Delegado plantonista do 4º distrito policial, Fred Reis de Araújo, demonstra seu

desapontamento e frustração diante as ações do Estado.

Por Jennifer Dias

4º DISTRITO POLICIAL, CONSOLAÇÃO

  O 4º Distrito Policial fica na Rua Marques de Paranaguá 246, Consolação. Do lado de fora havia carros da polícia estacionado e a estrutura era grande, de cor clara e com algumas vegetações. Ao entrar no departamento até a recepção, o recepcionista estava atendendo uma mulher. Prontamente, um funcionário baixo de cabelos brancos que aparentava ter seus 50 anos se comprometeu em atender, disse-lhe que gostaria de falar com o delegado e ele respondeu que o delegado não estava. Após um tempo, o delegado plantonista (que não estava de plantão esse dia) se propôs em ser entrevistado. Fred Reis de Araújo era o delegado de olhos escuros e cabelos grisalhos que nos concedeu a entrevista a seguir.

Fala-me do senhor, onde se formou? Me formei no Mackenzie, entrei no direito aos 21 anos.  

 Qual a maior dificuldade na sua profissão? Falta de prerrogativa e recursos- materiais e financeiramente. (Nesse momento começou a apontar as coisas de cima de sua mesa. Tocou na luminária e no computador e entre outras coisas.) Está vendo essas coisas?  Eu comprei com meu dinheiro, não ganhei do estado. Acredito que a falta de liberação para eu entrar na casa de um suspeito quando eu quiser, sem esperar a autorização da jurisdição torna difícil a investigação. Quer dizer, o meu trabalho já faz algo totalmente cruel, a gente prende. Ou seja, tiramos a liberdade de alguém. Então, o que há de pior a ser feito eu já fiz, eu prendi o cara. Dessa forma, não deveria ser proibido eu entrar na casa dele e procurar provas.  

Qual a relação e como é a relação da polícia civil e a PM? São serviços diferentes se comparada, poucos sabem disso. Polícia civil investiga, busca evidencias. A polícia militar trabalha de forma ostensivo. Temos uma relação boa, mas as vezes procuram questionar e se aventurar em investigações que não cabem a eles. É quando gera um conflito.  

A quanto tempo está no departamento? Estou a 7 anos, mas não fico somente nesse. Trabalho em outros distritos também.  

Quais são as estatísticas dos crimes? Quais são os principais? Sobre as estatísticas não saberei te responder, mas aqui nesse departamento os principais são estelionato, roubo e furto de celulares. Não tem tantos casos mais pesados pois de ser o centro há muito policiamento, de forma que fica difícil os criminosos andarem armados.   

O B.O eletrônico possui mesmo uma eficiência? Sim, na verdade, é a mesma coisa. É mais para o caso de não ficar precisando vir aqui fazer. Então, a pessoa que trabalha nessa parte envia para o delegado e se caso algum não estiver bem esclarecido é chamado para que venha relatar o caso pessoalmente. O B.O eletrônico é mais uma forma de informação para ajudar-nos a saber mais sobre os crimes.

O que você diria da Secretaria de Segurança Pública? Confesso que acho estranho o fato de o chefe ser um promotor. Acredito que como se trata de segurança publica faria mais sentido se um medico ou talvez até mesmo um delegado ocupasse esse cargo.  

A partir do término das interrogações, doutor Fred contou histórias e relatou casos da sua profissão e falou sobre a corrupção nessa área.   “ Eu pago por algo que foi a muito tempo atrás” referindo-se a fama da polícia antigamente na época da ditadura. Comentou também que São Paulo esta com pouquíssimos Policiais Civis, que o Estado procura ter mais policias militares para dizer para o povo que esta preservando pela segurança quando na realidade não estão. “ Cada dia mais carros da polícia enfeitando as ruas, mas se eles querem investigar, por que chamar atenção? No final, tudo não passa de propaganda”   Passado um tempo um homem entrou na sala, usava um terno bege e uma gravata escura com listras amarela, com ele segurava nas mãos um saco plástico que continha no mínimo oito celulares. Todos celulares aprendidos junto com os criminosos. Assim que o delegado titular saiu de sala, doutor Fred de Araújo comentou que o Brasil é o único país a ter delegado, a ter um chefe de polícia. Disse também, que fora do país os policias são muito admirados e um exemplo disso foi que ele não precisou pagar para entrar no museu de polícia por ser policial. “Eu não precisei apresentar meu documento, o homem da portaria disse que acreditava em mim e que os policiais do Brasil são muito admirados”. Continuou a dizer que o Estado de São Paulo é o que menos paga nos serviços policiais, que no Paraná e outros estados os policiais recebem melhor. Ele decide se mudar em breve da cidade. Doutor Fred de Araújo em toda a entrevista deixou claro seu desapontamento com o estado, percebe-se ser um homem que ama o que faz pois ele acorda as 8h da manhã e vai até as 20h, segue então para o distrito policial do Jardins e trabalha lá até as oito da manhã. E segue nessa rotina com curtos intervalos e descansos. “Eu não tenho tempo nem de tomar banho, mas não reclamo porque realmente amo o que eu faço, cada dia é algo diferente. Não me vejo fazendo outra coisa”          

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