Por Isabella Mariano Garcia

Simone de Beauvoir nasceu na França, no 6° arrondissement de Paris, de família cristã. Foi contra os costumes familiares e tornou a figura mais importante do feminismo no mundo. Mesmo após mais de um século de seu nascimento, é personagem de destaque no movimento.

De origem cristã tradicional, Simone de Beauvoir teve um casamento planejado pela família, antes de conhecer seu futuro companheiro Jean-Paul Sartre. Este caso a fez contestar o porquê aquilo era algo estendido às mulheres e não aos homens. Negou-se a se casar, se emancipando, e construiu a mais famosa de suas teses “Não se nasce mulher, torna-se”.

Tal tese ficou famosa ao ser apresentada em uma questão do Enem. Surgiu uma polêmica em volta da questão de gênero. Muitos estudantes, por falta de interpretação, criticaram o pensamento da escritora levando em conta o lado biológico. Porém a própria autora dizia que não havia ligação com a biologia, e ,sim, a construção histórica e social que havia na mulher. “É que ser mulher não é um dado natural..., mas o resultado de uma história. Não há um destino biológico, ou psicológico, que defina a mulher como tal. Foi uma história quem a fez. Primeiro, a história da civilização, que resultou em seu status atual e, depois, para cada mulher em particular. Foi a história de sua vida, em especial da sua infância, quem a determinou como mulher e criou nela algo que não é um dado, uma essência, mas que cria nela o ‘eterno feminino’, a feminilidade.”

Além de Simone de Beauvoir, atualmente quem tem o mesmo pensamento é a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi, que em uma palestra no programa “Ted Talks” relatou os casos de machismo no seu país: cerca de 270 meninas foram sequestradas em suas escolas pelo Boko Haram, um grupo radical islâmico, em 2014, e há suspeitas de que algumas delas foram obrigadas a se casar com militantes.

Chimamanda Ngozi discursou sobre como é criação do homem e da mulher e da diferença nos deveres que lhe são impostos. “Mas por que ensinamos as meninas a ansiar pelo casamento e não ensinamos a mesma coisa para os meninos?” se pergunta a autora nigeriana. “Criamos as meninas para serem concorrentes. Não para empregos ou para conquistas, que eu acho que podem ser uma coisa boa, mas, para a atenção dos homens. Ensinamos as meninas que não podem ser seres sexuais da mesma forma que os meninos são”.

Até pouco, no Brasil, a mulher que sofria estupro não era considerada vitima e, sim culpada, podendo, por lei, ser deserdada de sua família. Em pleno século XXI vemos questões abordadas pela Simone de Beauvoir ainda sendo discutidas e não solucionadas. A mulher continua sendo tratada e menosprezada pelo homem. Mesmo em movimentos de esquerda, que tendem a ser mais liberais, os direitos e a liberdade das mulheres são deixados de lado porque os homens não querem abandonar seus privilégios. Simone de Beauvoir dizia que eles não agem como homens de esquerda, ou direita, mas apenas como homens.

Sem a abertura masculina, o feminismo fica estancado. Apesar de algumas pequenas vitórias, a situação no século XX e no XXI permanece igual.

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