Quadro de Almandrade

Por Raisa Santos


Almandrade não usa frases em suas poesias. Mas escreve esta sobre vampiros no primeiro quadro de fundo colorido do corredor da galeria.

A exposição do arquiteto, poeta e artista plástico baiano começa no primeiro ambiente da unidade Jardins da Galeria Baró. Todo o espaço é pintado de branco, inclusive o piso. Seus quadros, em tamanho próximo de um papel A4, algumas vezes parecem fazer parte da parede, já que cor e textura são muito parecidas. Renato Bomfim, produtor da Galeria, disse que “o espaço foi pintado para receber as obras, mas o artista também fez retoques”, o que causa esse efeito de aproximação.

Foto: Raisa Santos



Como as composições são basicamente linhas retas com letras e alguma figura geométrica (quadrado, retângulo ou círculo), o branco tem um efeito até de uma certa confusão na visão à luz do dia. Os quadros são muito semelhantes na técnica, mas causam curiosidade. Parecem uma espécie de teste psicotécnico, como se o espectador precisasse adivinhar o que está faltando ou qual é a continuação.

Há duas prateleiras brancas fixadas na parede que abrigam objetos: um frasco de vidro (como de remédio) com uma lâmina e uma gaze em seu interior; uma espécie de luneta que pode também ser um mini-canhão; e um carimbo com base toda preta sem texto. Nada possui explicação ou contexto. As únicas informações são o nome do artista e o ano, que em geral é na década de 1980.

Foto: Raisa Santos



Passando o espaço claro, há um corredor com as luzes apagadas onde a instalação de um grande monte de palitos de fósforo queimados habita. Há uma linha vermelha acima do monte e um fundo branco retangular, comum aos quadros. Ali também está a frase dos “olhos de vampiro”, que no momento da transição do espaço pode ser uma metáfora para a adaptação da pupila nas diferentes luzes dos dois ambientes.

Há obras do autor também nos escritórios da galeria. Algumas são coloridas (em vermelho, amarelo e cinza) e com mais de um metro de comprimento. Um livro de poesias visuais está à disposição para consulta.

Solange Pereira, coordenadora da galeria, diz que mais de duzentas pessoas visitaram o lugar e a maioria delas na estreia. É a média de público para as exposições deles.

O último dia da exposição foi 13 de maio e Bomfim informou que “as obras serão guardadas pela galeria até que sejam vendidas ou que o artista as solicite.” Ao lado direito da mesa do produtor, uma obra, de aproximadamente um metro e meio, representando um peixe pego com lança. De perto, percebe-se ser uma blusa de moletom azul com um saco de lixo como cauda.

 

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