A truculência militar de 40 anos atrás, ainda é presente nos dias de hoje

‘Lembrar significa dizer não, mais uma vez’ diz Vera Placco, que já era professora da Pontifícia Universidade Católica quando ocorreu a invasão em 1977.

Com o início da Semana dos 40 anos da invasão da PUC- SP, as homenagens não servem apenas para homenagear, segundo a docente, mas também para reafirmar o autoritarismo, a ditadura e a “nossa” revolta. Ela acrescenta, “estamos muito apáticos em relação às questões políticas atuais, precisamos lembrar justamente para garantir que essas arbitrariedades não aconteçam de novo e que seja um lembrete da nossa necessidade de participação”.

“Mesmo que professores e alunos da PUC tenham historicamente se posicionado frente às questões políticas. Hoje, parecemos ser mais politizados no discurso. Tomando partido com homenagens, como o dos 40 anos de invasão, permanecendo uma universidade politizada, reafirmamos de maneira mais categórica as nossas convicções, lutas e aspirações.”

A professora pretende participar das homenagens e palestras que irão ocorrer durante toda essa semana na Universidade e reconhece que apesar de já terem se passado 40 anos, a forma de ‘colocar ordem’ da polícia militar continua truculenta, e isso se dá porque não houve força dos nossos políticos, que não começaram a mostrar essa face auto defensiva e autocomplacente apenas nos dias atuais, ao julgar e condenar pessoas que participaram ativamente nas atrocidades ocorridas durante a Ditadura Militar.

A docente ainda faz um alerta, mencionou que havia lido que o general Antonio Hamilton Mourão havia informado em uma palestra que “caso as coisas não melhorassem, eles teriam que intervir”. Para ela, esse tipo de discurso instaura uma sensação generalizada de que 2018 (ano de eleição presidencial) será um desastre. “E é nesse ambiente político, que homenagens como essas, são formativas, tem o poder de formar uma nova geração de políticos, que são a esperança do nosso país”.

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