Por Fernando Netto

A linguagem é um sistema organizado de sinais que serve como meio de comunicação para compartilharmos nossas experiências com outras pessoas, aprender, ensinar, etc. Geralmente, ao falarmos de linguagem, logo pensamos na linguagem verbal e textual, fazendo referência à capacidade humana de expressar pensamentos, ideias, opiniões e sentimentos por meio de palavras. No entanto, existem outras formas de linguagem, como a pintura, a música, a dança e até mesmo a mímica. Desta forma, tanto por meio da linguagem verbal quanto da linguagem não-verbal, o indivíduo representa o mundo e exprime o seu pensamento.

Uma das obras de Traplev. Foto: Fernando Ticoulat


Partindo desse princípio, o artista catarinense Roberto Moreira Júnior, Traplev, constrói as obras da mostra novasbandeiras entre almofadas pedagógicas. Evidenciando a necessidade de uma nova reação frente a realidade, principalmente após a ruptura institucional da pseudo-democracia no Brasil, com a saída da presidente eleita. E na medida que ações autoritárias e manipuladoras se consolidam, o discurso de políticos e do monopólio midiático passam a reproduzir narrativas que deturpam qualquer sentido e conceito das coisas, essa realidade deixa de ser coerente.

Traplev afirma que não pode mais olhar ao redor com os mesmos olhos e ouvidos se em uma camada de difusão massiva de informação transforma sua própria acepção e começa a falar que preto é branco. “Não é que o preto se transformou em branco, foi seu significado que foi falseado, desbancando seu próprio princípio de significado”, conclui. A ressignificação de imagens que Traplev propõe englobam signos verbais que se sobrepõem a imaginação na realidade. Na série alfabeto flúor, tempos de, o artista recolheu textos durante o período de consolidação do primeiro passo do golpe parlamentar de 2016 e de todas as críticas e reflexões que se deram neste período. Mais adiante, Traplev realizou intervenções nestes textos com letras, números e sinais gráficos em verde flúor.

"Flúor", outra obra de Traplev. Foto: Fernando Ticoulat


Nesta exposição e na maioria de seus trabalhos, o artista evidencia que grande parte desse tipo de manipulação de sentidos está em curso e que os próprios significados dos objetos, formas e conceitos estão em um movimento que muitas vezes é preciso questionar. Arte, política, educação, segurança, saúde pública, história, cultura e questões filosóficas atravessam os trabalhos expostos “e incitam o público a uma reação: ler os códigos das imagens, decifrar textos e subtextos, atuar como público ativo ou passivo, encontrar um percurso ou percursos e ações dentro da sala de exposição”.

As instalações apresentadas colocam o visitante frente ao dilema da escolha de um, entre dois caminhos possíveis: o da passividade ou o da interatividade. A exposição não procura respostas para as indagações. Ela apresenta um leque de possibilidades para jogar esses temas em um campo mais amplo – o dos questionamentos. “Caberá à audiência decidir como se indagar frente às proposições estéticas”, afirma Traplev.

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