Nome de peso no JornalismoMarília defende a volta da obrigatoriedade do diploma de jornalistaporém critica a precariedade do ensino na maioria das faculdades de Comunicação do País

Por João Pedro Freitas

São 41 anos dedicados ao Jornalismo com uma vasta e consolidada carreira. A vocação para a profissão começou aos 11 anos de idade: lia e corrigia textos dos jornais da época, comprados muitas vezes com dinheiro economizado de suas mesadas. “Posso dizer que já nasci jornalista, sempre fui muito curiosa, gostei de ler e escrever “, se orgulha. Formada pela Faculdade Cásper Líbero, tem como principais referências os jornalistas Cláudio Abramo, Woile Guimarães, Luiz Fernando Mercadante, Armando Nogueira, Alice Maria e Fernando Mitre. Iniciou a carreira na revista Manchete em 1976 como repórter. Dois anos depois, Folha de S.Paulo, onde exerceu a mesma função. Em seguida foi contratada pela Rede Globo-SP, onde trabalhou por 12 anos, inicialmente foi repórter e depois editora-chefe.

Em 1991 mudou para a TV Cultura e dessa vez ocupou o cargo de diretora de Jornalismo. De lá seguiu para a sua primeira de três passagens na Band, como chefe de redação e diretora de Jornalismo. Em 1997 trabalhou na TV PUC-SP, época em que a emissora tinha apenas quatro anos de existência e acumulou múltiplas funções na área.Após deixar a TV PUC-SP, migrou para o Jornalismo voltado para o agronegócio, sendo diretora-chefe do Canal Rural; posteriormente voltou para a Band e chefiou o Terra Viva na emissora. Ao término de sua segunda passagem pela Band, fundou a assessoria de imprensa Deadline e ao mesmo tempo ocupou o cargo de diretora-executiva do Jornal do Norte, em Manaus-AM onde permaneceu por um ano e meio. Em seguida teve a sua terceira e última passagem pela Band-SP, quando participou ativamente da instalação do Jornal da Noite e foi a primeira editora-chefe do programa.Trabalhou também na Rede TV, onde ficou por seis anos, cinco ocupando a função de chefe de redação e um como diretora de Jornalismo. De 2011 até agora vem atuando com assessoria política, voltada para campanhas eleitorais.

Ao contrário do que muitos pensam, o Jornalismo não se resume apenas à frente das câmeras. É nos bastidores que ocorre a produção da notícia, e profissionais de calibre como Marília Assef fazem toda a diferença na área. Na formação de equipes de repórteres, apresentadores, editores e cinegrafistas, a informação é lapidada e apresentada de forma mais isenta e completa para o público.

Jornalistas experientes estão diminuindo no mercado de trabalho atual, pois com a crise vivida pelo país muitos estão sendo demitidos das empresas e substituídos por profissionais que estão ingressando na área, os quais recebem salários inferiores, para cortarem gastos. “Temos assistido os jornalistas virarem pessoas jurídicas, dando assim menos gastos aos seus empregadores”, comenta ao criticar a constante queda na remuneração dos profissionais da área.Marília discorda da não obrigatoriedade do diploma no Jornalismo, porém afirma que o ensino na maioria das faculdades de Comunicação do país é precário e precisa ser reformulado. Segundo ela, a teoria é muito importante porém é preciso olhar com mais atenção para a parte prática. “Muitos jovens que estão começando na área não possuem noções mais básicas para atuar, têm a Internet e os meios de comunicação a seu favor, porém precisam se aprofundar nos conhecimentos gerais, terem mais interesse e cultura. A contribuição da Internet é inegável na evolução do Jornalismo. Mas se por um lado, a velocidade na informação é essencial, por outro pode se transformar numa grande lacuna quando o assunto é o conhecimento sobre o tema tratado. É preciso apurar a veracidade das informações e não acreditar em tudo que se vê na internet”.

Ela relembra de 1993, quando esteve alguns meses nos Estados Unidos e se surpreendeu com a dinâmica do Jornalismo norte-americano. “Fiquei fascinada com a modernidade da comunicação, os jornalistas de lá já trocavam e–mails, enquanto no Brasil a internet era incipiente”, recorda.

Foram muitas conquistas e contribuições. Marília afirma não ter nenhum novo desafio em específico pois já atingiu tudo que almejou, porém não pretende encerrar a carreira.” O mais importante é não parar e continuar sempre na ativa, aberta a novas oportunidades”. O Jornalismo brasileiro agradece.

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1 comment

  1. Fernando Magatti

    Primeiramente, a matéria ficou muito bem escrita. Concordo imensamente quando é dito que falta prática no ensino nas faculdades de comunicação. Sou estudante de Jornalismo e tenho vergonha de onde estudo. Tenho aulas de Cibercultura que retrata bastante o assunto da evolução da Internet no Jornalismo, e nunca tive uma aula prática em laboratório de informatica. Infelizmente os “diplomas” estão sendo “dados”, mesmo com a não obrigatoriedade para exercer a profissão. Sinto essa mesma necessidade de maior cultura, de maior aprendizado prático, jornalismo não se faz com canetas, mas sim com câmeras, com pautas , e cultura.