O que a PUC tem a ver com a “ração humana” da prefeitura de São Paulo?

Na página “Colaboradores” da Plataforma Sinergia, empresa que supostamente produzirá o composto alimentar para o projeto de Erradicação da Fome da Prefeitura de São Paulo, aparece o logo da PUC de SP como colaboradora do projeto.

Que tipo de colaboração a PUC estaria oferecendo ao projeto? Algum subsídio de caráter nutricional, jurídico, teológico, sociológico, psicológico, ou uma estratégia de marketing social?

A Igreja Católica, através da Arquidiocese de São Paulo, apoiou a elaboração do projeto de lei que cria a Política Nacional de Erradicação da Fome em São Paulo e Promove a Função Social dos Alimentos. Segundo o Estado de São Paulo, o cardeal d. Odilo chegou a enviar uma carta ao papa Francisco pedindo bênção do pontífice ao projeto que consiste em distribuir um composto farináceo produzido a partir de restos de alimentos próximos ao vencimento ou descartados.

Como observa a vereadora Samia Bonfim (PSOL), no megaevento no auditório do Ibirapuera que marcou a sanção do projeto por parte do Prefeito João Dória, além de representantes de diversas igrejas, empresários e figurões de praxe, um ator chamou a atencão: a Plataforma Singenta. Plataforma Sinergia é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), cuja presidente Rosana Perrotti foi ex-diretora financeira da Monsanto e atual Controller na Mead Johnson Nutrition.

As principais críticas ao projeto oriundas de nutricionistas e pesquisadores de alimentos saudáveis referem-se ao fato de que as pessoas em situação de pobreza no município de São Paulo precisam de uma alimentação variada em cores e sabores como frutas, legumes e verduras e não ração composta a partir de restos, inclusive parcialnente já consumidos. Além disso, as empresas envolvidas no projeto poderiam se livrar do seu excedente, lucrando através de isenção fiscal e vendendo a imagem de que estariam cumprindo com sua função social.

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