Por Isabela Rovaroto e Wesley Ribeiro

Placas brancas de carro com palavras brancas. Na instalação “Pra Que”, Eliane Prolik busca o “potencial de confronto entre a palavra e a imagem”. A artista curitibana promove um duplo embate com o espectador e a sua própria obra que se encontra no 2º andar da Pinacoteca de São Paulo: Por um lado, gravuras do tempo da colonização brasileira são confrontadas com obras contemporâneas, como a de Prolik. Por outro lado, a obra da artista sugere que o visitante tente construir frases e imagens a partir da instalação.

 Instalação “Pra Que”, Eliane Prolik (FOTO: Isabela Rovaroto)

Instalação “Pra Que”, Eliane Prolik (FOTO: Isabela Rovaroto)



Ao caminhar calmamente e olhar crítico frente ao quadro “Proclamação da República” de Benedito Calixto, a advogada aposentada Antônia Dratenberg (66) se esforçou para permanecer na sala e analisar a obra, vencida, acabou optando pela saída da sala 14 segundos após a sua entrada. Questionada, ela sussurrou bem de perto: “Eu não compreendi o do porque dessa obra aqui em frente em um corredor cheio de quadros de pinturas da história do povo brasileiro. Não tem pra que”.

Mas tudo não passa de uma tática da curadoria da Pinacoteca em tentar confrontar as pessoas que visitam o seu acervo de exposições temporárias, que são divididas em 4 salas. Segundo Rodrigo Albuquerque, monitor da Pinacoteca “a ideia da curadoria é desafiar o espectador para que ele não fique preso em apenas um estilo artístico, mas que também veja obras contemporâneas em contraponto com gravuras brasileiras, que ele compare as duas e pense na evolução do fazer artístico e da época em que ele se encontra”. o monitor ainda afirma “que é natural que as pessoas perguntem aos monitores o motivo de existirem paredes cinzas com obras que não condizem com as obras expostas no ambiente”.

Instalação “Pra Que”, Eliane Prolik (FOTO: Isabela Rovaroto)



A ideia dos curadores fazem com que os visitantes tenham visões distintas. Ao encarar a obra “Pra Que” afirma não ter sido surpreendida mas convidada a navegar nas placas brancas, onde segundo ela “é possível ver a comparação com a forma de pensar do cérebro humano, tão rápido que às vezes nem chegamos a ver e analisar o que estamos pensando, assim como carros que passam rápidos e mal podemos ver e anotar a identificação em sua placa”. A visitante acaba seduzida pela obra: “Nossa linguagem funciona assim, cada palavra dita é anexada a outra que está em movimento, enviado quem sabe, por outra “placa”; é como ser criança novamente e brincar de formar frases”, afirmou Roberta, sorrindo de forma encantada pelas próprias lembranças.

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