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Por Matheus Batista Zucchetto 

Brasil já tem atleta e treinador em ligas profissionais na América do Norte.

Criado no final do século 19 nos Estados Unidos, o futebol americano se tornou um esporte profissional há mais de 120 anos. Na América do Norte, nenhum outro jogo é tão visto por torcedores.

Mas no Brasil a história é muito diferente. O público brasileiro só começou a ver o esporte na televisão durante a década de 80 - quando a Bandeirantes fez as primeiras transmissões. Porém o futebol americano só ganhou um espaço relevante no cenário nacional durante os anos 2000.

Com jogos transmitidos regularmente por canais televisivos, foi questão de tempo até o esporte começar a ser praticado pelos brasileiros.

Já em 2007, o antigo Torneio Touchdown foi criado – contava com apenas oito equipes na época. Seis anos depois, foi consolidada a Confederação Brasileira de Futebol Americano, órgão que cuida do Campeonato Nacional – agora com 62 times – e da seleção – campeã sul-americana e que participou da Copa do Mundo do esporte em 2015.

Sucesso no Brasil e chance no exterior

Um dos grandes nomes da modalidade no Brasil é o treinador Brian Guzman. Multicampeão nacional, enquanto comandou equipes como o Cuiabá Arsenal e o João Pessoa Espectros, o carioca, de 26 anos, esteve presente na Copa do Mudo com a seleção.

É notável o crescimento do esporte no Brasil. Sempre tentávamos atrair mais pessoas e a resposta sempre melhorava”, diz o técnico que coordenou o ataque da seleção e terminou o Mundial em sétimo lugar.

No final de 2015, Brian comandou o time dos Espectros diante de quase 10 mil pessoas na Arena Pernambuco, no Recife. “Foi surreal ver toda aquela torcida comparecer para um esporte que ainda é novo no país. Confesso que senti muito orgulho de fazer parte disso”, prossegue Brian, que juntou suas coisas e se mudou para o México no começo de 2016 após ter sido contratado por uma universidade do país norte-americano.

Desde 2014 eu pensava em buscar algo assim. Trabalhar no México é como uma porta de entrada para ser treinador nos EUA”, comentou Brian, membro da comissão técnica dos Aztecas da Universidad de las Americas de Puebla.

Fundado em 1947, o time é um dos mais tradicionais da liga universitária mexicana, principal torneio do esporte por lá. Nos 69 anos de história, os Aztecas já foram campeões nacionais oito vezes, algo que pode impulsionar a carreira de Brian ainda mais.

Vejo essa chance com muita responsabilidade. Outras oportunidades podem se abrir para treinadores e jogadores brasileiros se eu conseguir deixar boas impressões. Então realmente não vejo muito motivo para pensar além do que está acontecendo agora”, acrescenta o técnico.

Primeiro profissional nos Estados Unidos

Sucesso no México e crescente no Brasil, o esporte é parte da rotina daqueles que moram nos Estados Unidos graças a NFL (National Football League), liga profissional que é uma das mais ricas do mundo, mesmo quando comparada aos campeonatos do “nosso” futebol.

E é exatamente na maior casa do esporte que um brasileiro brilha. Nascido em Limeira, a cerca de 140 km de São Paulo, Cairo Santos se mudou para os EUA ainda durante a faculdade. Em 2014, foi selecionado pelo Kansas City Chiefs, um dos 32 times que formam a NFL, e se tornou o primeiro atleta nascido no Brasil a jogar no país do futebol americano.

Agora com duas temporadas de experiência como kicker (chutador), Cairo ganhou já o respeito dos norte-americanos e se tornou o embaixador da liga em sua terra natal.

Desde que eu jogava na faculdade já via o crescimento do futebol americano aqui no Brasil. Quando eu virei profissional, pelo Kansas City Chiefs, ficou o sonho de ajudar o esporte crescer ainda mais aqui. No começo deste ano a NFL se aproximou e falou que queria estar nesse sonho junto, o que ajuda bastante a conexão do esporte com seu crescimento no Brasil", completou o jogador de 24 anos que participou de “clínicas” do esporte em algumas capitais brasileiras, sempre com grande presença de fãs.

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