Por Leonardo Ribeiro de Castro



Os brasileiros estão acostumados a saber que a propaganda política é fundamental para um político ingressar no poder e construir uma certa moral, mas o que poucos sabem é que esse costume é antigo e veio ao Brasil junto com Don João VI.

É na Pinacoteca que se encontra a exposição “Imagens para uma nação”, mostrando as primeiras gravuras do nosso país, inclusive as encomendadas pela corte de Don João que veio para o Brasil em 1808.

Sob curadoria de Francis Melvin Lee e Marianne Farah Arnone, “Imagens para uma nação” reúne cerca de 100 obras, entre elas livros, quadros, plantas e principalmente gravuras que conduzem os indivíduos curiosos e interessados a uma breve viagem no tempo, retomando o século XIX.

Foto: Leo Ribeiro de Castro
Gravura de D. Pedro I


Percebia-se através de comentários que as poucas pessoas que passavam pela exposição no sábado, 29 de abril, que se localiza em um canto escondido no segundo andar da Pinacoteca, não se aprofundavam na observação das obras e notavam apenas detalhes escancarados como as paisagens de praias e morros e a vestimenta característica da época que despertava a atenção principalmente das crianças, por julgarem “engraçadas”.

O segurança da sala em que se encontra a exposição não quis se identificar, mas admitiu que a exposição é uma das menos visitadas dentre tantas que a pinacoteca disponibiliza para o público. Talvez seja pela difícil localização da sala ou pelo desinteresse das pessoas pelo conteúdo mostrado nas obras.

As gravuras foram essenciais para a construção do jovem império brasileiro durante o século XIX. Quando chegou ao Brasil em 1808, Dom João VI implantou a imprensa – até então proibida – e logo encomendou as primeiras gravuras reais oficiais. Os artistas responsáveis pelas demandas do rei eram quase todos estrangeiros, sendo a maioria franceses, e foram esses artistas que deram início a antiga Academia Imperial de Belas Artes que deu origem a atual Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Pode-se perceber através da observação das obras que durante a primeira metade do século XIX, o foco dos artistas era a promoção do governo regente, ou seja, propaganda em forma de gravuras, exaltando Dom João VI e toda sua família real. Eram gravuras retratando membros da corte ou plantas de lugares e cidades importantes para os recentes líderes do Brasil. Dessa forma, os artistas da época eram remunerados pela corte e tinham grande prestígio dentre os nobres.

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