Com o passar do tempo a indústria da moda vem sendo muito criticada, principalmente pela ligação das marcas com as linhas de produção, que geralmente fica em outros países e algumas vezes fazem uso de trabalho escravo. Outra questão sobre a moda trata dos prejuízos que ela traz para o meio ambiente.

Bangladesh é um país localizado no sudeste asiático, segundo a Organização Mundial de Comércio, ele é o segundo país que mais exporta vestuários de roupa. Sendo que 85% da mão de obra são feitas por mulheres, e elas ganham em torno de 3 dólares por dia. É a "mão de obra barata" que blinda a visão de que, os produtos são feitos através de trabalho escravo. As grandes lojas e marcas de roupas, estimulam o consumo bombardeando com promoções, assim aumentando o seu lucro e produzindo peças a baixo custo. É a maneira mais fácil de lucrar. A conscientização das pessoas sobre o trabalho escravo dura apenas questões de horas, ou dias, até ela encontrar a peça que queria por um preço "justo". A indústria da moda é uma das áreas que mais explora a "mão de obra" barata, incluindo o trabalho infantil.


No período dos grandes desfiles, como o "São Paulo Fashion Week", essas questões são abordadas. Mas a sensação que fica, é que apenas naquele momento teve alguma importância o que foi mostrado. Não faz muito tempo que vazou na imprensa uma lista de marcas de roupas, que usavam da mão de obra barata. Grandes marcas como, Zara, M. Officer, Riachuelo e Le Lis Blanc foram afetadas financeiramente. No começo de 2016, o jornal Estadão publicou uma matéria afirmando que a Riachuelo foi condenada pelo Tribunal Superior do Trabalho, a pagar uma pensão mensal de 10 mil reais para uma das costureiras que colocava elásticos em 500 calças por hora. A funcionária ganhava em torno de 550 reais. A Zara foi autuada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, por não cumprir o Termo de Ajustamento e Conduta - TAC, a auditoria com 67 fornecedores da marca mostrou diversas irregularidades no País, como excesso na jornada de trabalho, atraso dos pagamentos, trabalho infantil e discriminação pela exclusão de imigrantes da produção, a notícia foi postada pela Agência Brasil. Outras marcas mais luxuosas, como Le Lis Blanc e Bo-Bô, usavam da mesma exploração. Em 2013 ambos as marcas foram fiscalizadas pelo Ministério do Trabalho que encontrou 28 trabalhadores bolivianos em situação de escravidão em oficinas da Restoque, donas das marcas Le Lis Blanc e Bo-Bô. Mas pesquisando mais a fundo, existem diversas marcas que já exploraram de alguma forma seus trabalhadores em situação de escravidão, Renner, Marisa, Luigi Bertolli. E a lista só aumenta.

Não bastasse apenas os humanos como vítimas desse mercado, os animais também são. Em escala global milhões de focas, raposas, coelhos, cobras, e entre outros animais são mortos todos os dias para suas peles serem usadas em roupas. A mídia da moda vê essa situação de duas maneiras, é crueldade matar os animais? Sim, mas para eles vale a pena. Para a população, não existe equilíbrio. Em uma pesquisa do jornal The Guardian, feita em dezembro de 2013, mostrava que 95% da população da Inglaterra desaprovava o uso de peles. A questão de sacrificar animais para usar a sua pele é muito crítica ainda que, na cidade de São Paulo já existe uma lei que proíbe a comercialização de foie gras e vestuário com pele animal. Na França, em torno de 70 milhões de coelhos são mortos todos os anos para o consumo. Casacos, bolsas, botas, peças de roupa que são produzidos com o pelo e o couro do animal, são tratados como "luxo", são roupas caras, de alto valor, a maioria são atores, que esbanjam essas roupas em premiações internacionais. A publicidade é um dos maiores fatores para esses trajes serem tão caros, eles são distribuídos para as celebridades usarem, como um "merchandising", sem contar o que os estilista falam, que é necessário usar e o quanto isso beneficia a economia da moda. A crueldade não é apenas "usar algo que era vivo", mas o processo inteiro da transformação da pele do animal em vestuário. Na época de inverno é onde se encontra vestuários com peles de bichos, mesmo sendo sintéticas, é quando elas são mais expostas. Em lojas mais famosas e caras, a pele é verdadeira, bolsas de couro, casacos e coletes com as peles. São diversas peças feitas e que muitos clientes não sabem como ela foi parar ali, e só se dão conta de que o pelo ou o couro são verdadeiros por causa do preço.

Algumas pessoas defendem o uso de tecido sintético, feito de petróleo, porém faz mal para o meio ambiente. É pesado cheio de produtos químicos e corantes, junto com as fibras de nanotecnologia que podem causar vários tipos de doença, de alergia a asma até problemas cardíacos e câncer. O poliéster é usado em 60% dos vestuários produzidos mundialmente. Os tecidos orgânicos, naturais, como algodão, linho e lã são os mais seguros para a saúde. Algumas alternativas estão sendo estudadas para substituir os tecidos sintéticos, como a fibra de ácido polilático, ela é parecida com o poliéster mas é produzida a partir de plantas como, trigo, milho, cana-de-açúcar e beterraba. A empresa "NatureWorks" criou um novo tipo de tecido, feito com plantas e também bioplásticos. Essa prática ainda não é usada pela forte influência das petrolíferas no ramo.



Para Carolina Machado, 26, formada em design de moda, atualmente desempregada, a utilização de peles de animais em roupas interferiria em seu trabalho, "não trabalharia em uma empresa que utiliza peles de bichos, se em meu antigo emprego passassem a usar, procuraria emprego em outro lugar. Trabalhei em um local que importávamos produtos da China, índia e Bangladesh. As fábricas não eram terceirizadas, a condição dos empregados não eram ruins, mas ainda não aprovo esse tipo de mão de obra". Ela também comentou sobre o futuro da indústria, com o surgimento de leis que irão proteger os bichos e eventualmente "limitar" os produtos, "atualmente a indústria está estagnada, não há nenhuma novidade, apenas cópias. Se esse tipo de imposição realmente acontecer, será ótimo, um desafio para nós colocarmos a moda de volta em movimento", finalizou.

A Moda é a segunda indústria mais lucrativa nos últimos tempos, ela tende a crescer mais e mais com o tempo. A desaprovação da sociedade a matança de animais para usarem suas peles também irá crescer, contudo, a mão de obra em países como índia, Bangladesh e Sri Lanka devem ser bem observados, não existem leis nesses países que proíbem o excesso de horas de trabalho e suas péssimas condições, precisaria de uma atenção maior e uma pressão para que os líderes se posicionasse sobre tal prática. Já que muitas marcas tem a linha de produção feita nos lugares citados. O avanço da tecnologia e a rapidez que as informações chegam nas redes sociais, facilitam para que o público saiba das negligências do mercado. Pode levar tempo até essas práticas deixarem de existir, os líderes de Estado tem acompanhado de perto essa evolução das leis e das pessoas em querer mais proteção para os animais e das exigências dos trabalhadores para melhores condições. O fácil acesso a informação também ajuda, incluindo a polícia federal, que investiga esses tipos de casos. E o mercado da moda só tende a crescer financeiramente e sem uso de práticas irregulares na produção de roupas. Porém, atualmente o mercado ainda é muito favorável para o mundo da moda, e muitas pessoas ainda defendem as causas sem saberem os reais motivos, ela não beneficia sociologicamente e nem ecologicamente. Usando os animais, os humanos e o planeta como parte dos seus produtos.

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