Cadeias Indígenas: oficiais e clandestinas

O 6o Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão — promovido pelo Instituto Vladimir Herzog de Direitos Humanos — sugeriu “As Heranças do Golpe de 1964” como tema. Uma das cinco pautas escolhidas (veja as demais pautas aqui) foi a dos alunos Gabriel Azzi Collet e Suria Barbosa, do 2o ano do Curso de Jornalismo da PUCSP. Os alunos, além de pautarem, produziram e editaram o vídeo "Cadeias indígenas - Oficiais e clandestinas", orientados pelo Prof. Marcos Cripa (PUCSP) juntamente com Bianca Vasconcellos, da TV Brasil. A ÍNTEGRA DA PAUTA ORIGINAL ABAIXO: CADEIAS INDÍGENAS: OFICIAIS E CLANDESTINAS I. Tema A descoberta do Relatório Figueiredo trouxe novos fatos que aquecem o debate acerca das violações contra os índios cometidas durante o regime militar do Brasil. O documento, que possui cerca de 7 mil páginas, trata das cadeias indígenas, que serviam para detenção de índios com o argumento de que “perturbavam”, de alguma maneira, a ordem. Surgiram novos questionamentos com o Relatório e, consequentemente, novas linhas de pesquisa, em sua maioria inéditas. O tema, então, é atual, apesar de extremamente atrasado. Investigaremos a linha histórica de evolução, e também a estrutura interna das cadeias indígenas, com o objetivo de estudar e comprovar o papel fundamental delas na perpetuação da violação impune dos direitos dos índios. II. Justificativa Os índios brasileiros sofreram violências morais, físicas e tiveram suas propriedades roubadas desde a exploração portuguesa no período colonial. Na ditadura militar do país, as etnias indígenas sofreram fortes abuso dos militares, além de terem seus direitos constantemente violados. Com as grandes diferenças culturais, inclusive quanto à língua falada, viam-se em posição de vulnerabilidade extrema. Apesar disso, pouquíssimo foi feito para amenizar as injustiças que viveram. A Lei da Anistia, criada em 1979, por exemplo, não abrange os índios. Pouco foi estudado sobre a realidade indígena durante a ditadura. O quadro mudou ligeiramente depois do aparecimento do Relatório Figueiredo 45 anos depois de ter sumido – achava-se que tinha sido queimado durante um incêndio. O documento relata acontecimentos, até então desconhecidos, das cadeias responsáveis pela prisão, tortura e desaparecimento de índios. A investigação do cronograma histórico das prisões indígenas brasileiras contribuirá para a criação de um panorama que explique como se dão os encarceramentos atualmente. Sabe-se que antes da primeira cadeia oficial “Reformatório” Krenak em Minas Gerais, já existiam cadeias clandestinas. Hoje não há mais clandestinidade, porém as prisões são, no mínimo, questionáveis, pois claramente favorecem a todos os envolvidos, menos às comunidades indígenas. Esperamos poder contar com estudiosos do Relatório Figueiredo e ativistas do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), além de membros da FUNAI e pesquisadores indigenistas para expormos faces praticamente inexploradas do período ditatorial do país que deixem ainda mais evidente o fato de que a questão dos direitos humanos parece não ter alcançado os índios brasileiros. III. Objetivos Levantar a história das cadeias indígenas brasileiras clandestinas e oficiais, de Tupã – SP até as prisões atuais em Ilhéus – BA. Verificar como se dava o processo de prisão de índios na época da ditadura, e assim retratar o cenário, ainda hoje quase obscuro, das prisões, das torturas e das agressões que atingiram os índios no regime militar. A partir das descobertas sobre as cadeias da época da ditadura, traçar paralelos com as atuais prisões de índios brasileiros. IV. Metodologia Na etapa de pesquisas, estudaremos com particular atenção o Relatório Figueiredo e analisaremos documentos da FUNAI. Recrutaremos especialistas que possam complementar nosso estudo e dar entrevistas em vídeo para o documentário, como José Gabriel Silveira Corrêa, pesquisador e autor de estudo sobre a instituição Krenak, José Carlos Levinho, Diretor do Museu do Índio e Maria Rita Kehl, integrante da Comissão Nacional da Verdade (CNV) e coordenadora do GT Camponeses e Indígenas. A partir da investigação inicial, traçaremos uma linha do tempo que conduzirá o documentário, assim como servirá de texto de apoio. Começaremos a mapear a partir da prisão de Tupã, em São Paulo, que antecedeu o mais conhecido Reformatório Krenak e finalizaremos mostrando as prisões de índios que ocorrem atualmente em Ilhéus – BA. Estudaremos grandes documentários (não necessariamente ligados ao tema) e suas estruturas para produzirmos o roteiro, que será feito com base na linha histórica que delimitarmos. Gravaremos entrevistas em vídeo com Marcelo Zelic, vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais e coordenador do projeto Armazém Memória e André Campos, pesquisador e autor de reportagens e documentários investigativos sobre as cadeias indígenas da ditadura. A captação de material será feita, em parte, em Tupã, onde entrevistaremos entendidos sobre a prisão indígena de lá e personagens relevantes, além de gravarmos imagens de apoio. Outras imagens necessárias virão de acervos como o da FUNAI, do Museu do Índio, da Cinemateca e, as do Reformatório Krenak, serão excedentes da investigação de André Campos cedidas por ele mesmo. A edição do conteúdo bruto em um documentário de, no máximo, 15 minutos também levará em conta o estudo previamente feito na fase de escrever o roteiro. Na ilha de edição, utilizaremos o programa Adobe Premiere Pro CS5 que faz vídeos em formato AVI com resolução 16x9. V. Cronograma de execução Datas limite: Pesquisa Análise de documentos e obras e recrutamento de especialistas: 07/07/2014 Redação Construção da linha histórica e redação do roteiro: 21/07/2014 Reportagem Captação local e em Tupã – SP de entrevistas com especialistas e personagens e obtenção de imagens de apoio: 08/08/2014 Edição Edição em ilha do material bruto: 23/08/2014 Finalização Formatação e ajustes finais e envio: 25/08/2014 VI. Estimativa de custos para produção Reportagem Viagem de 4 dias para Tupã – SP (4 pessoas): Transporte São Paulo – SP/Tupã – SP: R$ 464,00 (R$ 116,00 por pessoa) Hospedagem (3 noites – café incluso): R$ 780,00 Alimentação: R$ 480,00 (R$ 120,00 por pessoa) Transporte Tupã – SP/São Paulo – SP: R$ 456,00 (R$ 114,00 por pessoa) Equipamentos complementares para filmagem externa: Aluguel de 1 luminária de led com tripé, bateria e carregador: R$ 800,00 (R$ 200,00 por dia) TOTAL DE CUSTOS: R$ 2.980,00

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