Por: Gianluca Florenzano

Brás, Bixiga e Mooca são sinônimos de bairros italianos em São Paulo.  A história do Clube Atlético Juventus e do distrito se confundem. Ambos foram fundados por imigrantes italianos, atraídos para a capital pela numerosa oferta de trabalho que havia nas indústrias. A faixa com o dizer “Mooca é Mooca e o resto é bairro” está sempre nos jogos do Juventus, um dos times mais tradicionais da cidade. Ela mostra o profundo sentimento de brandura que seus torcedores possuem sobre o bairro da zona leste.

Uma das figuras de maior destaque desse local foi o Conde Rodolfo Crespi, dono da Cotoníficio Crespi, que chegou a ser a maior tecelagem de São Paulo. A maioria dos imigrantes vindos da Itália, que se estabeleceram na Mooca, trabalhava nessa manufatura, tanto que em 1924 nascia o Cotoníficio Rodolfo Crespi Futebol Clube, formado exclusivamente por operários da fábrica de tecelagem do Conde. Em 1930, a assembleia da instituição futebolística se reuniu e resolveu rebatizar o time. Surgia então o Clube Atlético Juventus, nome dado em homenagem ao Juventus da Itália. Crespi cedeu um espaço que tinha no distrito, para que ali fosse construída a nova casa da agremiação. Localizada entre a Rua Javari e Rua dos trilhos, o campo esportivo leva seu nome, Estádio Rodolfo Crespi, mas é popularmente conhecido como Javari.

Divulgação: Site Oficial Clube Atlético Juventus

De acordo com os moradores da região, o amor pelo clube é passado de geração em geração. “O nosso amor e tão grande pelo Juventus e pelo bairro, pois ele foi fundado praticamente pela nossa família. Os bisavôs de todos aqui do bairro que fundaram os dois (distrito e time), por isso têm esse carinho todo”, disse Beatriz da Silva Paiva, uma torcedora do time. Angélica Brandão, sua amiga também fã do Moleque Travesso, como é conhecido à instituição futebolística, complementa: “a Mooca criou o Juventus. Nos jogos do time é como se todos daqui estivessem na Javari. Por isso que é um bairro tão especial, pois temos um clube que é só nosso”, discursa.

E, de fato, o amor da torcida tanto pelo lugar como pela equipe é grande. Nos jogos da agremiação em seu estádio, é possível ouvir os cânticos dos adeptos venerando o reduto de italianos: “somos do bairro da Mooca; bairro de luta e tradição” e “por toda a minha vida; moleque travesso; da Mooca querida”.

A atmosfera nos jogos do clube é algo extraordinário como costuma relatar os juventinos. “A Javari é um lugar único, aqui torcemos a moda antiga”, fala Paiva, “mantemos a tradição de torcer, nos recusamos a ser padrão FIFA”. A torcedora se refere ao fato de equipes grandes de São Paulo, principalmente Corinthians e Palmeiras, terem arenas modernas que não possuem mais o “cimentão”, todos os setores têm cadeiras, o que inibe, de certa maneira, de os adeptos pularem durante os jogos.  Nas partidas do Juventus é comum escutar o grito “ódio eterno ao futebol moderno”. “Nenhum lugar da Javari têm cadeiras, aqui somos ‘uma geral’ (setor do estádio onde a plateia assiste ao jogo de pé, e onde geralmente ficam as torcidas organizadas), e queremos que permaneça assim, não queremos nos transformar em torcedores ‘coxinhas’”, enfatiza a amiga.

O time da Mooca não conseguiu ganhar nenhum título de grande relevância – as principais conquistas foram o Campeonato Brasileiro da Série B em 1983, e a Série A2 do Paulista em 1929 e 2005 -, mas isso pouco importa para a sua torcida apaixonada, “torcemos por um time e não por conquistas”, ressalta Brandão. Atualmente, o Juventus não está em nenhuma divisão, disputa a Copa Paulista que dá acesso para a Série D. Outros clubes tradicionais de São Paulo estão nesse torneio, como a Portuguesa, o São Caetano do Sul e Ferroviária.

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