Por Cláudio de Oliveira e Lucas Toth


“Fico [na frente de um quadro] em torno de 2 minutos”, diz a empresária Chayenna Amorim, diante do quadro Praia de Botafogo (1870), de Eduardo de Martino. “As mais modernas são as que mais perco tempo apreciando”.

Apesar dos dois minutos sugerido, Amorim passou rapidamente os olhos sob o quadro do italiano. A obra, maior que uma folha de sulfite A4 e menor que uma cartolina, faz parte da transição entre a Sala 1 e a Sala 2, do último andar da Pinacoteca, no bairro da Luz, centro de São Paulo.

É o momento que prepara os espectadores para a Sala 2, a sala dos Artistas Viajantes. A diferença entre as duas é que as obras da primeira, a Tradição Colonial, os artistas não pintavam a partir da observação, mas através de relatos. Diferente da sala seguinte, na qual os pintores já estavam presentes nas paisagens brasileiras retratadas.

“Pegou um péssimo dia para pintar o Rio, coitado”, sorriu a empresária. “É melhor com o tempo limpo, né? ”.

Já na terceira sala, A Criação da Academia, o visitante observa as primeiras obras da Imperial Academia das Belas Artes do Rio de Janeiro, criada com o apoio de Dom João VI. Nela é possível ver obras de Nicolas-Antoine Taunay e Jean-Baptiste Debret. Os dois parisienses iniciaram a Missão Artística Francesa, que tinha o intuito de ensinar artes plásticas no Brasil.

A Academia no fim do século, tema da quarta sala, possui obras do período da primeira república brasileira, após sua proclamação, quando a arte no brasil começava a buscar uma estética local, abordando temas do território nacional como, por exemplo, a escultura Faceira (1880), de Rodolpho Bernardelli.

Na sala O Ensino Acadêmico, quinta da exposição, o expectador se depara com aspectos importantes do que se ensinava na Academia de Belas Artes, como o estudo do nu artístico, por exemplo. É possível observar também cópias de obras europeias. Mulheres de Argel em Seu Aposento (1928), de Anita Malfatti, cópia de mesmo nome de Eugéne Delacroix. Importante dizer que na época em que Malfatti fez a obra cópias não eram sinônimo de mau caratismo. Os artistas as faziam como forma de treino, um exercício de aprendizado.

Na sexta sala dispõem se Os Gêneros de Pintura, como retrato, natureza morta, pintura de paisagem e, a mais importante, a pintura histórica. Eliseu Visconti, pintor ítalo-brasileiro, retratou a vinda de Pedro Alvares Cabral ao Brasil, na obra Providência Guiando Cabral (1900).

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