Por Larissa Teixeira, aluna do 3o semestre do curso de Jornalismo noturno.

Literatura, música e teatro compõem as atividades de Cidade Tiradentes, bairro situado no extremo leste de São Paulo. Os grupos independentes promovem eventos livres para a comunidade em espaços comunitários ou disponibilizados pela prefeitura.

A 35 km da região central da capital, Cidade Tiradentes não tem museus, cinemas ou espaços para shows e concertos. Entretanto os moradores apresentam alternativas às atrações comuns em outros bairros da capital. Projeções de filmes, oficinas, cursos e peças, por exemplo, ocorrem em locais como a Fábrica de Cultura, o Centro de Formação Cultural e o Instituto Pombas Urbanas com programações gratuitas e disponibilizadas para todas as idades na região.

Além disso, no sábado (09/09/2017), dois eventos contaram com a participação de pessoas de outros locais da cidade, majoritariamente da zona leste. O “1º Encontro sobre Mediação de Leitura” e a “Batalha de MC’s” foram organizados por alguns dos movimentos em atividade na região.

Cooperativa de artistas – Cia. Teatral Aos Quatro Ventos

A Cia. Teatral Aos Quatro Ventos, o Núcleo Teatral Filhos da Dita e o Grupo de Circo Teatro Palombar integram a Cooperativa de Artistas. Criada em 2010 no processo de formação artística, realizada pelo Instituto Pombas Urbanas, os grupos produzem, apresentam espetáculos e formam novos talentos.

No caso da Companhia Teatral Aos Quatro Ventos, sabe-se já passou por diversas alterações com o passar dos anos. No presente, conta com três integrantes que criam a dramaturgia, os cenários e os figurinos. Em relação às peças, pode-se dizer que elas são baseadas ou adaptadas com base em outras obras.

Espetáculo “A Gata Ingênua”/ Reprodução

Os espetáculos são pensados para o público infanto-juvenil, mas isso não impede que outras pessoas assistam. A Cia. já se apresentou em diversos lugares de São Paulo, como o Museu da Língua Portuguesa, na Virada Cultural Paulista de Ribeirão Preto e no “XX Encuentro Comunitário de Teatro Joven”, que aconteceu na Colômbia, a convite da Corporación Cultural Nuestra Gente.

O coletivo independente utiliza o retorno financeiro dos espetáculos para se manter, porém segundo o ator da companhia Matheus Adepoju, 18, há quem não considere o pagamento adequado, pois diminuem as obras periféricas como “meras pecinhas”. Assim, a falta de reconhecimento é uma dificuldade.

A maior motivação do grupo é a energia do público. Para eles, teatro “é planar aos quatro ventos, semear arte, semear risos (…) a cada um que olhar um espetáculo”. Para o futuro, o objetivo é se apresentar em novos lugares e conseguir apoio privado para isso, uma nova montagem já está sendo produzida.

 

1º Encontro de Mediação de Leitura

O evento, que forma mediadores, trata do papel da literatura e a importância dos livros na Biblioteca Comunitária Solano Trindade. O coletivo Letras Pretas, um grupo de mediadoras, convidou o pedagogo e psicopedagogo Beto Silva, 32, para um encontro.

Morador de São Mateus, bairro vizinho de Cidade Tiradentes, Silva trabalha com a formação de leitores pelo Brasil. Hoje em dia, ele age na periferia do munícipio de São Paulo, justamente por ter nascido em uma região sem muitas bibliotecas. Ele visa garantir que outras pessoas deem continuidade a trabalhos assim. O projeto, que Beto Silva integra, atua em 24 estados do país, com inovações no campo educacional.

Foto Larissa Teixeira

Para o pedagogo, que gosta muito de leitura, ela é uma maneira de construir repertórios para enfrentar as adversidades da vida. “Eu coloco na literatura a condição de construir saídas, construir possibilidades”, afirma.. Em relação à biblioteca, ele a considera um ambiente de resistência para que o livro e a leitura continuem existindo a contar da participação popular, “Todas as pessoas, que estão dentro do território da Cidade Tiradentes, precisam reconhecer esses espaços e vir tanto pra propor quanto pra participar da programação”, solicita. “É um espaço mantido pela participação das pessoas e o que a gente quer é que ele esteja cada dia mais cheio”, conclui.

Já a Biblioteca Comunitária Solano Trindade existe desde 2001. Quando foi fundada não havia outras no bairro e até hoje o coletivo de esquerda Força Ativa a mantém sem ajuda da prefeitura, com exceção do projeto de formação de mediadores, aprovado no VAI (Valorização de Iniciativas Culturais). Trata-se um programa municipal que apoia atividades culturais financeiramente.

No primeiro sábado de cada mês, o coletivo se reúne para planejar os eventos que acontecerão no período. Eles não se limitam à literatura, além de slams e saraus, são promovidos debates e cursos, como o de Introdução ao Pensamento Marxista, que faz parte da programação de setembro.

De acordo com Suilan Cruz, 20, mediadora de leitura e membro do Força Ativa, o movimento de determinada atividade depende do objetivo. Frequentada, normalmente, pelos moradores do entorno, a biblioteca não tem muita visibilidade. “Eu acho que a galera precisa se apropriar do espaço, porque a gente tá sempre articulando atividades para que se apropriem, mas não é tão visto”, diz ela. Os projetos promovem o acesso à leitura e são essenciais para desenvolver ideias, mas, ainda assim, faltam participantes.

Batalha de MC’s – Big Bang: A explosão dos MC’s

Grupos de São Paulo participaram da batalha de MC’s na Casa de Cultura Hip Hop Leste, que teve premiação em dinheiro. Para estimular a cultura, mostrar talentos e divulgar o espaço, o evento contou com um mestre de cerimônias, dois DJs, oito grupos principais e mais dois pocket shows (artistas, menos reconhecidos, que mostram duas ou três músicas). Além disso, há o Microfone Aberto, em que alguém, fora da programação ganha a oportunidade de divulgar sua arte. Nesse caso, se não é possível que todos se apresentem no dia, os interessados são convidados para a próxima edição. A participação das mulheres no movimento, como MC’s, DJs entre outros, é incentivada.

Big Bang: A explosão dos MC’s/Reprodução

Para o promotor do evento e rapper D’Bronks (Anderson Silva), a batalha é gratificante. Ela já acontece há quase dois anos mensalmente, com alguns intervalos irregulares, devido à agenda de shows do organizador, na Casa de Cultura Hip Hop Leste. Outras edições haviam acontecido no Centro de Formação Cultural, que comportou os maiores públicos – cerca de 300 pessoas estavam presentes -, a Fábrica de Cultura Cidade Tiradentes e na Biblioteca Solano Trindade, onde estreou.

Leave a Reply