A sobrevivência do Teatro em meio à atual crise econômica brasileira

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As dificuldades de captar verba através das leis de incentivo

*Por Macela Rahal, Yara Camargo e Regina Passos

No Brasil é difícil sobreviver como artista, ainda mais os independentes. Entretanto, é em meio a essa dificuldade que as melhores ideias podem surgir como uma solução inovadora: usar a cidade como plateia e seu lar como palco.

No dia 17 de novembro de 2013, o Grupo Esparrama, formado por Iarlei Rangel, Kleber Brianez, Ligia Campos, Luciana Gandelini e Rani Guerra, abria pela primeira vez a sua janela, e estreava o seu espetáculo, criado especialmente para esse espaço. Com uma intervenção cênica realizada na janela de um apartamento em frente ao Minhocão, o grupo convidava o público passante para se aproximar e assistir a um inusitado espetáculo, a cerca de dez metros de distância, se acomodando nesse viaduto, que aos sábados e domingos é fechado para os carros e aberto para a população.

Nesse dia estreava o espetáculo Esparrama pela Janela, com a ideia inicial de surpreender o público passante e frequentador do Minhocão, com pílulas de arte e bom humor, ressignificando esse espaço público, transformando-o em um local de convívio com a arte. 

Ao longo das apresentações, pessoas de outros bairros e até outras cidades foram se aproximando, e engrossando o coro, fazendo com que essa ocupação se tornasse mais forte e potente. Atraindo os olhares da crítica especializada, da imprensa nacional, internacional e da população, o Grupo Esparrama ganhou notoriedade com o seu projeto na janela, e foi contemplado com importantes prêmios do teatro: o Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem (Categoria Revelação – pela direção – e Prêmio Crystal Eco de Sustentabilidade) e o Prêmio da Cooperativa Paulista de Teatro, na categoria Melhor Ocupação de Espaço.

Em 2014, junto ao programa Rumos Itaú Cultural, o grupo realizou o projeto Janelas do Minhocão e em 2015, foi contemplado na 2ª edição do Prêmio Zé Renato, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, com o qual passou a fazer experimentos também em vídeo, explorando um novo olhar e uma nova linguagem para a janela.

Durante o projeto Janelas do Minhocão, o Grupo Esparrama criou o espetáculo Minhoca na Cabeça, que extrapolou os limites da janela e literalmente ocupou o Minhocão. Para esse espetáculo o grupo contou com os atores convidados Gabi Zanola e Renato Ribeiro, integrantes da Trupe DuNavô, e Vinicius Ramos.

O mesmo grupo, incansável, criou o projeto Navegar no final de 2016: uma embarcação de isopor preenchida por uma trupe de crianças atravessa a Praça Roosevelt. Todas com giz em mãos se espalham e tomam o espaço público como cenário das brincadeiras. Contemplado pela Lei de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo, o grupo reflete: afinal, como a cidade se relaciona com suas crianças?

Os grupos escolhidos foram estudantes da EMEI Gabriel Prestes, o Grupo de Teatro da ocupação Hotel Lord Palace e crianças do Centro para Crianças e Adolescentes (CCA) Mina, no bairro de Heliópolis. Era importante não somente trabalhar com distintas faixas etárias, mas também com as múltiplas cidades que se apresentam para os habitantes dos territórios. “Éramos atores do mesmo bairro, atuando em pé de igualdade pela ocupação da cidade.”

O MoTIn

O Movimento dos Teatros Independentes de São Paulo (MoTIn)  surgiu em meados de 2013, decorrente do encontro de um grupo de artistas-gestores de espaços culturais, principalmente, dos pequenos teatros espalhados pela cidade. Os integrantes captam recursos de forma autônoma para financiar as sedes e companhias.

Com o objetivo de divulgar à população todos os cerca de 80 teatros independentes na capital paulista, segundo o site do próprio grupo, ele criou a Cartografia dos Teatros da Cidade de São Paulo.  

“Este é o primeiro estudo quantitativo sobre os teatros da cidade. Uma pesquisa inédita que aborda desde a situação legal dos espaços até a parte da programação e do acesso. E isso traçando um paralelo entre três categorias: o teatro independente, o público (estatal) e o com bandeira (patrocinado por empresas/marcas)”, explica Bernardo Galegale, assistente de direção do Teatro Centro da Terra, integrante do MoTIn.

Enquanto produções autônomas buscam seu espaço em um mercado cada vez mais ambicioso, visando levar cultura de forma barata e de qualidade para a população, grandes produções, que já contam com patrocínios de empresas, cobram ingressos a preços abusivos.

* Está reportagem teve a supervisão de Fernando Oliveira.

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