Temática LGBT marca forte presença nas produções culturais brasileiras

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Por Gabriela Tornich
O país tem boas produções audiovisuais que retratam a temática tão necessária para a atual sociedade

A temática LGBT em produtos culturais está em bastante evidência em diversos meios. Filmes, séries, peças de teatro e músicas estão abordando a questão de forma constante. Entretanto, existem representantes de movimentos que aprovam com entusiasmo a nova tendência dos produtos, mas há outros que criticam a abordagem e dizem não passar de estratégia de marketing e aproveitamento, principalmente da grande mídia em busca da audiência. Não há dúvidas de que certas abordagens tem problemas que se explicam pelo ganância por telespectadores e que constroem peças que acabam não retratando a realidade, no entanto, vale lembrar que as licenças poéticas ainda são permitidas para as produções culturais.

Muitas vezes jovens tão inseridos em debates de gênero e discussões na internet, ao criticarem esses produtos produzidos pela mídia hegemônica, se esquecem que esse tipo de debate é restrito a certos grupos favorecidos socialmente e intelectualmente, por isso a tratar desses assuntos deve ser visto como instrumento de combate às opressões e naturalização das diversidades de gênero na sociedade.

Atualmente, a teledramaturgia brasileira, queridinha dos brasileiros está retratando o suplício de um homem transsexual vivendo mudanças em sua vida. O exemplo está na novela da Globo, “A Força do Querer”, novela que é exibida durante o horário nobre da televisão brasileira, no canal mais assistido do país.

Não há como ignorar a importância desse acontecimento para a representatividade LGBT. De acordo com o instituto de pesquisa de mercado Gfk, as novelas atingiram 90% dos brasileiros em 2016, sendo que a maior participação é da classe C (53% do público). Esse número é simbólico, pois configura uma faixa populacional com menor acesso à informação que têm menor possibilidade de entrar em contato com esse assunto. Outro dado marcante é que a maior parte dos noveleiros são mulheres de 50 anos, público que não é maioria na internet, local de maior debate e pautas sobre os gêneros.

 

O contraponto selecionou importantes produtos culturais que abordam a temática LGBT e que colocam o público em contato de forma mais penetrante e acessível com o assunto. 

 

Corpo Elétrico

 

O mais recente lançamento nacional é Corpo Elétrico, filme vencedor do Prêmio Maguey e exibido no badalado festival de Roterdã (Holanda). O filme integra a atual rota alternativa de São Paulo e de nada tem a ver com a temática clássica do sair do armário ou do esperado beijo gay na tela. Esse longa que trata de um jovem trabalhador paraibano que cria roupas no centro da cidade, não tem grandes reviravoltas e aposta em uma importante reflexão a respeito do indivíduo e suas perspectivas.

Esse tipo de abordagem revela-se importante também, principalmente para a naturalização do tema. O uso do relacionamento entre pessoas do mesmo sexo serve como pano de fundo para uma história cinematográfica, mostrando que para se ter protagonistas LGBT, não necessariamente é preciso ter terão tons políticos fortes.

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Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

Mais uma produção nacional tocante que envolve a relação de jovens gays na fase escolar, um momento de dificuldade que envolve decisivamente a formação do indivíduo. Mesmo assim, o filme ainda se mostra leve e sabe trabalhar o assunto sobre um duplo tabu, um menino gay e cego. Sem grandes pretensões militantes, o filme aplica a sutileza nos gestos das personagens.

 

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Flores Raras

O cinema brasileiro não costuma colocar casais lésbicos no protagonismo de seus filmes. Flores Raras foge dessa lógica e emociona o telespectador com o romance entre a poetiza e arquiteta. O filme é interessante, pois trata o romance e coloca a história de amor em protagonismo, sem que o fato de serem duas mulheres ofusque a relação. Gloria Pires atua com maestria e faz grande diferença para a construção da sua personagem.

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Mãe Só Há Uma

O filme de Anna Muylaert, a mesma diretora do grande sucesso, Que Horas Ela Volta?, que discute de forma inquietante as discrepância social, escolheu a vida do jovem Pierre, vivido pelo jovem Naomi Nero, que descobre ter sido sequestrado pela mãe que o criou. O filme é breve e baseado na história real do menino Pedrinho em Brasília da década de 80, mas tem como cenário a adolescência contemporânea.

Pierre volta para sua família biológica, precisa lidar com essa mudança, ao mesmo em que vive diversas experiências sexuais completamente novas e ainda lida com sua não-definição de gênero.

Exibido no Festival de Berlim de 2016, “Mãe Só Há Uma” venceu o prêmio de melhor filme pelo júri de leitores da revista alemã Männer e não pretende fechar nenhuma discussão relacionada a gênero, mas retrata de forma realista vivências angustiantes da juventude.

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Divinas Divas

 

Leandra Leal estreia na direção desse documentário sobre travestis dos anos 60 no Rio de Janeiro. As histórias reveladas são fortes, mas retratam a dura realidade vivida por travestis, uma delas até conta ter sido internada pela família em um manicômio e outras relevam ter sofrido violência por parte de policiais.

No entanto, ao contrário do que a temática tendencia, Leal foge do óbvio e não na piedade e no sofrimento das travestis e usa e abusa do brilho e dos talentos em cena. Rogéria, Brigitte de Búzios e Marquesa são algumas das travestis da vanguarda desse período.

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Tupiniqueens

 

O nome tipicamente brasileiro faz uma referência às drag queens brasileiras que tiveram um boom recente com o reality show americano Rupaul’s Drag Race. O documentário é de João Monteiro, um fascinado pelo universo das performances dessas artistas, que resolveu registrar as apresentações da drags brasileiras e conta com depoimentos das mais conhecidas dos entusiasmados com esse universo,  Trio Milano, Lorelay Fox e Malonna.

 

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