Por Mariana Ribas

As relações sociais, atualmente, consistem em uma dominação da elite sobre as demais classes, como disse o sociólogo e autor da “Elite do atraso” Jessé de Souza, no debate realizado na PUC-SP, com a participação do historiador Luiz Felipe de Alencastro. Eles criticam assuntos do livro como populismo e patrimonialismo, conceito que tenta compreender o modo de dominação, ou de poder, que atinge a sociedade, que mistura público e privado em função da própria elite.

O autor contou que suas pesquisas e, principalmente, toda a ideologia envolvida nas críticas e informações do livro, devem-se á grandes cientistas sociais e escritores culturalistas como Florestan Fernandes e Gilberto Freyre, “Nas obras de Florestan Fernandes o patrimonialismo é a ideologia predominante no povo brasileiro, e é isso que abordo e aprofundo no livro”.

Souza elaborou, no debate, o contexto histórico, e diz que a leitura patrimonialista que temos da história brasileira surgiu no governo de Getúlio Vargas(1930), quando se criaram “fábricas de opinião”, formando essa ideologia de classes atual. “Quando a elite paulistana percebe que perdeu seu poder político, mesmo ainda possuindo o econômico, ela monta um poder simbólico”.

Alencastro contextualiza a formação culturalista brasileira, e relaciona a formação do brasileiro e das classes sociais atuais com a escravidão, contrariando muitos escritores que ousaram falar sobre o assunto, sem se aprofundarem na história, “ Gilberto Freyre diz que ‘foi o negro que uniu o Brasil', mas não, foi o tráfico negreiro, ou seja, o africano”.

Leave a Reply