Por Isabella Mariano e Júlia Assef

Desde sempre, o homem acredita na importância do consumo da carne e do leite para ter uma vida saudável. Essas informações vêm de gerações e ainda são repassadas com uma grande convicção pela maioria da população. São quase incontestáveis, considerando o tamanho de sua repercussão.


Porém, o estilo de vida vegano/vegetariano vem chamando a atenção de alguns anos pra cá, e essas tais ideias programadas estão sendo desconstruídas. A tal necessidade pelos produtos animais pode ser uma mentira criada pela indústria.

No sistema econômico atual, o capitalismo, é necessária a compra e venda. Diante disso, há a exploração e manipulação de certas empresas para a garantia da compra de seus produtos. Considerando isso, a propaganda da importância do consumo de carne foi implantada na sociedade, junto com a certeza de que não há nada errado nesses hábitos.

Quando é pensado no consumo da carne, por exemplo, são desconsiderados os animais nos abatedouros, ou o sofrimento que eles passam ao viver em cativeiros a sua vida inteira. São considerados os hambúrgueres, os churrascos, e não na vida por trás daquilo. A indústria, e principalmente, a publicidade por ela criada, faz de tudo para que esses fatos sejam esquecidos pelo consumidor. Logo, quando a carne é comprada já embalada no supermercado, é quase impossível de pensar em sua antecedência. Por isso que cabeças, línguas e corações são geralmente evitados e removidos depois do abatimento, pois esses gigantes fatores remetem a que, além de um alimento, aquilo foi uma vida.

Centenas de pesquisas confirmaram que não há qualquer necessidade no consumo de produtos de origem animal. Muito pelo contrário, elas apontam que não há benefício na ação. Esses são as causas de diversos problemas de saúde, entre eles a diabetes, a hipertensão e doenças cardiovasculares. E, também, essa dieta conta com o imenso impacto no meio ambiente. A partir dessas informações, a distribuição dessa mercadoria deveria ser impedida ou diminuída, e os fatos pré-históricos dos benefícios causados por elas deveriam ser repensados. Mas, infelizmente, não é o que acontece. A compra e utilização desses produtos ainda são incentivadas e divulgadas por milhares de empresas, que desconsideram não só o sofrimento animal, como a saúde humana e o crítico estado do meio ambiente.

O mercado de carne, laticínios e derivados de animais domina grande parte do mundo, e essas informações sobre saúde e questões ambientais acabam sendo omitidas por tais empresas. Mais de 1100 ativistas foram mortos nos últimos vinte anos só no Brasil, um deles sendo a freira Dorothy Stang, que foi morta em 2005 por um pistoleiro contratado pela indústria de gado depois de ter falado abertamente contra a destruição da floresta tropical brasileira – o que fora considerada uma ameaça contra o lucro de tais empresas. Ou seja, para adicionar no número de mortes da fauna mundial, também há o silenciamento de seres humanos defensores da causa.

Nos anos 70, a NIH abriu um estudo certificando que ovos podem causar o aumento do colesterol, e assim, aumentam o número de chances de problemas no coração. Diante disso, a National Commission on Egg Nutrition dos Estados Unidos, abriu um documento com falsas alegações de que os ovos eram necessários na dieta humana e grande fonte de proteínas. Depois de uma investigação, foi descoberto que essa campanha, na verdade, era uma fraude criada pela grande indústria de ovos.

Uma dieta vegana poderia ser a solução de várias questões, por exemplo, a fome no mundo. Com a produção em massa do gado, grande parte do que é plantado para a alimentação desses animais poderia ter outro fim, como a sua distribuição para países mais pobres e carentes das necessidades básicas. Porém, a indústria, em sua definição, foca no que arrecada o lucro, ou seja, a exploração animal.

A ascensão da indústria de gado pede pela intensificação dos seus meios de produção, e com isso queremos dizer que é necessária maior criação dos animais para o seu abatimento. Diante disso, as empresas buscam maiores lugares para a instalação de seus abatedouros. No Brasil, a floresta Amazônica tem grande potencial para esses espaços, pois é uma área quase livre de ocupação. Assim são feitas as instalações dessas empresas. O que elas emitem é o fato de que 80% da devastação da floresta Amazônica é devida à pecuária e suas vertentes. O desmatamento ocorre principalmente para o gado ou para o plantio da soja usada na ração desses animais. A cada minuto milhares de espécies de plantas, insetos e animais são extintos devido ao desmatamento na Amazônia. A perda da biodiversidade também é outro fator na imensa lista de problemas causados pelo consumo da carne.

Não tão diferente do que se imagina a indústria de laticínios também é culpada por grandes impactos. Além do abatimento de bezerros, que são tirados de suas mães em menos de vinte e quatro horas de seu nascimento, há a exploração e a inseminação forçada das vacas mantidas em cativeiro. A impressão de que esses procedimentos são naturais e inofensivos não passam de outra grande manipulação da publicidade das empresas responsáveis. Teoricamente, os mamíferos só produzem leite quando estão esperando filhotes. Assim, os donos dessas indústrias contam com a inseminação das vacas desde que as mesmas atingem a maturidade. Isso continua até o momento em que, sem forças, essas colapsam de cansaço e não conseguem andar, muito menos ter leite – produto que traz o lucro. São levadas para o abatedouro assim como qualquer outro animal que é explorado para o consumo humano.

A mesma coisa acontece com as galinhas. Exploradas desde o primeiro momento, seus bicos são cortados para que elas não consigam ciscar, e a partir disso, ingerem a única coisa que lhes é oferecida: ração com hormônios. Esses que, além de fazer com que as aves botem mais de um ovo por mês, também são parte do porque meninas começam a menarca tão cedo – por volta de oito anos de idade.

Dados da FAO/ONU (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) apontam que cerca de 70 bilhões de animais terrestres são criados para o abatimento em todo mundo. Esses que incluem vacas, porcos, ovelhas, cabras, perus, patos, gansos, búfalos, coelhos, cavalos e, principalmente, frangos. Esse número, já incrivelmente alto, não pode ser comparado com as mortes devido à pesca no oceano. Na pesca seletiva de apenas uma espécie de peixe, animais como golfinhos, tartarugas marinhas, moluscos e até mesmo plânctons essenciais para a vida marinha terminam mortos.

Esses mesmos dados estimam que pelo ano de 2050 não haja mais peixes nos oceanos. Além da perca da biodiversidade, esses hábitos contribuem para a poluição e esgotamento de fontes naturais. A ONU também divulgou que veganos deixam menores pegadas ecológicas, devido a, principalmente sua alimentação. É estimado que uma dieta vegana gaste por volta de 2300 litros de água por dia, enquanto a onívora gasta 3600.

Os animais mantidos para a alimentação humana são responsáveis por grande parte das emissões de gases do efeito estufa - cerca de 14,5% desde o cultivo até a produção do alimento. Esses gases vêm principalmente da liberação de CO2 na atmosfera, o que acontece nas queimadas a fim de ampliar o espaço para a criação do gado, como já foi comentado.

Outro fator importante dessa pesquisa é o impacto que esse consumo tem em nossa saúde. A PETA tem um documento todo voltado a relação de problemas de saúde com o consumo de carne. Esse documento conta com o depoimento da The Academy of Nutrition and Dietetics, que alega que uma dieta com ovos, carne e leite pode aumentar os riscos de hipertensão, doenças de coração, câncer e diabetes. O motivo disso é porque essas comidas, além de não serem destinadas ao consumo humano, contem grandes níveis de gordura – o que pode acabar com seus bons valores nutricionais, os que são resgatados por essas indústrias produtoras.

O homem não é apto para a digestão desses alimentos. Nosso sistema digestivo é grande e cheio de curvas, o que é necessário em uma dieta cheia de fibras, onde a absorção de nutrientes é essencial. Diferentemente do sistema de um animal carnívoro, que é pequeno.

Em vista a esses fatos, é fácil perceber de novo que a ideia plantada na cabeça do ser humano desde sempre por essas empresas não passa de um golpe de marketing. Esses alimentos não são necessários na dieta do homem e sim prejudiciais. Os valores que essas empresas divulgam ao público podem ser reais com seus valores cheios de proteína e cálcio, mas são emitidos os seus malefícios – que são extremamente maiores e relevantes.

No incentivo do consumo de produtos animais, são desconsiderados os fatores ambientais, relativos a saúde, e principalmente, éticos. Os fatos necessários para o entendimento comum desse assunto são omitidos por essas indústrias que buscam apenas o lucro.

Os valores morais se perdem diante do capitalismo. A vida humana corre o mesmo risco que os animais abatidos para a sua alimentação. Com a manipulação dessas informações a população é exposta a grandes ameaças que são justificadas com o tanto de dinheiro ganho por uma empresa.

Independente de razões terceiras – da exploração tanto animal quanto a da ignorância humana - é necessário considerar a falta de ética na sociedade em geral. O consumo de carne, em seu todo, não é e nunca será uma questão ética independente do ponto de vista tomado.

Escolher o destino de um animal indefeso, que não pode ao menos se defender é uma prática sem qualquer tipo de moralidade. Anos em guerra já provaram o quão errado é acreditar na superioridade de uma raça, imagine de uma espécie. Esses hábitos, que se provam desnecessários, então tem um único motivo: A satisfação do ego humano.

O “luxo” de escolher quem vive é um mérito humano. Ao privilegiar não só o ser humano, mas como os animais considerados domésticos, a hipocrisia é aceita como parte do ser. Por exemplo, atualmente, o festival de Yulin da China vem ganhando visibilidade midiática. Esse incentiva o consumo da carne de cachorro como um tipo de celebração. A comoção envolvida nessa divulgação foi imensa, petições foram criadas assim como milhares de intervenções. A partir disso, é possível notar a empatia restrita do ser humano diante da crueldade animal.

 

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