Comissão da verdade da PUC-SP pelos olhos de Rosalina de Santa Cruz

0

Professora e membro da comissão relembra prisão na ditadura e destaca importância de investigar o período

Por Marianna Rodrigues e Paola Micheletti

A Comissão da Verdade da PUC-SP Reitora Nadir Gouvêa Kfouri, em relatório final publicado em sua página na internet, reafirma como objetivo “a pesquisa dos principais episódios e processos que ao longo do período da ditadura civil-militar, 1964 – 1988, construíram a história da PUC-SP, contextualizada no quadro geral da história do país nesta época.” Instaurada depois da Comissão Nacional da Verdade (CNV), em 2013, a CVPUC pôde, atendendo às necessidades da própria universidade, restaurar também a memória universitária. Dessa maneira, amparada por professores e professoras e alunos e alunas, a CVPUC reconstruiu a participação e os efeitos da ditadura militar na PUC, culminando, então, em um evento em que cinco alunos puquianos desaparecidos durante o período de exceção foram diplomados pela atual reitora Profª Drª Maria Amália Pie Abib Andery.

O lançamento da plataforma que traz a todas as informações sobre a CVPUC ocorreu no dia 18 de setembro desse ano, na abertura da semana em memória à invasão da PUC-SP por forças do regime militar, há 40 anos. A cerimônia retomou a história combativa e homenageou nomes emblemáticos para a Pontifícia, como Nadir Gouvêa Kfouri, primeira reitora mulher de uma universidade católica, e o arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns, grão-chanceler da PUC-SP de 1970 a 1998. Ainda em um gesto simbólico, as entregas de diplomas a familiares dos estudantes mortos e desaparecidos, Carlos E. P. Fleury, Cilom C. Brum, J. Wilson L. Sabbag, Luiz A. Araújo e Maria Augusta Thomaz, representou o reconhecimento da PUC pela luta de tantos jovens que perderam a vida em busca da liberdade.

Foto: Cadu Bazilevski

Entre os fundadores da Comissão, também presente no evento, está Rosalina Santa Cruz, que é professora da Faculdade de Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e também teve um irmão desaparecido durante a ditadura no Brasil. Em entrevista para o Contraponto Digital, Rosalina conta da sua experiência como presa política, detalha as torturas físicas e psicológicas pelas quais passou e ainda destaca a importância da instauração de comissões da verdade. Confira o áudio da entrevista.

Share.

About Author

Leave A Reply