Câncer de mama: recuperação e autoestima

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O câncer de mama é a patologia que mais acomete mulheres em todo o mundo, sendo que, foi estimado, para 2016/2017, quase 58 mil novos diagnósticos de câncer de mama no Brasil entre o período, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). A disfunção ainda representa mundialmente 25% de todos os tipos de câncer que afetam o grupo feminino, tanto em países desenvolvidos quanto em países em desenvolvimento, e acarreta em cerca de 522 mil mortes anuais.

Apesar de ocasionar um grande número de óbitos, o câncer de mama, se diagnosticado precocemente, pode chegar a 95% de chance de cura. Desta maneira, a informação tem grande influência na vida das mulheres, uma vez que orienta o autoexame, os exames clínicos e, em questões de ordem social, como, por exemplo, a autoestima, a feminilidade e a informação acerca dos direitos femininos à saúde pública.

Tendo maior incidência em mulheres, já que a maioria dos tumores de mama são alimentados pelo hormônio feminino, a disfunção também pode aparecer em homens, uma vez que é definida como o crescimento desregulado de células da mama, que passam por configurações de suas características e tornam-se anormais, causando mutações no material genético da célula. É importante ter conhecimento sobre a própria mama para que, caso os possíveis sintomas se manifestem, a mulher reconheça as alterações e procure um especialista. Dentre os mais comuns sinais, estão os nódulos nas mamas ou axila, edema na pele da região, dores e vermelhidão nas mamas, braços ou axilas, e secreções nos mamilos. Embora sejam genéricos, algumas mulheres que têm o câncer de mama, podem não apresentar nenhum destes sinais.

O INCA estabelece algumas recomendações para que haja controle sobre as mortes causadas pelo câncer de mama: para garantir maior sobrevida às pacientes, é indicado que o prazo entre o diagnóstico e cirurgia seja realizado com no máximo três meses do aparecimento do tumor e os tratamentos complementares (quimioterapia e radioterapia) sejam iniciados até quatro meses após a interferência inicial. Vale ressaltar que aquelas que buscam tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), levam, em média, seis meses entre o diagnóstico e a cirurgia, segundo a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA), o que, oferece consequências graves aos diagnosticados.

Dentre os fatores de risco para a predisposição ao câncer de mama, podem ser listadas as interferências endócrinas com aumento de estrogênio na corrente sanguínea, menarca precoce (antes dos 12 anos), menopausa tardia, herança genética, idade avançada, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, sedentarismo e obesidade. São considerados como os principais fatores preventivos a prática recorrente de atividades físicas, estilo de vida saudável e o aleitamento.

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Já que quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores são as chances de cura, é importante que sejam feitos autoexames, acompanhamento clinico e mamografias recorrentes para rastrear precocemente a existência de um possível tumor. Os profissionais recomendam que a partir dos 20 anos de idade sejam feitos autoexames mensalmente, entre o quarto e o sexto dia após o fim do fluxo menstrual, quando os seios estão menos inchados. Para que o método seja realizado corretamente, é importante que a mulher apalpe os seios observando se há caroços na região dos seios e axilas, alteração no formato das mamas, manchas nas regiões próximas aos seios e feridas próximas aos mamilos. O autoexame não substitui o exame acompanhado por um profissional, porém pode estimular a procura de um médico. A mamografia deve ser iniciada por volta dos 30 anos de idade, já que nessa fase são iniciadas diversas alterações hormonais no organismo feminino, e é o único exame apto a detectar um tumor desde a fase de microcalcificação, quando ainda não é apalpável e, quando associada ao ultrassom, garante 97% de exatidão nos diagnósticos.

Estimativa do número de casos novos em mulheres no Brasil, 2016/2017

Localização Primária Casos Novos %
Mama feminina 57.960 28,10%
Cólon e Reto 17.620 8,60%
Colo do útero 16.340 7,90%
Traqueia, Brônquio e Pulmão 10.890 5,30%
Estômago 7.600 3,70%
Corpo do útero 6.950 3,40%
Ovário 6.150 3,00%
Glândula Tireoide 5.870 2,90%
Linfoma não Hodgkin 5.030 2,40%
Sistema Nervoso Central 4.830 2,30%
Leucemias 4.530 2,20%
Cavidade Oral 4.350 2,10%
Esôfago 2.860 1,40%
Pele Melanoma 2.670 1,30%
Bexiga 2.470 1,20%
Linfoma de Hodgkin 1.010 0,50%
Laringe 990 0,50%
Bexiga 370 4,30%
Leucemias 310 3,60%
Cavidade Oral 290 3,40%
Laringe 250 2,90%
Linfoma não Hodgkin 230 2,70%
Sistema Nervoso Central 230 2,70%
Fonte: MS/ INCA

 

É indicado que o tratamento seja feito por uma equipe multidisciplinar, para que sejam tratados aspectos físicos e emocionais. Existem os tratamentos locais, cuja função seja tratar o ponto especifico, sem afetar as demais regiões do corpo. Os tratamentos locais podem ser realizados com cirurgias e radioterapia. Já a terapia sistêmica busca atingir as células cancerígenas por medicação via oral ou aplicadas à corrente sanguínea, podendo ser aplicada com a quimioterapia, terapia hormonal e alvo. A maioria dos pacientes com câncer de mama necessita de intervenções cirúrgicas, como, por exemplo, as mastectomias. Quaisquer opções de tratamento devem ser discutidas entre o paciente e médico, para que sejam acertadas, de acordo com os efeitos colaterais, a melhor opção para cada paciente.

Os métodos alternativos também oferecem um grande leque de opções, embora seja orientado por grande parte dos profissionais, que não substituíam os procedimentos tradicionais. Pode ser aplicada a rotina do indivíduo que sofre com câncer de mama, dietas ricas em alimentos com menor índice de gordura, ervas, sessões de massagens e acupunturas, que, embora não tenham comprovação cientifica, ajudam no alivio dos sintomas e no controle emocional segundo levantamentos feitos pelo American Cancer Society.

O tratamento do câncer de mama varia de acordo com o tumor de cada paciente. Entre as formas de tratamento estão: radioterapia, quimioterapia, terapia hormonal e mastectomia (cirurgia para retirada parcial ou total da mama).

Sendo o primeiro procedimento capaz de curar o câncer, a mastectomia consiste na retirada parcial ou total da mama, impedindo que o tumor se espalhe pelo corpo. Embora funcione, é considerado como o tipo de tratamento que mais afeta o corpo e autoestima da mulher, seja por questões culturais ou de auto reconhecimento. O método pode ser dividido em três grupos: mastectomia parcial, cuja parte da mama é preservada; mastectomia unilateral, que retira a mama onde o tumor reside; e a dupla mastectomia, quando ambas as mamas são retiradas.

Para Gertrudes Dias de Carvalho, de 52 anos, que já passou pela mastectomia e pela quimioterapia duas vezes, o mais importante para conseguir vivenciar os tratamento contra o câncer de mama (ou qualquer outro) sem grandes impactos emocionais é contar com o apoio de pessoas queridas e se apoiar em algo que lhe direcione a pensamentos positivos, para facilitar o processo terapêutico com menor impacto na autoestima. “A perda de cabelo foi, para mim, a parte mais simples, pois sempre tive em mente que estava finalizando um ciclo e quando ele voltasse a crescer –sempre soube que o teria novamente- estaria vivenciando uma nova fase. A remoção da mama foi mais complicada, mas depositei toda a minha esperança em minha família e na minha fé, tentando me manter perseverante de que só estava sendo retirado de mim, a parte que já não me cabia mais”, relata.

Manter ou recuperar a autoestima de mulheres que passaram por tratamentos invasivos, como os de câncer de mama, não é tarefa fácil, uma vez que tais métodos alteram a autoimagem ou visão de terceiros sobre o paciente. A fim de ajudar pacientes a passar da forma menos traumática possível, existem ONGs com o objetivo de manter a vivacidade da mulher em tratamento, para que ela continue com suas atividades comuns durante o período de terapia, além de ser crucial o acompanhamento psicológico. “Durante a quimioterapia resgatei meu amor próprio me renovando. Busquei usar lenços coloridos, que destacavam meu rosto, perucas também podem ser grandes aliadas, já que há a possibilidade de trocá-las quando quiser. É importante não buscar se esconder, e sim, destacar o que você gosta em si mesma. Sempre usei a maquiagem para destacar meus pontos fortes, com cores vibrantes e que mostravam minha felicidade em estar caminhando para minha cura. Já o seio, me afetou mais. A primeira vez que usei roupas de banho sem estar com a mama, foi muito constrangedor, não me reconhecia nas fotografias, por isso decidi colocar próteses. Hoje estou feliz e segura com quem sou”, Gertrudes Dias de Carvalho finaliza.

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