Por Wesley Morais



“Uma multidisciplinaridade que transforma objetos do nosso dia a dia em poesia cortante”. É assim que a arquiteta baiana Lúcia Santos descreve a primeira exposição individual de Nino Cais, intitulada, Ópera do vento.

A mostra exposta na Casa Triângulo até o último mês de maio contou com uma instalação composta por 85 suportes de partituras, além de 35 intervenções do artista, feitas em páginas de livro, 30 desenhos, cinco objetos e um vídeo. Nino Cais aborda o caráter imaterial da obra de arte através de sua vasta pesquisa em viagens, quando antes de se preocupar com museus e pontos turísticos, ele sai em uma verdadeira odisseia à procura de sebos. “Para mim é como mergulhar dentro da cidade atrás de sua história” conta, enquanto explica as histórias por trás de suas obras.

Uma das histórias que Cais conta é a que está por trás da obra que dá o nome à sua exposição, "Ópera do Vento". A instalação composta por 85 estantes para partituras nas quais o artista leva o espectador a navegar através de imagens de conchas a ideia do som e também do silêncio. “Aprendemos ao visitar uma praia ou na escola que as conchas possuem uma certa peculiaridade natural que se dá pelo som que é encontrado dentro delas, provocado pelo ar que ali situa, até então, temos um som isolado como qualquer outro instrumento, sem a melodia de uma ópera”, explica antes de inserir a ideia do silêncio em todo seu conceito: “O silêncio compõe o som, a música, uma melodia não existe sem o silêncio, é preciso dele para isto. Um pianista por exemplo, tem que esperar um tempo descrito sem tocar uma nota”.

Foto de divulgação



Além de contar com a instalação de partituras que juntas se assemelham ao formato de uma onda, ocupando um significativo espaço do salão da Casa Triângulo, a mostra também traz imagens de outros livros apropriados pelo artista em suas pesquisas, onde ele aborda a ideia da extensão da imagem e sua poética, além de críticas ao mundo cinematográfico e ao glamour da fama. Na coleção de recortes chamado “Chorona”, Cais utiliza de bijuterias e imagens com poses de mulheres famosas para retratar o sofrimento e males do mundo da fama onde, por trás da mulher bonita e elegante existia também a pessoa depressiva e por muitas vezes solitária.

Foto de divulgação



Cais e sua Ópera conseguem prender os espectadores, que precisam caminhar em passos lentos, sem pressa, para absorver a proposta de cada obra. Para o artista, a compreensão da imagem um processo demorado, dado a sua complexidade. “Uma imagem pode ter diversos significados para alguém. Quando coloco meu olhar sobre a lupa e começo meu processo de degustação das imagens, onde eu navego através da significação dela naquele dado momento e a deixo guardada para então certo tempo depois olhar novamente sob ela e receber seus novos significados”, afirma Cais. Ele assim flerta com o método da neurolinguística, onde as pessoas atribuem novos significados para as coisas através de novos acontecimentos e mudanças.
 

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