Por Luíza Lara e Carolina Rocha

Manifestação como estratégia de sobrevivência

O centro de São Paulo foi tomado por centenas de mulheres no dia 17 de junho. Tendo como ponto de partida a Praça Roosevelt, a caminhada de mulheres lésbicas e bissexuais começou as movimentações com uma batalha de rimas do coletivo Dominação - A Batalha e as poesias de Aline Anaya. As atividades pré-caminhada, que tiveram início no dia 9 de junho, contaram com diversas rodas de conversa, abordando pontos como política, saúde e maternidade.

Em 2016 a marcha explorou as discussões de gênero nas escolas, e construiu suas atividades com base no mote “O grito de resistência das lésbicas e bissexuais periféricas não será mais sufocado!”. Neste ano, com o tema “Luanas e Katianes, quantas mais? Resistimos!”, o ato relembrou o assassinato de duas lésbicas, Luana Barbosa e Katiane Campos de Gois, e colocou em pauta um grave problema: mulheres que morrem por conta da orientação sexual que possuem.

Ao longo do percurso, diversas palavras de ordem foram gritadas, espontaneamente ou por meio de jogral. As discussões não giraram em torno apenas de direitos femininos e de gênero, mas também abordaram a conjuntura política e as medidas tomadas pelo atual prefeito de São Paulo, João Dória, em relação às reformas.

Assista ao trecho de uma das intervenções feitas durante a caminhada:

O ato, que já está em sua 15º edição, ocorre com o intuito de evidenciar a existência dessas mulheres e colocar em pauta suas questões. Em junho, o mês do orgulho LGBTT, diversas atividades de conscientização ocorrem, e o evento com maior visibilidade é a parada LGBT, que ocupa a Avenida Paulista e é considerada a maior do mundo. Contudo, a hiperrepresentatividade gay no evento é um dos pontos de discussão a respeito da importância da caminhada Lésbica e Bissexual. Antes chamada de parada gay, a manifestação em prol da diversidade tem tomado contornos mercadológicos e, para muitos movimentos, abandonado seu foco de luta.

Para além disso, a centralidade na questão do homem homossexual, apontada por alguns grupos, faz com que o evento deixe de abordar especificidades presentes na vivência de mulheres das mais diversas orientações sexuais, e a caminhada LesBi se torna um espaço para que essas questões sejam expostas com o cuidado que exigem e de maneira segura, como nessa intervenção feita durante o percurso:

O evento terminou na praça da república, e contou com apresentações culturais como a roda de coco, prática tradicional que surgiu nos quilombos e nasceu da união da cultura negra com povos indígenas, além de duplas e grupos musicais formados por mulheres, como o Convicção Negra- Hip Hop Militante e o Obinrin Trio.

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