“Estamos em guerra e ela tem região e tem cor”, diz especialista

Luciana Zaffalon, profissional em Administração Pública, discursou na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Por Sarah Santos e Yasmin Marchiori

Seminário de lançamento: Plataforma de Políticas Públicas – Projeto Brasilianas: Saídas para o Brasil crescer. Foto: Sarah Santos

“A guerra garante o extermínio e o aprisionamento de uma parcela da população ao mesmo tempo que garante uma blindagem de uma determinada parte da sociedade”, disse Luciana Zaffalon Coordenadora Geral do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM) no Seminário de Lançamento: Plataforma de Políticas Públicas – Projeto Brasilianas: Saídas para o Brasil Cresce. O evento ocorreu na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC – SP), no último dia 06.

Graduada em Direito pela PUC-SP, mestre e doutora em Administração Pública e Governo pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), Zaffalon, atual Coordenadora Geral do IBCCRIM, participou do bloco sobre Justiça e Sociedade, onde abordou temas relacionados à desigualdade social, violência da polícia militar e salários dos funcionários públicos em carreira jurídica.

Luciana Zaffalon durante discurso no evento. Foto: Sarah Santos

“É preciso olhar para a justiça e tentar entender se de fato é possível, na estrutura que temos hoje, que exerçamos algum controle real sobre ela. Vale lembrar quem é o profissional a quem precisaríamos exercer algum tipo de controle”, afirma Zaffalon ao tratar do monitoramento que a sociedade pode exercer sobre a justiça. A coordenadora falou também sobre e diferença entre um funcionário de carreira jurídica e outros membros da sociedade. Como exemplo ela citou o linguajar: “Como contrariar algo que não entendemos?” Zaffalon apresentou um estudo latino americano realizado em 2013, sobre a sociedade carcerária de São Paulo. Nele, concluiu-se que apenas 13% dos presos compreendem tudo do que acontecia em suas audiências. “Não estamos entendendo o que está acontecendo na justiça e isso é determinante para nossa democracia de maneira marcada e visível para todos nós.” disse.

“Em 2015, tivemos o segundo maior número de mortes por intervenções policiais dos últimos dez anos, ficando atrás apenas de 2014. Em 2017 já batemos novos recordes de mortes decorrentes da violência policial, afirma a especialista no assunto, que apresenta o fato de essas mortes serem recorrentes em classes sociais desfavorecidas, em regiões periféricas e com a população negra.

Para concluir sua participação no seminário, Zaffalon aponta a dualidade dos gastos públicos. “Vivemos nesse momento depois da emenda constitucional, um momento de cortes dramáticos para garantia de dignidade mínima de subsistência. De outro lado, temos um sistema de justiça que tem acumulado grande parte do nosso orçamento público para garantir determinados rendimentos que fogem da média geral da população e da média de rendimentos de outras carreiras públicas de nível superior”.

Mesa de Justiça e Sociedade. Foto: Sarah Santos

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