Mar calmo nunca fez boa sereia

Google+ Pinterest LinkedIn Tumblr +

Por Nádya Duarte

Mar calmo nunca fez boa sereia. Essa é a frase utilizada por Bruna Bessa em seu canal do youtube, Maré Alta. É um bom jeito de dizer que o universo feminino do surf não é nada fácil e nem um pouco calmo em meio das dificuldades que envolvem fazer parte desse esporte, sendo uma mulher.

No início o surf era praticado apenas pelos homens. Os surfistas que confeccionavam suas pranchas o que na época eram tábuas de madeira. O esporte era praticado como um ritual de adoração ao espírito do mar.

Surfistas na Praia de Cambury Foto: Nádya Duarte

O surf começou a crescer em 1912 quando o campeão olímpico de natação Duke Paoa Kahanamoku declarou, durante os jogos de Estocolmo, que treinava a modalidade surfando em sua prancha sobre as ondas do Havaí. Foi Duke que começou a difundir sua prática fazendo demonstrações na Califórnia e por todo o mundo como na França, na Austrália, na América do Sul, na África.

Em torno 1920 uma australiana, Isabel Letham, quebrou os rígidos padrões morais que negavam a prática às mulheres e começou a surfar. Com a autorização de seu pai que pediu a Duke que lhe confeccionasse uma prancha e desde sempre apaixonada com a beleza do esporte, Isabel logo se apaixonou pelo surf e se tornou uma atleta.

Bruna Bessa na praia de Cambury Foto: Nádya Duarte

Hoje em dia as mulheres dominam esse esporte e conquistaram um grande espaço. Chegaram a rankings mundiais e provaram que o surf também é para elas. Apesar disso,  ainda falta apoio e incentivo e além disso,  mulheres ainda sofrem muito preconceito tanto nas águas quanto fora. 

Bruna Bessa, começou a se apaixonar pelo surf quando sua amiga começou a incentivar. E assim que colocou a prancha na água foi paixão à primeira vista e não parou mais de surfar. Nas suas viagens para praticar o esporte começou a perceber que o mar era dominado por homens e também percebeu que sozinha, sofria preconceito.

Bruna Bessa, idealizadora do projeto Maré Alta Foto: Nádya Duarte

Assim, começou a chamar meninas que queriam surfar, para viajarem juntas, desse modo todas davam força e motivavam umas as outras, e além disso, ficavam protegidas umas pelas outras. Foi com esse objetivo que Bruna criou um grupo no Whatsapp para combinar viagens e  um canal no Youtube, chamado Maré Alta,  para ão só postar vídeos sobre as viagens mas também para falar de todos os temas ligados ao surf, principalmente feminino.

Meninas do Maré Alta Foto: Nádya Duarte

Conseguiu reunir várias surfistas, e com o Maré Alta começou a promover Surftrips só de meninas, na qual elas se reúnem e descem a serra para passar o final de semana não só surfando, mas também fazendo treinos de equilíbrio, alongamento e yoga. Bruna acha importante estabelecer esse contato com a natureza, o que resulta numa viagem com dias cheios  de  good vibes.

Na primeira Surftrip do ano, as meninas foram para a praia de Cambury, no Litoral Norte de São Paulo. No sábado foram realizadas várias aulas, inclusive co meninas que nunca tinham surfado. Em apenas uma aula, todas as meninas conseguiram ficar de pé na prancha. Isso faz com que elas percebam que são capazes, e que todas conseguem surfar, independente de qualquer experiencia.

Para um surfista se manter profissionalmente no surf, é necessário patrocínio de marcas para ganhar apoio financeiro e conseguir não só visibilidade mas bancar as viagens para campeonatos. Para os surfistas homens, isso vem assim que começam a ganhar destaque nesse cenário, por outro lado, as mulheres ganhando destaque não é o suficiente para conquistar os patrocinadores, é necessários ser bonita também.

Algumas das surfistas patrocinadas pela ROXY foto: Reprodução

Em uma matéria para BBC, a campeã brasileira, Silvana Lima, diz desde pequena ter procurado surfar “como os homens” que tinham um estilo mais radical surfando. Ela foi campeã brasileira 8 vezes e chegou a ser vice campeã mundial duas vezes mas ainda assim teve dificuldade para conseguir patrocínio. “Não sou bonitinha. As marcas focam em surfistas que sejam modelos. Eu não sou modelo, sou surfista.”

Silvana Lima foto: reprodução

Meninas que participaram da primeira surftrip do Maré Alta Foto: Nádya Duarte

Share.

About Author

Leave A Reply

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.