A mulher no cinema: Hollywood

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Por Barbara Bastos e Giovana Costa

No último dia 4, aconteceu a 90ª Cerimônia do Oscar muito pautada nas polêmicas envolvendo casos de assédio e diferença salarial dentro da indústria do cinema. O ano de 2017 foi conturbado após as diversas  denúncias contra diretores, atores, roteiristas, entre outros profissionais da área, o que levantou um debate extremamente necessário: a igualdade de gênero.

As recentes acusações de assédio sexual, abuso e estupro em Hollywood começaram em outubro do ano passado.  O caso mais famoso de todos é o relato de mais de 30 mulheres que denunciaram o produtor Harvey Weinstein. Ele teria cometido assédios entre 1980 e 2015. Dentre as mulheres que o denunciaram estão as atrizes Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Rosanna Arquette, dentre outras profissionais da produção. Outro caso, que inclusive já repercute há alguns anos é o do diretor Woody Allen. O cineasta foi acusado de abuso sexual em 2014, por sua filha Dylan Farrow. O caso veio à tona após a repercussão de outras denúncias e Dylan recebeu o apoio de várias atrizes como Rebeca Hall e Natalie Portman, que já declararam que não irão trabalhar com ele no futuro. Com as denúncias de Weinstein, outros nomes começaram a surgir. Ao menos 38 mulheres acusaram o diretor e roteirista James Toback de relações sexuais não consentidas. Com a publicação do jornal Los Angeles Times sobre o caso, novas denúncias foram feitas, cerca de 200 mulheres relataram mais abusos cometidos pelo diretor.

Brett Ratner, diretor do filme “X-Men: O Confronto Final” e produtor de “O Regresso”, foi acusado por seis mulheres de cometer violência sexual. Outro nome citado é o do diretor Roman Polanski, que há quatro décadas tem complicações com a justiça devido a acusações de pedofilia. Ele é acusado de ter mantido relações sexuais com Samantha Geimer, em 1997, quando ela tinha apenas 13 anos. Além dos diretores e produtores, outros homens foram acusados como os atores Dustin Hoffman, Bill Cosby, Kevin Spacey, Ben Affleck e James Franco (ganhador do prêmio de Melhor Ator em Comédia no Globo de Ouro). Também foram denunciados o fotógrafo Terry Richardson, o empresário Dave Holmes, o chefe de animação da Disney John Lasseter, o apresentador da rede de televisão CBS Charlie Rose, entre outros.

Weinstein with Thurman in 2004. She claims she told Quentin Tarantino about the alleged assault and that he confronted Weinstein over it, prompting an apology

Harvey Weinstein e Uma Thurman em 2004.

Além das questões voltadas aos casos de assédio, as mulheres também se posicionaram sobre a diferença salarial, tanto no cinema, quanto na televisão. Pois, tendo controle completo de seu trabalho, como as diretoras, ou estando em posição similar aos homens na indústria do cinema, essa questão ainda está presente. A diretora Patty Jenkins por exemplo, recebeu 1 milhão de dólares por “Mulher Maravilha”, enquanto o diretor Zack Snyder recebe estimadamente 10 milhões de dólares por um filme do mesmo gênero. Outro caso que gerou polêmica foi o da atriz Michele Williams e a discrepância de pagamento em relação ao ator Mark Wahlberg, com quem trabalhou recentemente. A atriz recebeu U$ 1.000 para regravar algumas cenas do filme “Todo Dinheiro do Mundo”, enquanto Mark Walhberg recebeu US$ 1,5 milhão para fazer sua parte da mesma regravação. O acontecido logo tomou grandes proporções por Michele ser uma atriz muito bem aclamada por seus trabalhos, indicada ao Oscar quatro vezes, enquanto Mark, por sua vez, só foi indicado duas vezes.

Mulher-Maravilha : Foto Gal Gadot, Patty Jenkins

Patty Jenkins e Gal Gadot no set de Mulher Maravilha| Créditos: Warner Bros. France

Na televisão, a questão salarial também foi discutida. Durante uma conferência em Nova York, em 2016, a atriz Robin Wright protagonista da série “House of Cards”, declarou que havia dado um ultimato aos responsáveis pela série para que seu salário fosse equiparado ao do ator Kevin Spacey, protagonista masculino da série. O salário dos protagonistas da série é desconhecido, mas, especula-se que o ator receba, em média, US$ 500 mil por episódio, e Robin, US$ 420 mil. Mesmo após a declaração da atriz, nada foi feito e em 2017, durante o Festival de Cannes 2017, onde Robin estava presente para divulgar seu primeiro projeto como diretora – o curta The Dark of Night –, ela revelou que ainda estaria recebendo menos que o ator. No começo desse ano, a atriz Lauren Cohan protagonista na série “The Walking Dead”, passou pelos mesmos problemas de Robin. A atriz ainda não confirmou a renovação de seu contrato para a nona temporada da série, alegando a diferença de salários entre seus colegas homens Andrew Lincoln e Norman Reedus.

Todos esses fatores somados foram suficientes para que algumas dessas mulheres se posicionassem contra as desigualdades e assédios presentes em Hollywood. Uma das primeiras campanhas nesse sentido foi a hashtag #MeToo (“eu também”, em tradução do inglês), que ganhou forças depois de um tweet da atriz Alyssa Milano, em que ela pedia às mulheres que já tivessem sofrido abuso sexual lhe respondessem com a frase “me too”.  A primeira mulher a utilizar a expressão com essa conotação foi Tarana Burke, uma ativista dos direitos humanos americana, em 2006.

(“Se você foi assediada sexualmente, escreva ‘eu também’ como uma resposta a este tweet”)

Outro movimento que mobilizou as pessoas é o Time’s Up  (“acabou o tempo”, em tradução livre) que foi fundado há dois meses por atrizes, diretoras, produtoras, entre outras, que sofreram algum tipo de assédio e que pretendem colocar um holofote sobre essas diferenças e abusos sofridos pelas mulheres diariamente, em áreas relacionadas ao cinema ou não. Com isso, já atraíram suporte o suficiente para arrecadar 21 milhões de dólares e para mobilizar o Globo de Ouro (quando a maioria das pessoas usou preto e broches para representar o movimento). Agora, com todo o dinheiro doado, elas pretendem auxiliar legalmente outras mulheres que queiram denunciar seus casos de assédio e repressão.

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Michelle Williams e Tarana Burke, uma das precursoras do movimento #MeToo, no Globo de Ouro 2018. Christopher Polk via Getty Images

Apesar de todos esses movimentos, nesses noventa anos de história do Oscar, pouca coisa mudou. Greta Gerwig, diretora e roteirista do longa “Lady Bird – A hora de voar”, foi a quinta mulher indicada ao prêmio, enquanto, Rachel Morrison, diretora de fotografia do drama “Mudbound: Lágrimas sobre o Mississipi” foi a primeira mulher indicada ao prêmio de melhor fotografia. Pela mesma obra, a roteirista Dee Rees é a primeira mulher negra a ser indicada na categoria de melhor roteiro adaptado, enquanto a atriz, cantora e compositora Mary J. Blige foi a primeira pessoa indicada por atuação e canção no mesmo ano. Outro destaque é a atriz chilena Daniela Vega, a primeira mulher transexual a participar da cerimônia do Oscar, ela é a protagonista do filme “A mulher fantástica”, vencedor do prêmio de Melhor Filme Estrangeiro. Ao todo, entre os 199 indicados neste ano, apenas 46 mulheres concorreram ao prêmio, além disso, não haviam indicações femininas aos prêmios de melhor edição de som, melhores efeitos visuais e melhor trilha sonora original.

Devido a esses fatores, a ganhadora de Melhor Atriz, Frances McDormand, finalizou seu discurso com as palavras “inclusion rider”, uma cláusula que um ator ou atriz pode colocar em seu contrato que exige que o elenco e a equipe sejam compostos por pelo menos 50% de mulheres, negros, LGBTs e outras minorias.

O que se espera é que essas mudanças sejam capazes de trazer mais transformações significativas e que a cada dia mobilizem mais pessoas, para que as mulheres possam ocupar seu espaço e que possam usar suas vozes para ser quem são, exercendo sua profissão com dignidade e igualdade.

Dentre os filmes indicados ao Oscar 2018, a maioria das narrativas trazia a história de mulheres. Você confere abaixo a sinopse dos longas.

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“Eu, Tonya”, estrelado pela atriz Margot Robbie (indicada ao Oscar de melhor atriz), conta a história da ex-patinadora no gelo Tonya Harding. O longa traz todos os obstáculos enfrentados pela atleta, desde a infância e o relacionamento conturbado com a sua mãe (interpretada por Allison Janney – vencedora do Oscar de Atriz Coadjuvante), o casamento abusivo, a cobrança por um comportamento mais “delicado e feminino” e as polêmicas causadas durante as Olimpíadas de 1994.

 

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“Lady Bird – A hora de voar” retrata a jornada de amadurecimento de Christine McPherson, “Lady Bird” (interpretada por Saoirse Ronan, indicada ao Oscar de Melhor Atriz). As inúmeras discussões com a mãe (interpretada pela atriz Laurie Metcalf, indicada ao prêmio de Atriz Coadjuvante) trazem a tona o relacionamento entre mães e filhas, as descobertas da adolescência e questões sobre a tão sonhada liberdade.

 

 

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“Três anúncios para um crime” conta a história de Mildred Hayes (interpretada pela atriz Frances McDormand, vencedora do Oscar de Melhor Atriz), uma mulher que tenta lidar com a frustração e a raiva diante da incompetência dos policiais locais no que diz respeito à morte de sua filha, estuprada e carbonizada. Buscando justiça, ela decide comprar anúncios nos outdoors que ficam numa estrada pouco utilizada nas proximidades da cidade, usando-os para questionar publicamente a atitude da  polícia local.

 

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“A forma da água” tem como protagonista a muda Elisa (Sally Hawkins indicada a Melhor Atriz), é zeladora num laboratório secreto do governo e acaba se apaixonando por uma criatura mágica que é presa e maltratada no local. Por isso, Elisa planeja um arriscado resgate com sua colega Zelda (Octavia Spencer, indicada à Melhor Atriz Coadjuvante).

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