Por Anna Beatriz Vanzetto e Juliana Munaro

 

Vazio e escuro. Este é o retrato da sala dentro da estação do Metro Tiradentes, pertencente ao Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS-SP), apesar de sua entrada ser gratuita e estar em um lugar de inúmeros passageiros.

A média de pessoas que entram na estação, em um dia útil, é de 18.000, enquanto a exposição que é apresentada atualmente, Filhos de Deus, tem a estimativa de 250 visitantes por semana, de acordo com a assessora de imprensa do museu, Juliana Balady. Isto é, aproximadamente 0,2% dos passageiros do metrô visitam a exposição.

Quando perguntado a uma das usuárias do transporte, Adriana Peres, que mora na região de Tiradentes e trabalha no Morumbi como doméstica, o porquê de não visitar a sala, ela comentou “todos os dias eu passo por ela mas nunca entro, eu não tenho tempo, não posso chegar atrasada no trabalho” e durante a volta para casa ela diz já estar muito cansada.

A situação de Peres assemelha-se a de vários outros passageiros. Seus horários destinados ao transporte são apertados e qualquer mudança acarreta em um atraso.

Mesmo assim, o comentário do diretor executivo do MAS, José Carlos Marçal de Barros, sobre a exposição é de que “foi grande o sucesso de público e maus uma vez a Sala Metrô Tiradentes mostra seu valor, permitindo que os usuários do metrô, principalmente, usufruam de uma manifestação cultural e que novos talentos tenham a oportunidade de se apresentar ao público”.

Filhos de Deus estará disponível na sala MAS-SP até dia 07 de abril. O espaço de 150 metros quadrados, é composto de 22 registros fotográficos de Daniel Taveira. São retratos de diferentes pessoas e através deles o artista pretende “mostrar ao mundo que independente da sua raça, cultura, crença, orientação sexual, nível social ou cor, você é por natureza, um filho de Deus”, como é divulgado em seu site pessoal. Em tempos de intolerância, tal manifestação artística possui suma importância.

Taveira abandonou seu mestrado em Mercado Financeiro e mudou-se para o México em 2010 afim de estudar fotografia com Nadine Markova, fotógrafa reconhecida internacionalmente. A exposição é fruto de seu aprendizado com ela em capturar “instantes únicos”. Para ele, cada fotografia mostra o que de fato deseja eternizar nas histórias de cada personagem, desde um modelo de resistência negra, uma figura indígena em um ritual religioso à um homem vestido de caveira mexicana, manifestando a cultura do local onde capturou grande parte de suas fotografias.

Fotos: Anna Beatriz Vanzetto

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