Furtos, roubos e estelionato lideram ocorrências em Delegacia nos Jardins.

Por: Gabriela Lucena, João Pedro Freitas e Laura Barbosa
De São Paulo

Com mais de mil prisões em flagrante no ano passado, o Distrito Policial (DP) 78º localizado na Rua Estados Unidos, 1608 – Jardins, bairro nobre de São Paulo, funciona 24 horas, tendo seu horário de pico entre às 15h até às 18h, sendo as quintas-feiras e sextas-feiras os dias mais movimentados. Contudo, o distrito também funciona como central aos finais de semana e durante a noite, acumulando mais duas áreas o 4º e 5º DP, além do 78º. A DP atende os mais diversos tipos de ocorrências como: porte de entorpecentes, apreensão de entorpecentes, porte ilegal de armas, pessoas presas em flagrante, etc. De acordo com os dados estatísticos disponíveis no site da Secretaria da Segurança Pública, as principais ocorrências do 78º DP são furtos. Só em 2016, foram registradas cerca de 7807 ocorrências. Já em 2017, foram registradas 5600 até o momento.

Em entrevista com o delegado plantonista Severino Pereira de Vasconcelos, 54, formado em direito em Mogi das Cruzes, que já trabalhou em outros Distritos (34º, 37º, 103º, 102º e outros), ele afirma que toda delegacia territorial possui uma diferença. No caso do Jardins, Severino conta que a maioria dos casos que são levados para ele são furtos, os autuados são geralmente homens entre 18 e 28 anos de idade, e as pessoas vitimadas são na maioria das vezes mulheres.


Foto: Laura Barbosa

Apesar de trabalhar atualmente em um dos melhores DP de São Paulo,  Severino critica a carência de efetivos na polícia civil, atrelando isso como uma das dificuldades de sua carreira, pois a demanda é muito grande e muitas vezes não conseguem dar vazão. Para o delegado, o ideal seria ter o triplo de escrivães e investigadores, ajudando assim o desempenho do trabalho. Ao ser perguntado sobre os salários da polícia, ele conta que todo ano, em meados do mês de Março, acontece um reajuste de remuneração que é concedido pelo o governo do Estado, dando um aumento para os funcionários públicos estaduais nas carreiras policiais.

Em entrevista concedida a TV UOL, o novo comandante da rota de São Paulo, o tenente coronel, Ricardo de Mello Araújo, 46, afirma que a abordagem nos Jardins precisa ser diferente da periferia. Ao ser questionado sobre tal posicionamento, Severino concorda que a atuação deve ser diferente, pois “se nós tivermos a atuação da polícia militar na periferia de uma forma cortês, de uma forma, vamos dizer assim, não muito bem contundente, ela não será bem interpretada e a reação é evidente. Então, você tem que se impor realmente porque nós temos uma situação de maior probabilidade de conflito. Enquanto no Jardins, uma área mais urbanizada, o policial pode agir com menos energia que rapidamente o entorno não vai ser hostil”. Questionado também sobre se há um teor político na atuação da polícia em manifestações, o delegado diz que todos os manifestantes devem ser tratados da mesma forma e que apenas aqueles, independente de sua posição ideológica, que cometeram crime durante o ato devem ser autuados. Porém, ignora os diferentes tratamentos de fato recebidos por grupos de ideologias distintas. É notória a atuação do batalhão de CHOQUE que em algumas manifestações a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016, tiravam fotos e abraçavam manifestantes. Enquanto em manifestações contrarias ao impeachment da ex-presidente eleita, atuavam de forma violenta, mesmo sem motivos que legitimassem a   ação.

Após uma longa conversa com o delegado plantonista, chegou a hora de entender um pouco o trabalho da escrivã plantonista, Pricilla Figueiredo, 32, formada em direito na PUC-SP que contou que seu trabalho é auxiliar o delegado(a) e a instrução dos atos que recebem diariamente, sendo equivalente ao um escrevente no poder judiciário. No caso dela que, trabalha como plantonista, Pricilla faz as peças dos flagrantes, monta os inquéritos e constrói os expedientes que vão para o fórum. A escrivã criticou também a falta de funcionários no DP, “o maior desafio hoje, é falta de condição de trabalho, pois a gente têm poucas pessoas, pouco material, muito crime. A gente tem a vontade de trabalhar e não tem os meios”.

Durante a entrevista, um autuado chegou na DP e foi levado para prisão provisória que existe lá dentro. Segundo os entrevistados, os autores do crime ficam presos preventivamente até elaborarem os flagrantes, depois são apresentados na audiência de custódia e assim o juiz determina se irão ficar presos preventivamente ou serão libertados. Ao entrar em uma das celas, é possível sentir o cheiro dos vasos sanitários que, na verdade, são buracos no chão. É possível perceber que todas as cadeias provisórias no local eram sujas e escuras, deixando o detento em condições precárias.

Foto: Laura Barbosa

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