Por Tatiana Maria

A produção de orgânicos no Brasil vem crescendo consecutivamente desde 2013, antes havia 6,7 mil unidades de produção e hoje são mais de 15.663. Enquanto a taxa média de produção mundial é de 4,5% ao ano, o Brasil registou nos últimos 5 anos um crescimento superior a 30%, movimentando só em 2015 R$2,5 bilhões.

Estes produtos impulsionam a economia brasileira e suprem além da demanda interna também a Europeia. Números oficiais apontam que o faturamento bruto global envolvendo produtos orgânicos certificados atingiu U$80 bilhões em 2015.

Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o termo agricultura orgânica surgiu aproximadamente em 1920, por consequência de vários movimentos a favor do cultivo baseado em processos biológicos naturais e contrárias à adubação química.

As principais diferenças entre o cultivo de alimentos orgânicos e o agronegócio está na utilização de fertilizantes, agrotóxicos e pesticidas, na diversidade do plantio e qualidade das sementes. O agronegócio usa produtos químicos, como os agrotóxicos e pesticidas para otimizar o processo de produção agrícola no intuito da produção em larga escala. Geralmente produzem monoculturas, que é o plantio de único tipo de produto agrícola e utilizam sementes transgênicas, que são produzidos a partir de grãos geneticamente modificados. Estas ações são extremamente nocivas ao meio ambiente e podem causam danos na recuperação e manutenção do solo, como também podem contaminar rios, lagos e lençóis freáticos.

A agricultura orgânica não usa agrotóxicos, pesticidas nem transgênicos. Para evitar pragas utiliza predadores, adubos e fertilizantes naturais e seu plantio geralmente é de diversos alimentos. Advindo em sua maioria da agricultura familiar, estes alimentos livres de agrotóxicos têm apenas aproximadamente 940 mil hectares cultivados e ainda estão restritos a pequenos e médios produtores.

O plantio de orgânicos zela pelo equilibrando do meio ambiente em parceria com as necessidades de produção, o que acarreta um maior número de mão de obra e um fornecimento menor em comparação ao agronegócio que hoje possui em torno 240 milhões de hectares. Estas diferenças no modo de produção, somado aos custos e aos poucos incentivos, fazem com que os produtos naturais cheguem ao mercado consumidor em média 40% mais caros que os oferecidos pelo agronegócio.

O Brasil ocupa atualmente o 1º lugar no ranking mundial de consumo de agrotóxicos desde 2008. Segundo um estudo realizado pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima-se que o brasileiro ingeriu cerca de cinco litros de agrotóxicos, distribuídos em 70% dos alimentos consumidos in natura em 2016. Para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), desses agrotóxicos utilizados, 28% contêm substâncias não autorizadas em outros países. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que anualmente os agrotóxicos causam mais de 70 mil intoxicações agudas e crônicas nos países em desenvolvimento, como o Brasil.

MST é o maior produtor de arroz orgânico da América Latina

 

Considerado hoje o maior produtor de arroz orgânico da América Latina, segundo dados do Irga (Instituto Riograndense do Arroz), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é responsável pela maior diversidade de produtos orgânicos produzidos no Brasil. No 14º Colheita de Arroz Agroecológico deste ano, que ocorreu 17 de março no assentamento Capela, em Nova Santa Rita, no Rio Grande do Sul, João Pedro Stédile, membro da coordenação nacional do MST afirmou que a produção deste tipo de produto no país é “um símbolo da resistência do povo brasileiro”.

Durante o evento, Stédile explicou que o movimento vem nos últimos 15 anos lutando pela produção consciente de alimentos e que conseguiu provar que é possível uma agricultura ser produzida de forma coletiva, com qualidade, e sem transgênicos e agrotóxicos. “Isso aqui representa um grande projeto popular para a agricultura brasileira, baseado na agroecologia, no cooperativismo e no controle da agroindústria pelos trabalhadores. Vocês são uma espécie de vanguarda apontando qual o caminho a ser seguido”.

Segundo estimativas do movimento a colheita da safra de grãos de 2016-2017 é de aproximadamente 549 mil sacas, sendo mais de 27 mil de arroz. A produção de grãos neste ano está divididas em mais de 616 famílias, em 22 assentamentos e 16 municípios gaúchos, totalizando uma área plantada de mais de 5 mil hectares só nesta região. Em comparação aos números da última safra houve uma alta de quase 40% na produção total e um aumento significativo de famílias, que antes eram de 25, divididas em 9 assentamentos e 8 municípios.

Para retratar a trajetória das 471 famílias do MST, assentadas na Região Metropolitana de Porto Alegre, cuja área produziu esta safra história de arroz orgânico no país foi realizado o documentário Arroz Ecológico: Alimento Iluminado. A produção, que segue abaixo na integra, participa da série Curta Agroecologia, promovida pela Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), com financiamento da Fiocruz e Canal Saúde.

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