Por João Pedro Abbade 

Marcello Nitsche faleceu pouco menos de um mês antes da abertura de sua mais nova mostra na Galeria Pillar.

Um representante da galeria diz que “é uma honra apresentar essa exposição com 40 obras que vão desde artigos da sua fase POP nos anos 60, passando pelas telas de paisagens costuradas e até trabalhos experimentais com xerox.”

Além de toda esta retrospectiva na vasta carreira de Nitsche, a galeria apresenta uma série “completamente inédita e pensada para esta exposição”. Uma das diferenças desta exposição se realizar em uma galeria e não em um museu está na forma como as obras são apresentadas: o texto que descreve as obras não é redigido por um crítico, mas sim por grandes amigos do artista que contam um pouco sobre os bastidores da produção. Assim temos um olhar mais interno e multifacetado do que as obras representaram para a época e para o próprio círculo social de Nitsche.

O paulista se apropria de clichês de histórias em quadrinhos, materiais de construção, marcas do exército americano, infláveis e até os objetos mais banais possíveis como um quadro de açougue. "Lig Des" -- uma bolha vermelha e inflável em cima de uma chaminé -- foi uma fortíssima crítica a ditadura nos anos 60. Segundo os representantes do local eram “estruturas capengas, balofas e desprovidas de função”, tal qual o governo militar da época, para o artista.

Nitsche discutia o consumismo, a bomba relógio que era a ditadura militar e as liberdades individuais. "Nos anos 60 vivíamos uma repressão. Então nós usávamos a arte como uma forma de contestar e protestar, mas sempre de um jeito que pudesse contornar a censura".

O artista que encabeçou e trouxe o movimento tão incorporado a cultura Ianque para o Brasil dialogou com Warhol e Duchamp, mas incorporou a brasilidade em sua obra. Não à toa que o grande crítico brasileiro, Mário Schenberg diz que Nitsche é "o mais pop dos artistas brasileiros".

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