Caderno Cultural: Especial Revolução Russa

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O CENTENÁRIO DA REVOLUÇÃO RUSSA

Por João Abel e Yoanna Stavracas

Depois de cem anos de um dos principais eventos da história, separamos algumas indicações para quem quer relembrar a revolução e refletir sobre o presente. Além de falar da peça em exposição no Centro Cultural Banco do Brasil, “A Plenos Pulmões”, também separamos 5 livros e filmes que ajudam a entender o que foi a Revolução Russa. Veja a seguir!

‘A Plenos Pulmões’: O que o maior poeta da Revolução Russa nos diz sobre o Brasil atual

Peça inspirada na obra e vida de Vladimir Maiakóvski fica cartaz em São Paulo até 18 de setembro

Foto Divulgação

Rússia, novembro de 1917: a Revolução Russa institui o primeiro país socialista do mundo. Brasil, agosto de 2016: Dilma Rousseff faz discurso horas depois do Senado brasileiro cassar seu mandato de presidente da República. Seriam dois acontecimentos completamente distintos, separados por quase um século, não fosse o poder das palavras de um poeta: Vladimir Maiakóvski (1893-1930). No fim de seu pronunciamento à nação, Dilma resgatou versos do poema E então, que quereis?…, escrito pelo poeta russo. Um escritor tão atual que se tornou tema de um espetáculo em cartaz no centro de São Paulo.

A vida e a obra de Vladimir Maiakóvski inspiram a peça A Plenos Pulmões, apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil, na capital paulista, até o dia 18 de setembro (clique aqui para mais informações). Considerado o ‘poeta da revolução’ e expoente de uma geração de autores que inauguraram o movimento futurista russo, Maiakóvski e seus companheiros colocaram em ebulição a cultura russa nas primeiras décadas do século 20.

“Não é à toa que a Dilma citou um trecho dele no discurso (assista abaixo a partir do minuto 10:26). Ele rompeu com uma estética artística, ele tinha uma ideia de construir um novo mundo’, ‘destruir a aristocracia’, ‘acabar com a burguesia’. Era um revolucionário. Maiakóvski queria que a nova classe trabalhadora tomasse essa consciência de mundo e também se liberasse para conhecer novos autores”, analisa o ator Luciano Chirolli, que interpreta o próprio poeta.

Sob a direção de Marcia Abujamra, Chirolli divide o palco com a atriz Georgette Fadel, que conduz a análise biográfica de Maiakóvski e interpreta diversas mulheres que passaram pela vida do artista. As cenas passam pela adolescência do poeta, que entrou com 15 anos na ala bolchevique do Partido Social-Democrata Russo, por sua juventude boêmia e artística, pela traição da ditadura stalinista ao setor artístico e pela sua precoce morte aos 36 anos, sempre intercaladas por versos do escritor.

Para Chirolli, Maiakóvski mostrou que não existe arte sem engajamento sociopolítico. “Um artista de verdade é comprometido com sua sociedade. Se for artista e não tiver compromisso social, é um artista de gabinetes. Escreve para si mesmo. Não necessariamente você precisa estar ligado a algum movimento social, mas você pode ser precursor de um movimento. Incorporar temas à sua obra”, explica o ator, que além de teatro, já atuou em mais de vinte filmes e novelas.

A Plenos Pulmões traz como elemento importante a relação entre o poeta e o proletário, duas figuras centrais para entender a Revolução Russa de 1917. É um intuito da peça fazer refletir como ambas atividades são fundamentais e semelhantes. Nenhum processo de transformação social pode acontecer sem eles: é preciso modificar o poder pela mobilização popular e remodelar o pensamento por meio das reflexões culturais. Maiakóvski entendeu isso e sempre colocou o poeta em pé de igualdade com qualquer outra classe contemporânea do processo de revolução que culminaria na Guerra Civil Russa e a instauração da União Soviética, em 1922.

“Nenhum autor tinha me mostrado tanto o quanto escrever é um atividade de produção”, ressalta Chirolli. “Não é ter talento para rimas, não é ter vontade de agradar, não é esperar que as palavras apareçam. A quantidade de horas para um poeta conseguir um verso pode ser a mesma quantidade de horas que um trabalhador gasta no ofício”, acrescenta.

Maiakóvski era tão empenhado no trabalho de escritor que dormia de 3 a 4 horas por dia e sofria muito de insônia, conta Chirolli. Um trabalho tão carregado de esforço que atravessou gerações e chegou ao Brasil de hoje: em discursos pós-golpe, na peça dirigida por Abujamra e no poema O Amor, musicado por Caetano Veloso e cantado por Gal Costa:

 


Para entender melhor

Separamos algumas indicações de livros e filmes para quem quiser explorar mais o universo da Revolução Russa e compreender melhor o assunto. Dá uma olhada!

5 livros para entender a Revolução Russa:

  1. A REVOLUÇÃO DOS BICHOS

O livro de George Orwell, escrito em plena Segunda Guerra Mundial e publicado em 1945, é uma fábula sobre poder. Ele narra a insurreição de animais de uma fazenda que estão saturados de seus donos, mas o que vem com isso é uma tirania dos próprios animais muito mais agressiva do que a dos homens. O livro narra uma história de corrupção e traição e recorre a figuras de animais para retratar as fraquezas humanas e demolir o “paraíso comunista” proposto pela Rússia na época de Stalin. A revolta dos animais contra os humanos é liderada pelos porcos Bola-de-Neve (Snowball) e Napoleão (Napoleon). Os animais tentam criar uma sociedade utópica, porém Napoleão, seduzido pelo poder, afasta Bola-de-Neve e estabelece uma ditadura tão corrupta quanto a sociedade de humanos.

 

 

 

2. DEZ DIAS QUE ABALARAM O MUNDO

Em “Dez dias que abalaram o Mundo”, o jornalista norte-americano John Reed inaugurou a grande reportagem do jornalismo moderno.  No livro, ele narra os acontecimentos na cidade de Petrogrado durante a Revolução Russa de 1917. A Universidade de Nova York elegeu este livro como um dos dez melhores trabalhos jornalísticos do século XX. Reed conviveu com Lênin eLeon Trotsky,além de acompanhar assembleias e manifestações de ruada época e ajudar a fundar o Partido Comunista Operário americano, como dissidência do Partido Socialista. Esta edição traz apêndice com notas e textos de panfletos, decretos, ordens e resoluçõesdos principais personagens e grupos ligados à revolução, além de introdução assinadapelo historiador A. J. P. Taylor.

 

 

3. OS ROMANÓV

Os Románov foram a mais bem-sucedida dinastia dos tempos modernos, tendo governado um sexto da superfície da Terra. Neste livro, o premiado historiador Simon Sebag Montefiore revela o mundo secreto de poder ilimitado e a implacável construção de um império fervilhante, repleto de conspirações palacianas, rivalidades familiares, excessos sexuais e extravagâncias selvagens. O autor revela como a história da família Romanóv está escrita a sangue, com pais que matavam e torturavam os filhos, filhos que envenenavam os pais, czarinas a assassinarem os maridos e toda uma série de práticas horripilantes que parecem saídas de um livro de ficção. O livro revela a história que antecede a Revolução Russa e traz um estudo universal do poder.

 

4. O FIM DO HOMEM SOVIÉTICO

O povo russo assistiu com espanto à queda do Império Soviético. A política de abertura do governo Gorbatchóv impôs uma mudança drástica da estrutura social, do cotidiano e, sobretudo, da direção ideológica da população. Em O fim do homem soviético, Svetlana Aleksiévitch examina a vida das pessoas afetadas por essa transformação. Em cada personagem está um pouco da história russa — a mãe cuja filha morreu em um atentado; a antiga funcionária do Partido Comunista que coleciona carteiras abandonadas de ex-filiados; o velho militante que passou dez anos em um campo de trabalhos forçados. O livro traz um painel de russos de todas as idades que se movem entre a possibilidade de uma vida diferente e a derrocada da sociedade que conhecem. A ganhadora do prêmio Nobel de 2015 examina, assim, o fim da União Soviética.

 

 

 

5. A HISTÓRIA DA REVOLUÇÃO RUSSA

Apesar de ter sido escrito por um de seus principais participantes, Leon Trotski, não se trata de um livro de memórias. Baseada em uma pesquisa extremamente séria em arquivos, jornais e periódicos da época, esta é, sem dúvida nenhuma, a obra mais importante de Trotski, não só pela profundidade da análise, mas também pela beleza da escrita, que muitas vezes faz o livro parecer, de fato, um romance envolvente. Mas ele é muito mais do que isso. Muitos conceitos que hoje estão consagrados na historiografia e que são considerados objetos tradicionais de pesquisa foram tratados pela primeira vez em profundidade por Trotski em sua História: o problema do duplo poder, a lei do desenvolvimento desigual e combinado na história, a análise das forças de classe e mecanismos políticos da Revolução de Fevereiro, a relação entre revolução agrária e revolução urbana, o conceito de bonapartismo para definir o governo Kerenski, o problema da insurreição armada e muitos outros. O livro concentra-se no processo revolucionário em si: começa com a descrição da Rússia no período imediatamente anterior à revolução e termina com o II Congresso Pan-Russo dos Soviets, que instalou o poder soviético. 

 

5 filmes para entender a Revolução Russa:

1.STALIN (1992)

Stalin é um filme de televisão de 1992, produziu para a HBO, com Robert Duvall interpretando o líder soviético Joseph Stalin. O filme ganhou três prêmios Globo de Ouro. A filmagem foi feita em Budapeste, na Hungria e Moscou, na Rússia.O filme retrata carreira política e vida pessoal do ex-líder da União Soviética, Joseph Stalin (aço traduzido do russo), demonstrando o seu governo e como ele foi capaz de trazer a Rússia para um lugar de grande potência para o palco mundial, mas como conseqüência a destruição de sua família, bem como a morte de milhões de seu próprio povo. O processo de sua terror e crimes são bem retratadas no filme demonstrando em sua astúcia e crueldade como ele expurgadou da URSS de seus inimigos, bem como até mesmo seus próprios amigos. A história é narrada pela filha de Stalin, que desertou para os Estados Unidos em 1967.

 

2.ENCOURAÇADO POTEMKIN (1925)

Em 1905, na Rússia czarista, aconteceu um levante que ocorreu antes da Revolução de 1917. Tudo começou no navio de guerra Potemkin quando os marinheiros estavam cansados de serem maltratados, sendo que até carne estragada lhes era dada com o médico de bordo insistindo que ela era perfeitamente comestível. Alguns marinheiros se recusam em comer esta carne, então os oficiais do navio ordenam a execução deles. A tensão aumenta e, gradativamente, a situação sai cada vez mais do controle. Logo depois dos gatilhos serem apertados Vakulinchuk (Aleksandr Antonov), um marinheiro, grita para os soldados e pede para eles pensarem e decidirem se estão com os oficiais ou com os marinheiros. Os soldados hesitam e então abaixam suas armas. Louco de ódio, um oficial tenta agarrar um dos rifles e provoca uma revolta no navio, na qual o marinheiro é morto. Mas isto seria apenas o início de uma grande tragédia.

3.REDS (1982)

Pouco antes da Primeira Guerra Mundial, John Reed (Warren Beatty), um jornalista americano, conhece Louise Bryant (Diane Keaton), mulher casada que larga o marido para ficar com ele e se torna uma importante feminista. Os dois se envolvem em disputas políticas e trabalhistas nos Estados Unidos e vão para a Rússia a tempo de participarem da Revolução de outubro de 1917, quando os comunistas assumiram o poder. Este acontecimento inspira o casal, que volta à América esperando liderar uma revolução semelhante.

4.DOUTOR JIVAGO

O filme conta sobre os anos que antecederam, durante e após a Revolução Russa pela ótica de Yuri Zhivago (Omar Sharif), um médico e poeta. Yuri fica órfão ainda criança e vai para Moscou, onde é criado. Já adulto se casa com a aristocrática Tonya (Geraldine Chaplin), mas tem um envolvimento com Lara (Julie Christie), uma enfermeira que se torna a grande paixão da sua vida. Lara antes da revolução tinha sido estuprada por Victor Komarovsky (Rod Steiger), um político sem escrúpulos que já tinha se envolvido com a mãe de Lara, e se casou com Pasha Strelnikoff (Tom Courtenay), que se torna um vingativo revolucionário. A história é narrada em flashback por Yevgraf de Zhivago (Alec Guiness), o meio-irmão de Yuri que procura a sua sobrinha, que seria filha de Jivago com Lara. Enquanto Strelnikoff representa o “mal”, Yevgraf representa o “bom” elemento da Revolução Bolchevique.

 

5.ANASTÁCIA – A PRINCESA ESQUECIDA (1956)

Em Paris, no início dos anos 20, uma refugiada com amnésia (Ingrid Bergman) é salva da tentativa de suicídio pelo exilado russo general Bounine (Yul Brynner) e seu comparsas,. Entretanto, o motivo do salvamento está longe de ser altruísta, pois Bounine tem como objetivo fazer com que ela se passe como sendo a filha do último czar russo e assim receber pelo menos parte dos 10 milhões de libras que estavam reservado a qualquer membro da família real russa, pois oficialmente eles tinham sido mortos. Mas enquanto Bounine a treina para representar este papel ele gradativamente começa a acreditar, através de pequenas lembranças dela de sua origem real, que ela seja mesmo Anastácia, a última sobrevivente da dinastia dos Romanov.

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