensacionalistas afim de exacerbar determinada situação ou figura. Após a execução, diferentes informações ilusórias foram vistas no meio digital, como o falso noticioso de que ela seria esposa de um traficante. A prática serve, também, para diminuir a força de um caso, se existem interesses pessoais e privados por trás, como foi feito com Marielle.

Marielle Franco, ex-vereadora e exemplo de luta | Divulgação: R7

“O caso de Marielle é um exemplo muito bom, apesar de se tratar de uma notícia triste. Em poucas horas, o caso já era assunto público, já estava nas mídias, nos grandes fóruns de discussão como o Twitter. O que aconteceu há poucas semanas foi um fenômeno informativo que foi muito além do fato trágico que aconteceu com Marielle, as pessoas conheceram a conheceram como mãe, lésbica, mulher, negra, periférica e responsável por um trabalho transformador na área dos direitos humanos. Reconheram a luta e a realidade dessa mulher por trás das fotos e das manchetes”, retrata Karina.

É necessário reconhecer o poder das mídias sociais na sociedade atual e revertê-la ao bem. As plataformas dão voz a quem precisa, levam informação e geram a união de seus usuários, sendo assim, que seja consumida como um espaço de debate e que a cada insatisfação, repliquem a repercussão tão fundamental em tempos de injustiças e falta de transparência na mídia e na justiça.

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