Por Tatiana Maria

As salas de cinemas no Brasil tiveram público recorde no ano passado, o número de espectadores pagantes atingiram um total de 184,3 milhões. Em 2014 foram 155,6 milhões e em 2015, 173 milhões de espectadores. Os dados são da Agência Nacional do Cinema (Ancine) que estima que o mercado cinematográfico brasileiro teve uma renda bruta de R$ 2,6 bilhões em 2016.

O setor também comemorou a renda de R$362 milhões obtido através da produção de conteúdo audiovisual nacional que correspondeu em 2016 a 14%. No mesmo período foram lançados 143 obras nacionais com 30,4 milhões de espectadores, número que corresponde a 16,5% do público total das bilheterias. Este crescimento consecutivo vem ocorrendo deste de 2007, quando o faturamento do mercado cinematográfico injetou na economia brasileira R$ 8,7 bilhões. Sete anos mais tarde, em 2014, esse valor triplicou para R$ 24,5 bilhões.

Entre 2007 e 2013 o setor audiovisual cresceu 66% em uma média de expansão contínua de 8,8% ao ano. As salas de cinema, que em 2002 correspondiam a 1.635 salas tiveram um aumento de 184%, acumulando em 2015 um total de 3.005.

Produção Independente

A produção independente de conteúdos para TV motivou o crescimento do setor e ocasionou uma mudança radical nos hábitos dos telespectadores brasileiros. Pela primeira vez no país a TV por assinatura ultrapassou as atividades vinculados ao segmento da TV aberta. Entre 2007 e 2014 a TV aberta diminuiu 22,2%, enquanto a TV paga cresceu 21,4% chegando em 2014 a se tornar a maior receita do setor correspondendo a 50% do valor arrecadado.

Devido sua expansão, o setor audiovisual brasileiro recebeu a partir de então visibilidade e receptividade, e difundiu seus filmes, séries e animações dentro e fora do país. Seu crescimento acentuado foi ampliado principalmente pelas políticas públicas de regulamentação. A lei da TV Paga publicada em 2011 forçou a redução do preço da Tv por assinatura e obrigou a inserção de conteúdos nacionais e independentes na programação nacional, o que acarretou uma profunda transformação no setor.

Poster do filme O menino e o Mundo

Poster do filme O menino e o Mundo.
Crédito: Divulgação

Segundo dados divulgados pelo IBGE em 2014 os serviços técnicos ligados a produção e pós-produção audiovisual eram o que concentravam as exportações da área, em 2015 este cenário se modifica e passa para os licenciamentos de conteúdo. Demostrando um amadurecimento neste segmento, diversas produções ganham licenciamento e destaque internacional. Entre eles está o filme de animação O Menino e o Mundo que foi vendido para mais de 100 países. O desenho de animação A Galinha Pintadinha que também seguiu o mesmo ritmo, ganhou distribuição em diferentes plataformas e aplicativos pelo mundo, incluindo a Netflix, onde foi batizada como “Lottie Dottie Chicken”.

Dentro do cinema nacional, os filmes pernambucanos lançados no ano passado, como Boi Neon, dirigido por Gabriel Mascaro, e Aquarius, por Kleber Mendonça Filho, foram exemplos do prestígio internacional que obteve o audiovisual brasileiro. Além do recorde de bilheteria e dos prêmios conquistados em vários países estes filmes vigoram entre os melhores filmes de 2016, inclusive na lista dos dez melhores filmes do jornal americano The New York Times.

Apesar do contínuo crescimento nos últimos anos e dos acertos nas políticas públicas de apoio e fomento ao audiovisual, diretores e produtores brasileiros atualmente se mostram preocupados. A instabilidade política e econômica do pais afetou o setor que se encontra atualmente com poucos investimentos e apoio. O congelamento dos recursos destinados a cultura e a troca na direção do MinC, da Ancine e da Spcine por diversas vezes desde do início do governo Temer sustentam está desconfiança.

Protesto da equipe do filme Aquarius no tapete vermelho de Cannes em 2016

Protesto da equipe do filme Aquarius no tapete vermelho de Cannes em 2016.
Crédito: Sebastien Nogier (EFE)

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