Por Rodolfo Costa Machado*

Diante da ativa resistência democrática deflagrada pelos três setores (funcionários, estudantes e professores) que compõem vivamente e de fato a PUC-SP, calcados em usos e costumes de no mínimo 30 anos de respeito à vontade da maioria das urnas da comunidade pela Igreja (sem se imiscuir ideologicamente no conteúdo e linhas de pesquisa desta Universidade), justamente contrários à ardilosa manobra antidemocrática da Profª. “reitora” Anna Cintra e da indicação por “seu” grã-chanceler dom Odilo Scherer, repleta a PUC-SP de jornalistas desta Folha, não é crível que sequer se “ouviu” o lado hoje majoritário dos setores em luta contra a estatutária, porém absolutamente ilegítima, assunção de posse de reitoria por parte de Anna Cintra.

Igualmente incrível é que a reportagem sequer “apurou”, antes de publicar em entrevista com a Profª. sua sabidamente falsa afirmação de que seu grupo e ela “queríamos o diálogo” (C2), que Anna Cintra fora convidada três! vezes para “dialogar” com a comunidade universitária, enviando-nos em seu lugar acacianos advogados, calando-se acerca das reais intenções dela e do projeto ideológico de universidade de dom Odilo que, pela primeira vez na história da democracia puquiana e também brasileira, levaram à desconfirmação pela Igreja (e sua Fundação mantenedora) da vontade legítima colhida árdua e eleitoralmente, de forma direta, da maioria da comunidade universitária em seus três setores constituintes. Repugnante e repudiável, ainda, afirmações da ilegítima reitora do cardeal e da Igreja, instituição multissecular ávida em retomar o caráter exclusivamente confessional da PUC-SP, no sentido de ser o sindicato dos professores “um grupo” e os estudantes indignados, uma simples minoria, que lhe fizeram “uma armação” ao “forçar-lhe” assinatura de compromisso com a comunidade impedindo-se de assumir o cargo caso não fosse a mais votada. Mais um ato dela que, apesar das palavras proferidas, indica-lhe o verdadeiro cariz.

Bastaria a esta Folha percorrer (como o fez) a Universidade e perguntar sobre os reais caráter e teor da suposta “gestão [que] já começou” e “não precisa das paredes da reitoria” (C2), para ver que a desfaçatez sem corar das palavras de Anna Cintra se revela, visceralmente às escâncaras, em seu agir prático perante a comunidade.

Nem tudo que é estatutário é de direito ou sequer justo; nem tudo que é legal é legítimo. Tal pedagogia desta luta atual de toda a PUC-SP realmente preocupada com os tradicionais valores democráticos que lhes caracteriza ainda nos ensina, ao lado das inúmeras aulas públicas de diversos departamentos que veem sendo realizadas sobre Universidade, democracia, ditadura, legitimidade, legalidade e memória (já que a universidade não está parada, mas muito pelo contrário ativamente resistente), é o norte que deve hoje e amanhã, no ano difícil e decisivo de 2013, guiar-nos neste justo e legítimo processo de resistência às obscurantistas forças ultraconservadoras da Igreja Católica (a quem ainda tem dúvidas, cf. o odioso artigo publicado nesta Folha do douto canônico Edson Luiz Sampel, A3, 28/11) e da academia essencialmente antidemocráticas e anti-povo. Não passarão!

Rodolfo Costa Machado é graduado em Direito e mestrando em História Social pela PUC-SP

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